<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490</id><updated>2012-01-13T11:23:51.616-02:00</updated><title type='text'>o caminho se faz caminhando</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6953793251530097781</id><published>2012-01-13T11:23:00.002-02:00</published><updated>2012-01-13T11:23:51.622-02:00</updated><title type='text'>Polícia serve para quê?... vamos perguntar a estudantes de Teresina!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Humberto Góes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Certa vez, escutei de um Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe após uma ação de terror contra trabalhadores sem-teto em Aracaju (tão violenta como a que vemos em face de estudantes em Teresina), que a polícia sempre precisa agir para garantir a ordem pública e o cumprimento da lei no imediato momento em que uma situação de descontrole está se dando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Segundo ele, normalmente, o policial, originário de “setores desfavorecidos da sociedade” (palavras que emprega para definir as classes subalternas, dominadas, humilhadas, controladas, dominadas pelo poder econômico que conduz o Estado e impõem a todo povo acreditar que a defesa de certos interesses é a defesa de seu próprio interesse), “não gosta de cumprir certas ordens e participar de certas operações”. De novo aspas, “mas..., a polícia precisa agir de imediato. É como o seu filho em casa, se ele faz xixi no tapete da sala, a empregada doméstica, imediatamente, terá que tomar providências para repreender aquele ato”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Em outras palavras, o policial parece saber quem manda e a serviço de quem ele se encontra, afinal, ele faz o papel da empregada doméstica, que age segundo as ordens e os interesses do patrão, que deve combater o xixi no tapete da sala imediatamente, sob pena de ela responder perante quem manda, por sua omissão, por não agir na conformidade da ordem que se não conhece, deveria conhecer. Com a diferença que, no caso da criança que faz xixi no tapete da sala, a empregada doméstica, a serviçal, não está autorizada a bater. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Com relação ao que ocorre em Teresina, o impulso mobilizador da garantia da ordem sequer foi de fato observado, afinal de que garantia da ordem se fala: a da falta de licitações do transporte público? A da falta de qualidade e de respeito em relação ao cidadão e à cidadã no cumprimento do seu direito ao transporte e, com efeito, ao seu direito de ir e vir? Não, certamente, não é dessa ordem de que se fala. É da ordem daqueles que usam o aparato do Estado para, através da violência, seguir explorando o povo, ditando regras capazes de gerar controle popular para produzir mais e mais exploração. É da ordem daqueles que fazem do público transporte o seu direito de propriedade. É, enfim, a garantia da ordem daqueles que sempre mandaram e desejam continuar mandando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Pra isso, necessitam tratar a polícia como seu exército particular de jagunços e fazer o policial acreditar na sua condição de capitão-do-mato na defesa do patrimônio do senhor. Outrossim, assimilar uma postura servil e, para melhor servir, assumir pra si, mesmo tendo sido originado entre os oprimidos, os interesses do senhor como seus próprios interesses; incorporá-lo, pensar como ele pensa, entumecer-se da ira que o senhor teria para revelar em si, a sanha e a violência de quem manda; agir como ele agiria, acreditando que pode mandar como ele, atuando contra quem ousa fugir da ordem, da ordem do senhor, aquela constituída previamente para servi-lo e aos seus interesses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Como diz Galeano, vivemos “uma escola do mundo ao avesso”. Em lugar de cumprir a ordem e as necessidades do povo, as forças públicas, que são pagas com dinheiro do povo, servem aos interesses privados, agem como forças particulares. É certo, usa o pretexto de que estava liberando uma via pública para a garantia do passo, mas, de fato, no fim da mesma via pública, o que vinha eram ônibus lotados de olhos sedentos e bocas salivantes dos papa-moedas; eram lotações de mais de uns poucos e particulares interesses, daqueles mesmos interesses que, para permanecerem em voga, financiam campanhas políticas de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente da república; destroem o meio ambiente e “removem” os pobres dos espaços da cidade que interessam para a construção de bairros de luxo, removem comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhos e camponeses para promover o “desenvolvimento” com construção de grandes empreendimentos para escusos interesses travestidos de “interesses do povo”; mais que isso, mantêm o povo refém do “clube dos amigos” e transformam a “indocilidade” dos pobres num “Belo Monte” de problemas que precisa combatido enérgica e imediatamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt;Mas, pra que pensar nisso? Ao final de tudo, depois de ter feito o trabalho sujo da força, quando o policial pega o ônibus e chega em casa, olha pra sua esposa, filhos e filhas, ele volta a ser apenas mais um no meio da multidão. Para ele: Parabéns soldado, você cumpriu o seu papel! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Para saber mais sobre a violência policial contra protestos pacíficos em Teresina pelo direito ao transporte público, acessar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;a href="http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/235717_quinze_manifestantes_sao_presos_na_central_de_flagrantes.html"&gt;http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/235717_quinze_manifestantes_sao_presos_na_central_de_flagrantes.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=14Fuj344r4g&amp;amp;feature=youtu.be"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=14Fuj344r4g&amp;amp;feature=youtu.be&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:2.0cm"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6953793251530097781?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6953793251530097781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6953793251530097781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6953793251530097781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6953793251530097781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2012/01/policia-serve-para-que-vamos-perguntar.html' title='Polícia serve para quê?... vamos perguntar a estudantes de Teresina!'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3446121040207078809</id><published>2011-11-12T21:20:00.001-02:00</published><updated>2011-11-12T21:21:16.106-02:00</updated><title type='text'>A luta indígena contra a especulação imobiliária no DF</title><content type='html'>&lt;div class="post-body entry-content" id="post-body-4847370448180049470" style="width: 636px; font-size: 13px; line-height: 1.4; position: relative; color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif; text-align: -webkit-auto; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;div style="text-align: right; "&gt;&lt;br /&gt;por Betinho Góes/Humberto Góes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Uma obrigação militante me mobiliza a produzir um relato minucioso sobre uma grave violação de direitos humanos que tenho acompanhado em Brasília, juntamente com outros companheiros e companheiras da Advocacia Popular radicados no DF. É a situação hoje vivenciada pela Comunidade Indígena Fulni-Ô/Tapuya, que, contrariamente aos interesses de empreiteiras financiadoras dos governos de Roriz, de Arruda, que contribuíram para o mensalão do DEM, luta para permanecer em suas terras tradicionalmente ocupadas em Brasília.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como a situação de conflito, a destruição da terra e as prisões de estudantes e apoiadores da causa indígena no DF não param de acontecer, o trabalho não cessa. Todos os dias, estamos tentando obter decisões judiciais, promovendo novas ações, bem como ocupar espaços na Câmara e no Senado Federais e em outros lugares que possam fazer surtir efeito a luta do povo Fulni-Ô/Tapuya na DF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fossem os estudantes da UnB, que promovem ações diretas, param máquinas, se colocam diante da polícia, dos seguranças das empresas, os índios já teriam perdido essa luta. Pois, como todos sabem, o Judiciário demora o tempo suficiente pra que as empresas consumem a sua destruição e nada mais se possa fazer. Nesse momento, o "princípio da precaução", que deve inspirar as questões ambientais e indígenas, não vem sendo considerado, como não foi considerada a presença indígena durante todo o processo de licenciamento ambiental.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar de os documentos informarem que existiam índios na área e que esta representava uma ocupação tradicional, os órgãos, entidades ambientais e a FUNAI foram omissos quanto à observação do componente indígena no licenciamento ambiental e em alguns casos até admitem a retirada da comunidade de suas terras (o que é vedado pela Constituição Federal de 1988). No caso da TERRACAP, empresa pública do DF que faz as licitações de terras, houve uma demonstração de interesse pela retirada dos índios desde o primeiro momento. Em ofício para a FUNAI, o presidente do órgão em 1999, mesmo sabendo que terra ocupada por índios pertence à União, chega a dizer que está tomando todas as providências para "desobstruir a área", o que significa retirar os índios e entregá-las às grandes construtoras, aqueles que financiam as campanhas e determinam os interesses que serão movimentados no Distrito Federal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por hora, envio links para que a luta Fulni-Ô/Tapuya, tribo já excluída de seu local de origem, o município de Águas Belas, Pernambuco, há anos atrás, não termine da forma como começou, com a expulsão dos índios de suas terras tradicionalmente ocupadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/user/santuariodospajes" target="_blank" style="text-decoration: none; color: rgb(187, 33, 136); "&gt;http://www.youtube.com/user/santuariodospajes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9v9AGCvup3Y&amp;amp;feature=player_embedded" target="_blank" style="text-decoration: none; color: rgb(187, 33, 136); "&gt;http://www.youtube.com/watch?v=9v9AGCvup3Y&amp;amp;feature=player_embedded&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3446121040207078809?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3446121040207078809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3446121040207078809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3446121040207078809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3446121040207078809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2011/11/luta-indigena-contra-especulacao.html' title='A luta indígena contra a especulação imobiliária no DF'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-7559110400426429688</id><published>2011-10-08T22:55:00.001-03:00</published><updated>2011-10-08T22:57:26.113-03:00</updated><title type='text'>Andarilhando com Paulo Freire</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YNY6_KAe-eI/TpD_ckZz69I/AAAAAAAAAIQ/6kiRQZm6evs/s1600/20080830-Paulo_Freire.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-YNY6_KAe-eI/TpD_ckZz69I/AAAAAAAAAIQ/6kiRQZm6evs/s320/20080830-Paulo_Freire.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5661305597878070226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Tinha que ler o Thomas Marshall e o Damatta, mas, antes de tudo, era preciso expressar, em palavras, a minha leitura do mundo: a leitura do que vi e daquilo de que fui capaz de me encharcar – um dia inesquecível de momentos dedicados a Paulo Freire – a UnB e cada um de nós andarilhando com Paulo Freire.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;É confortante, ao deixar a obrigação pragmática para entregar-me à criatividade e à emoção das palavras, perceber que não custa seguir o trajeto daquele que, apesar de nomear-se “Reglus”, é o retrato da subversão por uma amorosidade encantada, emocionada, pelo mundo; é a negação do que tolhe, do que enrijece, do que maltrata. É a incorporação humilde de uma ira justa, aquela que movimenta esperançosamente em direção a um outro mundo possível. É o grito manso e igualmente bravio que anda em comunhão com o sorriso, com a criatividade, com a entrega, com o estar gostoso andarilhando e fazendo caminhar. É aquela mansidão que, como a brisa leve, arrebata e reúne engenhosamente os finos grãos de areia em gigantescas dunas. É a força do ser que jamais admite deitar seu corpo, nem depois da morte, em jazigo perpétuo da indiferença.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Preciso dizer do encontro de hoje, que é materialização de tantos desse mesmo dia e de tantos de dias idos; daqueles da própria vida, que só se fez e se faz existência encontrando outras existências. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Devo mencionar a inédita e estremecedora comunhão de falas com Diego Diehl proporcionada pela semana desta Universidade Necessária, que é de Darcy Ribeiro e nossa, em torno de Paulo Freire e do Direito (mediatizados pela UnB, foi possível renovar a cumplicidade transformadora, ávida, cheia de brilho nos olhos, por um mundo justo, que nos irmana). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Necessito falar do encontro entre Darcy Ribeiro e Paulo Freire, lembrado por Layla Jorge e reconstituído de forma afável pelo professor José Geraldo na cerimônia de concessão póstuma de título de doutor por causa honorífica a este último (enquanto se entrelaçavam as ideias desses seres tão preocupados com a nossa gente, podia viver a alegria daquele instante, sem nunca de ter estado lá). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas, quando eu supunha que este dia 06 de outubro, já tinha sido povoado de emoções suficientes, por um instante, interrompendo a conversa para tirar fotos com algumas das pessoas presentes, recebi das mãos de Nita Freire uma pasta. Na capa, letras douradas apontavam “Paulo Reglus Neves Freire”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Chegava casualmente as minhas mãos todo o fazer de um ser que não “pensava pensamento” hipostasiado no diploma que a UnB lhe concedia. Compartilhei com Layla a minha emoção e a vontade de abrir para vê-lo. Esperei Nita voltar, pedi permissão para olhar de perto, o que me foi concedido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;De imediato, revivi todo o encontro, tão intenso e motivador, com as ideias de Paulo Freire. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vieram-me à mente tantos outros lindos estar-no-mundo de que participei ao ter a vida tocada pela filosofia freireana; as possibilidades de (re)conhecer pessoas e de me (re)conhecer em cada pessoa com quem compartilhei fragmentos ou partes tão grandes de um existir que se fez enquanto se fazia com o mundo e com o outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Refiz o tempo da manhã tão forte desse dia. Passaram-se pelos olhos entrecruzados aos brilhantes e emocionados olhos Layla a vivacidade de tantos outros olhos e olhares lançados firmemente ao horizonte, apesar dos pés doídos de marchar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Com o diploma de Paulo Freire diante de mim e tão perto, como se eu segurasse a sua mão, aquela mesma que o permitiu exercitar o seu direito de dizer a sua palavra constatadora, mas, acima de tudo, amorosa e ansiosamente transformadora, voltei a me inspirar nos caminhos que percorro e naqueles que percorri no chão quente dessa nossa América, a Latina. Estive de novo com os sorrisos, com os abraços, com as conversas, com as lutas, com os aprenderes...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Refletia sobre a existência mesma e sobre a fugacidade da morte diante da lembrança...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Por frações de segundo, estava nas comunidades, nos movimentos sociais, com os estudantes e com as estudantes, estava com meninos e meninas de rua, conhecendo gente, aprendendo a ser gente, construindo lutas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vivia a UnB, a utopia de Darcy e nossa utopia, estava feliz por estar ali, saboreava de novo o traçado de seus caminhos, a intensidade de seus ipês amarelos mais lindos e de seus flamboyants mais vermelho-alaranjados na moldura do azul do ceumar de Brasília. Trazia à memória a semana universitária de 2010, o compartilhar rico com as falas dos professores Carlos Rodrigues Brandão e Renato Hilário, do poeta e cantador Chico Nogueira, todos freireanamente postos no mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ao tempo, lembrava do que não vivi e abria a vida para o futuro... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Se me projetava à terça-feira da semana passada, em que, ao tomar posse como professor na Universidade Federal de Goiás, ouvi um “seja bem-vindo professor” que me caiu como um “faça surgir o EDUCADOR!”, era porque a força daquele encontro com Paulo Freire, a força de todos os encontros posteriores mediatizados pelo anterior, ganhava fôlego para seguir adiante. Tanto quanto se avolumava a vontade de iniciar meu trabalho de professor/educador neste dia 07 de outubro. Tanto quanto tomava mais corpo a vontade de viver e seguir com a responsabilidade de perpetuar encontros, de produzir novos, de reanimar os antigos e de fazer deles todos os de sempre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-7559110400426429688?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/7559110400426429688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=7559110400426429688' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7559110400426429688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7559110400426429688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2011/10/andarilhando-com-paulo-freire.html' title='Andarilhando com Paulo Freire'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-YNY6_KAe-eI/TpD_ckZz69I/AAAAAAAAAIQ/6kiRQZm6evs/s72-c/20080830-Paulo_Freire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-4289375732454427340</id><published>2011-09-28T18:37:00.002-03:00</published><updated>2011-09-28T19:34:53.162-03:00</updated><title type='text'>Latinoamérica - Calle 13</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-ccd8c009b3ea3ab" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v4.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0ccd8c009b3ea3ab%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331315284%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6B0EAC673918E8EF1E36B7EABBFBF7F824B85FA7.2C67DCFBA57BC2A2CFAD5966A684CD071BA14171%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dccd8c009b3ea3ab%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DDiw1wjucxUKNML9EdDKXOHXQOTQ&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v4.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0ccd8c009b3ea3ab%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331315284%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6B0EAC673918E8EF1E36B7EABBFBF7F824B85FA7.2C67DCFBA57BC2A2CFAD5966A684CD071BA14171%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dccd8c009b3ea3ab%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DDiw1wjucxUKNML9EdDKXOHXQOTQ&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, tahoma, verdana; font-size: 14px; line-height: 20px; white-space: pre; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, tahoma, verdana; font-size: 14px; line-height: 20px; white-space: pre; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; line-height: normal; white-space: normal; font-size: medium; "&gt;&lt;pre&gt;&lt;span style="font-family: arial, tahoma, verdana; font-size: 14px; line-height: 20px; "&gt;Soy, Soy lo que dejaron, soy toda la sobra de lo que se robaron. Un pueblo escondido en la cima, mi piel es de cuero por eso aguanta cualquier clima. Soy una fábrica de humo, mano de obra campesina para tu consumo Frente de frio en el medio del verano, el amor en los tiempos del cólera, mi hermano. El sol que nace y el día que muere, con los mejores atardeceres. Soy el desarrollo en carne viva, un discurso político sin saliva. Las caras más bonitas que he conocido, soy la fotografía de un desaparecido. Soy la sangre dentro de tus venas, soy un pedazo de tierra que vale la pena. soy una canasta con frijoles , soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles. Soy lo que sostiene mi bandera, la espina dorsal del planeta es mi cordillera. Soy lo que me enseño mi padre, el que no quiere a su patria no quiere a su madre. Soy América latina, un pueblo sin piernas pero que camina.  Tú no puedes comprar al viento. Tú no puedes comprar al sol. Tú no puedes comprar la lluvia. Tú no puedes comprar el calor. Tú no puedes comprar las nubes. Tú no puedes comprar los colores. Tú no puedes comprar mi alegría. Tú no puedes comprar mis dolores.  Tengo los lagos, tengo los ríos. Tengo mis dientes pa` cuando me sonrío. La nieve que maquilla mis montañas. Tengo el sol que me seca  y la lluvia que me baña. Un desierto embriagado con bellos de un trago de pulque. Para cantar con los coyotes, todo lo que necesito. Tengo mis pulmones respirando azul clarito. La altura que sofoca. Soy las muelas de mi boca mascando coca. El otoño con sus hojas desmalladas. Los versos escritos bajo la noche estrellada. Una viña repleta de uvas. Un cañaveral bajo el sol en cuba. Soy el mar Caribe que vigila las casitas, Haciendo rituales de agua bendita. El viento que peina mi cabello. Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello. El jugo de mi lucha no es artificial, Porque el abono de mi tierra es natural.  Tú no puedes comprar al viento. Tú no puedes comprar al sol. Tú no puedes comprar la lluvia. Tú no puedes comprar el calor. Tú no puedes comprar las nubes. Tú no puedes comprar los colores. Tú no puedes comprar mi alegría. Tú no puedes comprar mis dolores.  Você não pode comprar o vento Você não pode comprar o sol Você não pode comprar chuva Você não pode comprar o calor Você não pode comprar as nuvens Você não pode comprar as cores Você não pode comprar minha felicidade Você não pode comprar minha tristeza  Tú no puedes comprar al sol. Tú no puedes comprar la lluvia. (Vamos dibujando el camino, vamos caminando) No puedes comprar mi vida. MI TIERRA NO SE VENDE.  Trabajo en bruto pero con orgullo, Aquí se comparte, lo mío es tuyo. Este pueblo no se ahoga con marullos, Y si se derrumba yo lo reconstruyo. Tampoco pestañeo cuando te miro, Para q te acuerdes de mi apellido. La operación cóndor invadiendo mi nido, ¡Perdono pero nunca olvido!  (Vamos caminando) Aquí se respira lucha. (Vamos caminando) Yo canto porque se escucha.  Aquí estamos de pie ¡Que viva Latinoamérica!  No puedes comprar mi vida.&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-4289375732454427340?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/4289375732454427340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=4289375732454427340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4289375732454427340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4289375732454427340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2011/09/latinoamerica-calle-13.html' title='Latinoamérica - Calle 13'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1430052876951223623</id><published>2011-08-29T19:59:00.001-03:00</published><updated>2011-08-29T19:59:40.308-03:00</updated><title type='text'>Carta do encontro do NEDA - 2011</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;Publicamos a Carta dos enamorados do Núcleo de Estudos de Direito Alternativo, lida na ocasião do encerramento do V Simpósio de Direito Alternativo, realizado de 25 a 27 de agosto de 2011, em Franca, São Paulo, no campus da UNESP.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center; "&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RXrCVxqWRCI/TlvpqsM0NPI/AAAAAAAAAqw/jj481J6a-kw/s1600/IMG_0190.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em; "&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-RXrCVxqWRCI/TlvpqsM0NPI/AAAAAAAAAqw/jj481J6a-kw/s320/IMG_0190.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembrando frase de Antonio Alberto Machado, na ocasião da inauguração da sala, em 23 de outubro de 2001, "&lt;i&gt;O absurdo da condição humana nasce dos anseios do homem diante do silêncio despropositado do mundo, o absurdo do Direito nasce dos anseios por Justiça, Igualdade e Democracia diante do silêncio despropositado da lei&lt;/i&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segue a íntegra da carta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Eis, então, que, no hemisfério sul do planeta, na América Latina, no Brasil, na barranca do rio grande, ousamos nos reunir para celebrar a loucura do desviante. À margem, conclamamos a coragem de realizar a travessia, num trajeto, que, como diria o poeta, só se faz a cada passo: um caminho que se faz ao caminhar. Mas tais passos não se dão sem as mãos, dadas com os oprimidos, com os marginais, e entre nós, num compartilhamento da utopia que sabemos ser possível. Não a metafísica utopia dos sonhos irrealizáveis, mas a utopia do não lugar, sonegada, erigida como não existente, porém insistentemente perseguida. Por isso, esta reunião, este concerto, este balé, este teatro é uma oportunidade de aprendizado, compartilhamento e fortalecimento mútuo, mas é também uma celebração da renitência do conjunto de caminhantes que parte da barranca do rio grande rumo a um mundo de Justiça e Igualdade, que pode até não ser alcançado, mas sua anunciação no horizonte movimenta a caminhada de uma luta que, por si mesma, devolve o retorno libidinal de não cedermos à frigidez e à anestesia do direito pálido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Propusemos aqui um banquete de possibilidades sinestésicas entre seres reais, com cores, olores e sabores de gente que ousa se tocar e tocar o alijado. E o vinho que degustamos em nosso banquete possui o sabor de idéias. Estas idéias, confabuladas, nos experimentam no sabor da vida. A vida, como as posições da língua, tem uma pontinha doce, mas um fundo amargo. A vida, como a língua, em seus cantos é salgada, e no meio, no meio não é nada. De doce mesmo, a vida tem apenas uma pontinha. E quando a gente pisa na vida, no chão concreto do absurdo, a gente percebe que a qualquer momento a vida pode pisar na gente. Sim, nossa vida pisa nas gentes. Este tipo de vida que não queremos para nós, que temos que enfrentar cotidianamente, com democracia, em todos os lugares e a todo tempo, esta vida miserável que exige a riqueza dos verbos difíceis, esta vida é uma realidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o real é suscetível de magia. E se eles são feiticeiros da hipocrisia, ou como se disse, que professam a técnica da mentira, talvez possamos ser feiticeiros de flores e alegrias. Não sem esforço, insistência, intermitência, obstinação, coragem, frustração, revigoração e continuidade, ainda que a história e a vida sejam feitas de descontinuidades, de cortes epistemológicos que nos castram direitos básicos, de atitudes desmedidas que nos caçam as escolhas mais sinceras e nobres, da usurpação diária que a ordem instaura em nosso pequenino mundo humano, que ainda estamos, a passos lentos, conhecendo aos poucos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ousamos negar. Ousamos profanar a apropriação perversa das relações humanas, divinizada pelo direito fálico, branquelo e opulento. Não aceitamos as metonímias totalitárias que nos forçam goela abaixo este pão de forma normativo e bolorento. Transformar a parte pelo todo é um barroco torto, obra de um direito putrefato. Queremos regurgitar. Tomamos um lado na luta de classes. Movemo-nos inversamente, inserindo em todas as partes os todos da vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida que é vivida nem sempre é feita de aplausos. Na maioria das vezes, é feita de fome, de choro, de olhos cabisbaixos, de órfãos, de violência, de Severinos, de Terezinhas, de crianças maltratadas, de idosos esquecidos, de índios massacrados, de negras usurpadas. Até quando silenciar as cantigas de roda e os direitos que brotam das sementes? São tantos e tantos lugares em que o amor foi amado sem sabor, amor amado sem amor, amor que se fez de rogado, amor que ficou calado, amor amarrado, torturado, estuprado. Suas patentes, seus rótulos, seus maquinários mercadológicos, seus aparatos militares, suas normatividades nos arrancaram o direito de amar a vida em sua pureza natural, em nossas colheitas, nas frutas da terra e nos frutos da consciência livre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então, viemos aqui lutar pelo direito de amar. Amar é um direito difuso, embora amar nos deixe tantas vezes confusos. O retorno do conteúdo ideológico ao direito de formas puras nada mais é do que o retorno do amor àquelas e àqueles que foram chamados operadores de direitos. Afinal, operadores de direitos necessariamente lidam com as dores dos sujeitos. Sendo assim, precisam estar juntos, tocando-se mutuamente, reconhecendo-se um no outro, procurando-se encontrar fora deste invólucro que denominaram de eu. Porque o eu só pode ser sendo nós. Podemos por fim lembrar os versos socialistas de Tiago de Mello:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;É tempo sobretudo&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;de deixar de ser apenas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a solitária vanguarda&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;de nós mesmos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Se trata de ir ao encontro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(Dura no peito, arde a límpida&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;verdade dos nossos erros.)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Se trata de abrir o rumo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Os que virão, serão povo,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;e saber serão, lutando.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Franca, 27 de agosto de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Subscreve esta carta os enamorados do Núcleo de Estudos de Direito Alternativo (NEDA), da UNESP/Franca&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1430052876951223623?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1430052876951223623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1430052876951223623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1430052876951223623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1430052876951223623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2011/08/carta-do-encontro-do-neda-2011.html' title='Carta do encontro do NEDA - 2011'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-RXrCVxqWRCI/TlvpqsM0NPI/AAAAAAAAAqw/jj481J6a-kw/s72-c/IMG_0190.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5183943151444521813</id><published>2011-08-29T19:57:00.000-03:00</published><updated>2011-08-29T19:58:12.218-03:00</updated><title type='text'>Rosas vermelhas à intensidade de Lyra Filho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wCxkCatt8W0/Ti2EE3OeQjI/AAAAAAAAAG0/gLe43NNb-zU/s1600/IMG_0032%2Ba.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633303927989355058" src="http://1.bp.blogspot.com/-wCxkCatt8W0/Ti2EE3OeQjI/AAAAAAAAAG0/gLe43NNb-zU/s200/IMG_0032%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 130px; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; width: 200px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Humberto Góes/Betinho Góes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Fotos: Humberto Góes/Betinho Góes e Luiz Otávio Ribas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Certa vez, uma amiga dada a coisas exotéricas me disse que o número nove, com o qual sempre dizia me identificar, traz consigo o símbolo do recomeço, na dialética constante da vida.&lt;br /&gt;Embora não creia nesse tipo de conhecimento, há instantes em que não posso deixar de reconhecer a coincidência de situações de plena dialética que carregam consigo o número nove. Esta que relato me parece envolta e carregada da capacidade de geração/regeneração/transformação/produção/reprodução/re-produção de tudo o que se renova renovando e renova sendo renovado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Passava das duas da tarde de uma terça-feira, dia 12 de julho de 2011, quando encontramos a professora Eloette no centro de uma Curitiba quente para este período. Segundo a informação transmitida por Diego Diehl complementada por Luiz Otávio, era ela uma das três pessoas que, sob a sombra de um pinheiro do Paraná, fizeram repousar, há 25 anos, o mentor de tantos sonhos transformadores, e era também ela que nos levaria a seis jovens pesquisadores e pesquisadoras em Direito (Ricardo Pazello, Luiz Otávio &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QADOIc88Kfs/Ti1rVD63IKI/AAAAAAAAAEk/FilDfnoEuWA/s1600/SAM_0503%2Ba.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633276718483972258" src="http://3.bp.blogspot.com/-QADOIc88Kfs/Ti1rVD63IKI/AAAAAAAAAEk/FilDfnoEuWA/s320/SAM_0503%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 204px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; width: 238px; " /&gt;&lt;/a&gt;Ribas, Diana Melo, Carolina Vestena, Tchena Mazo e eu) a realizar um reencontro com uma memória, com uma obra, cujo sentido dava àquele instante a conotação de tarefa revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Digo revolucionária por sua capacidade de renovar a esperança, de alimentar o desejo de ver, na Filosofia do Direito, com reflexos no fazer jurídico hegemônico, ressurgirem, como irmãs siamesas, justiça social e prática jurídica cotidiana, institucionalizada ou não institucionalizada. Mas, como toda autêntica obra dessa natureza, era, ademais de um dever, uma prazerosa e sonhada atividade; era um fazer carregado de emoção e sensibilidade, através de que podíamos reafirmar o nosso compromisso com o mundo, com as transformações necessárias à dignidade e à justiça dos povos oprimidos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Nossa missão era encontrar com Roberto Lyra Filho no lugar em que fora semeado o seu corpo para alimentar o desejo de, seguir fazendo florescer suas ideias. Nossa guia parecia conhecê-lo bem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Divididos em dois grupos, tocou-nos a Ricardo Pazello e a mim o prazer de escutar suas estórias durante o trajeto do centro até a rua Padre João Wislinski, 755, no Bairro de Santa Cândida, em que se situava o Cemitério Paroquial de mesmo nome. De sua boca, revelavam-se, junto com a amizade e o profundo respeito, porquês, senões, ideais, amigos, buscas e traços de vida que marcaram a obra poética e filosófica lyriana. Em mim, crônicas dissolvidas em tanto carinho me provocavam lágrimas e reflexões, que, como no percurso marolar sobre a areia de uma praia serena, intercalavam-se em idas e vindas sem alarde.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De Roberto Lyra Filho, podíamos saber da amizade com José Geraldo de Sousa Júnior, com Marilena Chauí; emergiam informações sobre como surgiu a decisão de adotar um filho e de constituir o Paraná como lugar de sepultamento após a morte, ambas coincidentes com o desejo de seguir caminhos sem pré-julgamentos e sem que importasse, primeiro, quem era, qual a sua importância social e intelectual, se tinha bens.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Neste momento, fica a sensação, Roberto queria ser apenas Roberto, um homem entregue ao mundo na simples complexidade de sua existência. E, é o que parece ter-se traduzido também no rito fúnebre que se empreendeu na presença de apenas três pessoas conhecidas, entre elas a professora Eloette, ademais de dezenas de crianças de uma escola que surgiram, minutos antes do sepultamento, na missa de corpo presente. Talvez, estas fossem o símbolo do olhar curioso e igualmente despretensioso que Roberto procurava encontrar nas pessoas, segundo o que podíamos compreender das palavras que se lançavam acerca dele.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;No cemitério Santa Cândida, nossa intensidade se aninha a outras intensidades na reunião do grupo para o encontro com a intensidade de Lyra Filho, &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-i7jFnkW0KPc/Ti1-Zk_g7TI/AAAAAAAAAGU/UvfwEclPhXA/s1600/868%2Baa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633297686802263346" src="http://2.bp.blogspot.com/-i7jFnkW0KPc/Ti1-Zk_g7TI/AAAAAAAAAGU/UvfwEclPhXA/s200/868%2Baa.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 136px; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; width: 200px; " /&gt;&lt;/a&gt;aquela que nos ligava ali. Tomados todos e todas pela emoção de estar ao lado do ser que em nós se transformava no motor consciencial de nossas ações, pusemo-nos a buscar a sombra da araucária em que deveria repousar Lyra Filho. Era o jazigo 1017, conforme nos indicou em um envelope a funcionária da secretaria paroquial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;À parte exoterismos de todo gênero, não é possível deixar de observar a coincidência de, após uma noite de boas música e companhia num círculo constituído na calçada de uma rua do centro de Curitiba sob o número 359, cuja soma dá 8 (símbolo do infinito), encontrar Lyra Filho no número 1017. A soma deste perfazia um nove, o último dos números “naturais” e, por conseguinte, símbolo que, após sua pronúncia, demanda o recomeço; denota em si a dialética da iminência do fim e de um novo porvir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ImzD01mwR3E/Ti1uVRanekI/AAAAAAAAAFM/GlovWy9U9W0/s1600/841%2Baa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633280020641708610" src="http://4.bp.blogspot.com/-ImzD01mwR3E/Ti1uVRanekI/AAAAAAAAAFM/GlovWy9U9W0/s200/841%2Baa.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 200px; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; width: 134px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-khEbDRrLog8/Ti1yqYOphkI/AAAAAAAAAFk/8BGEc9pHyvI/s1600/842%2Baa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633284781294323266" src="http://2.bp.blogspot.com/-khEbDRrLog8/Ti1yqYOphkI/AAAAAAAAAFk/8BGEc9pHyvI/s200/842%2Baa.jpg" style="cursor: pointer; height: 200px; width: 134px; " /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633283056869730946" src="http://2.bp.blogspot.com/-vXwCgPeCtWA/Ti1xGAPyaoI/AAAAAAAAAFc/NpH-A4iOWyE/s200/835%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; height: 200px; width: 134px; " /&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bV-DB2NJhCg/Ti1s80Y2xBI/AAAAAAAAAFE/cf-6kFwRbmk/s1600/829%2Ba.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633278501021205522" src="http://1.bp.blogspot.com/-bV-DB2NJhCg/Ti1s80Y2xBI/AAAAAAAAAFE/cf-6kFwRbmk/s200/829%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; height: 200px; width: 134px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Diante da intensidade de Lyra Filho, não podia ser outra a sensação de quem estuda a sua obra, senão a de uma permanência que só faz sentido à medida que se mescla ao gosto pela aventura experiencial e novidadeira da incerteza, que se faz contínua pela capacidade de se transformar e de transformar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De igual forma, não podia ser outra a nossa homenagem senão com a intensidade das rosas vermelhas. Buscamos rosas fulgurantemente vermelhas porque brancas não seriam apropriadas. Lyra não as aceitaria, sobretudo se precisasse rega-las à poesia de um Noel Delamare ou àquela gerada na confluência de um Ricardo Pazello com um Luiz Otávio pseudonimamente representados, ou ainda, na amorosidade de uma Diana indignadamente sensível. Todos e todas estavam encharcados de palavras emanadas e refletidas desde corações cristãos, ateus, agnósticos, que se comungavam diante de um homem que se fazia presente naquele instante e se faz inspirador de tantas gentes porque, sem ter morrido, jamais morrerá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TizRPwNPQGQ/Ti12EZvo-lI/AAAAAAAAAF0/NeZVRJxv-fs/s1600/SAM_0507%2Ba.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633288526912617042" src="http://1.bp.blogspot.com/-TizRPwNPQGQ/Ti12EZvo-lI/AAAAAAAAAF0/NeZVRJxv-fs/s200/SAM_0507%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; height: 83px; width: 124px; " /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q_yDkX_PL60/Ti10pe-ueKI/AAAAAAAAAFs/07termhh7is/s1600/850a.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633286964949973154" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q_yDkX_PL60/Ti10pe-ueKI/AAAAAAAAAFs/07termhh7is/s200/850a.jpg" style="cursor: pointer; height: 89px; width: 130px; " /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yxnCA3KZVGo/Ti16IUfol7I/AAAAAAAAAF8/xk7yE1sNjqw/s1600/SAM_0508.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633292992269293490" src="http://1.bp.blogspot.com/-yxnCA3KZVGo/Ti16IUfol7I/AAAAAAAAAF8/xk7yE1sNjqw/s200/SAM_0508.JPG" style="cursor: pointer; height: 87px; width: 115px; " /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1Ia7cXYrucM/Ti17a7DetfI/AAAAAAAAAGE/iDqE2aMFqSc/s1600/SAM_0513%2Baa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633294411369461234" src="http://1.bp.blogspot.com/-1Ia7cXYrucM/Ti17a7DetfI/AAAAAAAAAGE/iDqE2aMFqSc/s200/SAM_0513%2Baa.jpg" style="cursor: pointer; height: 87px; width: 119px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De minha parte, depositei uma rosa vermelha à intensidade de Noel Delamare, de Roberto Delamare, Noel DelaLyra, de Roberto Lyra Filho, aqueles que inspiram minhas reflexões e minha luta. Da parte dos demais e das demais, em silêncio ou materializado em palavras, mais sentimentos, tanto quanto aqueles que se esboçam em seu epitáfio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3mqg4RyZYN4/Ti2CbruYBxI/AAAAAAAAAGk/bt_wvFNFKZQ/s1600/838%2Ba.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633302121015674642" src="http://2.bp.blogspot.com/-3mqg4RyZYN4/Ti2CbruYBxI/AAAAAAAAAGk/bt_wvFNFKZQ/s200/838%2Ba.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 202px; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; width: 134px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size: 14px; "&gt;&lt;strong&gt;Roberto Lyr&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O93X0-4eITw/Ti19K0ZqZfI/AAAAAAAAAGM/n2rjAYWeRII/s1600/SAM_0479%2Ba.jpg"&gt;&lt;/a&gt;a Filho parte e não se ausenta. Para nós que ainda vivemos, nos resta lembrar na memória os gestos, a voz, a grandeza, o amor à terra e ao povo, a confiança no futuro, a fome de justiça e de liberdade, através das lutas sociais.&lt;br /&gt;Não sacrificaremos um só traço, pois em tudo nós o amamos com saudade.&lt;br /&gt;O homem extraordinário também é composto de força e de fraqueza, de acertos e de equívocos, de claridade e sombras.&lt;br /&gt;Hegel dizia: “a luz, afirmam, é ausência de trevas, mas, na pura luz se vê tão pouco, quanto na pura escuridão”.&lt;br /&gt;Descansa em paz, ROBERTO, às sombras dos pinheirais deste teu adotivo Paraná.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oeA_AjzeN_4/Ti1_CufZ3HI/AAAAAAAAAGc/PeDqR1rpN84/s1600/854%2Ba.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tão lindas palavras, não é o cheiro de morte que nos fica, quando nos encontramos com Lyra Filho, é o desejo de vida com dignidade esboçado na poesia de Noel Delamare que se arrasta e se arrisca na aventura do tempo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 14px; "&gt;Envio&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WgKgdU2nb_E/Ti2DUfBy9FI/AAAAAAAAAGs/86vELyo0w6A/s1600/849aa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633303096860013650" src="http://3.bp.blogspot.com/-WgKgdU2nb_E/Ti2DUfBy9FI/AAAAAAAAAGs/86vELyo0w6A/s200/849aa.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 146px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; width: 200px; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não me lamento, porque canto,&lt;br /&gt;Faço do canto manifesto.&lt;br /&gt;Sequei as águas do meu pranto&lt;br /&gt;Nos bronzes fortes do protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acuso a puta sociedade,&lt;br /&gt;Com seus patrões, seus preconceitos.&lt;br /&gt;O teto, o pão, a liberdade&lt;br /&gt;Não são favores, são direitos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5183943151444521813?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5183943151444521813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5183943151444521813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5183943151444521813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5183943151444521813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2011/08/rosas-vermelhas-intensidade-de-lyra.html' title='Rosas vermelhas à intensidade de Lyra Filho'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wCxkCatt8W0/Ti2EE3OeQjI/AAAAAAAAAG0/gLe43NNb-zU/s72-c/IMG_0032%2Ba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-2539727199726118550</id><published>2010-12-12T17:31:00.001-03:00</published><updated>2010-12-12T17:31:54.543-03:00</updated><title type='text'>Pode a universidade não ser amancipatória?</title><content type='html'>Em meio a esta pergunta, muitas pensadoras e muitos pensadores têm construído as bases teóricas e práticas para tornar a universidade um espaço autêntico de emancipação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o tema, cuja abordagem lança novas perguntas e desafios teóricos para se pensar a educação superior e suas condições de libertação, indica-se o acesso a:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://odireitoachadonarua.blogspot.com/2010/12/pode-universidade-nao-ser-emancipatoria.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-2539727199726118550?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/2539727199726118550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=2539727199726118550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2539727199726118550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2539727199726118550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/12/pode-universidade-nao-ser-amancipatoria.html' title='Pode a universidade não ser amancipatória?'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1265411786390639520</id><published>2010-09-23T11:30:00.000-03:00</published><updated>2010-09-23T11:31:01.590-03:00</updated><title type='text'>DÚVIDA INSANÁVEL: COMO DEVE SER PARA UM MINISTRO DO STF CONVIVER COM O PODER DE MUDAR A HISTÓRIA E A CULPA DE NÃO TÊ-LO FEITO?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José Humberto de Góes Junior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ano e num futuro bem próximo, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentará temas muito importantes para o Brasil. Na configuração da justiça brasileira implantada pela Emenda Constitucional nº 45 e no estágio atual da luta por direitos e por justiça, que faz resvalar nas Cortes problemas sociais historicamente negados às instituições públicas brasileiras, serão temas que exigirão do Judiciário, pela primeira vez, tomar assento, como parte, nas discussões sobre os problemas nacionais; assumir sua responsabilidade ética e constitucional no processo de superação das desigualdades e das opressões, ocasionadas pelo patrimonialismo, pelo patriarcalismo, por conseguinte, pela corrupção endêmica, que ainda povoa nossa realidade nacional.&lt;br /&gt;Em outras palavras, terá o STF a chance de, percebendo-se co-responsável pelos problemas brasileiros, bem como, seus Ministros e Ministras, devolvendo-se a si mesmos e a si mesmas a condição de cidadãos ativos e cidadãs ativas, realizar ou de contribuir decisivamente para a realização do art. 3º da Constituição Federal de 1988. Poderão ser co-partícipes do processo de promoção do desenvolvimento nacional, da erradicação da pobreza e das formas de marginalização, de discriminação e preconceito; poderão, acima de tudo, contribuir para a construção do bem de todas as pessoas e da justiça social.&lt;br /&gt;Mais de 20 anos após iniciada a luta do povo brasileiro pela democratização do país e pela configuração de um Estado que se voltasse à realização de direitos dos oprimidos e explorados, grandes temas silenciados na história pelo autoritarismo começam a ser enfrentados.&lt;br /&gt;O passado precisa mesmo ser revolvido para construirmos o futuro com justiça.&lt;br /&gt;Iniciamos a nossa terapia enquanto povo. Foi longo o caminho, mas estamos reconhecendo as nossas angústias sociais, os nossos traumas. Em alguns casos, já demos respostas satisfatórias no processo de construção do futuro (demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol); em outros, devido aos medos que ainda pairam sobre nós, não fomos fortes o suficiente para enfrentá-los. É o que ocorreu, por exemplo, com o julgamento da constitucionalidade da Lei de Anistia, evitando que houvesse um passo adiante na superação da tortura e da violência como elementos centrais da ação estatal em face do povo brasileiro.&lt;br /&gt;Outros temas, como as cotas raciais nas universidades, a intervenção terapêutica em mulheres portadoras de fetos anencéfalos, a união homoafetiva, a transposição do Rio São Francisco, estão próximos de serem enfrentados.&lt;br /&gt;Hoje, dia 22 de setembro de 2010, mais uma do que um julgamento técnico, porque este revela as posturas e as compreensões de mundo que carregamos conosco, o STF tem a possibilidade de escolher seu lado. Assumir sua responsabilidade ética, ao lado do povo, na construção efetiva da democracia ou ficar contra o povo devolvendo para o palco das eleições pessoas que reconhecidamente sempre atuaram em desfavor do Brasil.&lt;br /&gt;É exatamente a escolha de lado o que representa o julgamento de Joaquim Roriz. É a escolha entre estar “deitado em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo” (ou, no máximo, manter-se à janela, em dia de parada, enquanto passa o grito dos excluídos) e pegar, junto com o povo, as ferramentas, os blocos e o cimento para começar a construir uma sólida casa para o abrigo da democracia.&lt;br /&gt;Num campo mais estrito, o STF terá que escolher entre negar o passado, fazendo surgir a alvura da “ficha” de Roriz e de muitos outros que concorrem no pleito de 2010, e afirmar que Roriz e outras dezenas de candidatos e candidatas não atendem aos critérios de moralidade que mais de 2.000.000 (dois milhões) de pessoas apresentaram para votação no Congresso Nacional, atendendo todos os critérios constitucionais de proposição legislativa.&lt;br /&gt;O certo é que, se perder a chance de decidir em favor do povo, como perdeu no julgamento da Lei de Anistia, o STF e seus Ministros e Ministras estarão, mais uma vez, aditando elementos para o seu próprio julgamento na história desse país.&lt;br /&gt;Além disso, aqueles e aquelas que votarem pela ética de Roriz e dos outros que serão julgados com ele hoje terão que conviver com a responsabilidade de terem optado pela não-democratização do Brasil e, pior, de terem votado em favor corrupção, do desrespeito e da violência, contra o povo brasileiro. Afinal, não deve ser fácil saber que teve o poder e a chance para mudar a história de um país inteiro e optou por não tomar a decisão necessária para tanto.&lt;br /&gt;Quem pensem nisso os Senhores Ministros e as Senhoras Ministras antes de dizerem não ao povo brasileiro! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1265411786390639520?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1265411786390639520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1265411786390639520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1265411786390639520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1265411786390639520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/09/duvida-insanavel-como-deve-ser-para-um.html' title='DÚVIDA INSANÁVEL: COMO DEVE SER PARA UM MINISTRO DO STF CONVIVER COM O PODER DE MUDAR A HISTÓRIA E A CULPA DE NÃO TÊ-LO FEITO?'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-560417584689709388</id><published>2010-09-14T20:54:00.002-03:00</published><updated>2010-09-14T20:56:23.053-03:00</updated><title type='text'>EDITORIAL DE DOMINGO: É PRECISO PARAR PARA PENSAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José Humberto de Góes Junior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O editorial do Correio Braziliense deste domingo, dia 12 de setembro de 2010, ao abordar a greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade de Brasília, faz uma relação direta do movimento reivindicativo com a possibilidade e mesmo com a emergência concreta de prejuízos à sociedade, sobretudo, quanto à continuidade de pesquisas desenvolvidas pela Instituição em áreas importantes do conhecimento científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo, como afirma o texto referido, que a UnB é uma das mais importantes instituições superiores de educação (o que deve sempre incluir a atividade de pesquisa) do Brasil e não pode ficar parada. Suas atividades de excelência, por isso mesmo, sua capacidade de irradiar conhecimentos sobre outras regiões deste país e do mundo, não podem ser comprometidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Universidade se faz da ação empenhada de sua comunidade, professores, estudantes e técnicos. São estes os responsáveis pela grandeza dos trabalhos que a Universidade Pública brasileira ainda, apesar das dificuldades, da omissão de governos, dos baixos orçamentos, em muitos casos, consegue manter em favor da sociedade. Se a UnB é grande é porque sua comunidade a faz grande. É o compromisso de seus docentes, técnicos e estudantes que a torna importante polo nacional, internacional e local de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao esquivar-se, deliberadamente, de discutir o mérito da greve dos técnico-administrativos, ou seja, o corte determinado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, MPOG, do Governo Federal, de 26,05%, mais de ¼, dos salários dos servidores, o Correio deixou de pontuar um dos temas mais importantes para a garantia da qualidade da educação da UnB e da Universidade Pública brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, às greves de servidores públicos são opostos discursos de prejuízos sociais e interrupção de serviços à comunidade. De verdade, estes existem, mas não são maiores do que aqueles causados pela omissão do Poder Público, pelo desprestígio dos governos em relação à educação, por funcionários mal-remunerados, prestando serviços precários à população. Além disso, em tempos de aumentos salariais escassos, reduzidos a margens percentuais abaixo de 10%, uma perda de 26,05% é extremamente significativa. Inegavelmente, pode comprometer a sobrevivência de famílias inteiras. Colocando-se no lugar das pessoas que sofrem um dano dessa magnitude, é possível entender que há razão para a manifestação dos técnicos da UnB através da greve. Qualquer trabalhador faria o mesmo para evitar que a sua sobrevivência e que a sua condição de dignidade na relação laboral fosse prejudicada.&lt;br /&gt;Neste caso, culpar os servidores pelas dificuldades que a UnB acaso enfrenta ou pelos prejuízos em tese que a sociedade pode estar sofrendo, seria, no mínimo, transferir a responsabilidade do Governo Federal para aqueles que, com o seu trabalho, ajudam a mover, apesar dos obstáculos causados à educação, a UnB. Em outras palavras, seria exigir que os servidores assumissem, com o seu sacrifício e de sua família, a responsabilidade pela qualidade da educação, como parece insinuar o editorial do Correio deste domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício do direito de greve pelos servidores técnico-administrativos da UnB é legítimo. Como reconheceu também o Judiciário, a greve hoje instaurada na Universidade também é legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da mesa de negociação instalada na instituição, não está ao alcance da gestão universitária dar uma solução definitiva para as reivindicações dos servidores da UnB. De fato, negociar localmente resultou na continuidade dos serviços do Restaurante; da Biblioteca Central; das atividades de ensino, pesquisa e extensão; na realização de encontros estudantis com mais de 2.000 pessoas vindas de diversas partes do Brasil, como foi o caso Encontro Nacional de Estudantes de Direito; e promoção de outros importantes eventos, como o Seminário sobre a Federalização de Crimes contra os Direitos Humanos, realizado no dia 08 de setembro com a presença de importantes juristas brasileiros e do Ministro Paulo Vanucchi, e do Encontro Anual da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direitos Humanos, que acontecerá no final dessa semana. Mas, por se tratar de redução salarial determinada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e não especificamente pela UnB, caberia ao Ministério a responsabilidade de solucionar o problema gerado por sua ação desmedida, e, em caso de omissão, ao Judiciário, por ter sido a demanda judicializada e a greve considerada legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a UnB não pode parar, interessante que a dignidade dos servidores fosse respeitada, que a íntegra de sua remuneração fosse mantida e que os governos se comprometessem efetivamente com a educação, direito de todos e dever do estado, conforme afirma a Constituição Federal de 1988. Isso, de fato, evitaria prejuízo à sociedade, pois teria pessoas respeitadas para seguirem mobilizando a pesquisa, o ensino, a extensão e, em outros termos, para produzirem conhecimentos capazes de corresponder aos reais interesses da sociedade brasileira. Afinal, como diria Darcy Ribeiro, fundador da UnB, esta universidade foi fundada para pensar mecanismos de desenvolvimento econômico, político, social, cultural, artístico, para o Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-560417584689709388?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/560417584689709388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=560417584689709388' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/560417584689709388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/560417584689709388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/09/editorial-de-domingo-e-preciso-parar.html' title='EDITORIAL DE DOMINGO: É PRECISO PARAR PARA PENSAR'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3402634080979569426</id><published>2010-07-25T15:05:00.003-03:00</published><updated>2010-07-25T15:08:08.042-03:00</updated><title type='text'>O homem da "casa" de papelão - Direito da indiferença</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000099;"&gt;Por anos, às portas da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, na esquina das Ruas Merlon de Morais com a Senador Pompeu, uma “casa” de papelão abrigou um homem.&lt;br /&gt;A indiferença, apesar do tempo de compartilhamento do espaço, impediu que se conhecesse seu nome, de onde vinha, por que estava ali, ou mesmo, na falta de ações elementares como as anteriores, que se promovesse qualquer intervenção transformadora na vida dessa pessoa com que se convivia sem vê-la.&lt;br /&gt;Por isso, também o homem da casa de papelão morreu sem ser percebido. Somente depois de algum tempo os integrantes da comunidade acadêmica da escola de direito da UFC notaram a falta de sua “casa” na esquina.&lt;br /&gt;Ironicamente, uma faculdade de direito pôde conviver longamente com a falta de direitos sem se sentir responsável por isso. Mas, não são poucas as faculdades de direito que, negando-se a repensar as bases em que estruturam a educação que são capazes de prestar, eximem-se da responsabilidade de interferir nos problemas sociais e de formar pessoas capazes de realizar, promover e defender direitos humanos.&lt;br /&gt;Sob o signo da neutralidade e da arrogância teórica, sustenta-se certa forma de educar, através de que se reforça e se propaga o direito da indiferença. Mas também, erguem-se muros, nem sempre visíveis, embora reais, que separam estudantes, professores e professoras da realidade, mesmo que esta esteja inegavelmente muito próxima.&lt;br /&gt;Pensar o direito como legítima organização social da liberdade, à Lyra Filho, exige decerto uma virada epistemológica que não coaduna com a compreensão estabelecida no modelo central de ensino jurídico que se propaga pelo Brasil. Impõe que sejam revistas concepções e que se avaliem as condições de elaboração do pensamento hegemônico para vencer o conjunto de crenças e métodos cognitivos que impedem de se instalar nos ambientes de formação jurídica uma compreensão de que o direito nasce no seio de uma sociedade conflituosa, não-harmônica, ou seja, nasce na rua, no calor das lutas e das reivindicações sociais, e se destina a uma eterna e dialética busca da justiça, cujo conteúdo se delineia também no universo cultural, político e histórico, sem um a priori pré-definido, construído e atualizado no tempo e no processo mesmo de sua busca/realização na dinâmica da sociedade. Portanto, não é fruto exclusivo do poder político do Estado, não se reduz à expressão normativo/legalista, não se basta no espaço institucional que é, a um só tempo, criatura e criador da própria lei. E, acima de tudo, não é neutro. Estabelece um compromisso inevitável com a emancipação humana; não admitindo sua dicotomia em relação aos direitos humanos, porque só existe autenticamente enquanto elemento de superação de todas as formas de opressão.&lt;br /&gt;Ainda, no seio dessa virada epistemológica, em que o direito se mostra complexamente no campo da eticidade, colocando-se inseparavelmente como forma de pensamento, realização e difusão de uma perspectiva libertadora, não eurocêntrica e colonialista, de direitos humanos, deslegitima-se o discurso da desigualdade e do desrespeito como problemas individuais; passa a ser fundamental eliminar a indiferença e a omissão como comportamento face aos problemas sociais e, o compromisso com a transformação da realidade de injustiças e vulnerabilidade social à violação de direitos se transforma no centro do universo de estudantes, educadoras, educadores e outros profissionais de direito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3402634080979569426?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3402634080979569426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3402634080979569426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3402634080979569426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3402634080979569426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/07/o-homem-da-casa-de-papelao-direito-da.html' title='O homem da &quot;casa&quot; de papelão - Direito da indiferença'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3017594395802715970</id><published>2010-02-04T10:18:00.000-03:00</published><updated>2010-02-04T10:19:02.162-03:00</updated><title type='text'>Globo, BBB10 e LGBT's - o Mito</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Lia na lista de e-mails da Rede Nacional de Assessoria Jurídica uma mensagem que se intitulava “Globo, BBB10 e LGBT’s”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;A matéria, retirada pelo seu transmissor do sítio eletrônico: &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color:#4A234A"&gt;&lt;a href="http://gay.com.br/%202010/01/06/%20big-brother-brasil-arco-iris/"&gt;http: //gay.com.br/ 2010/01/06/ b&lt;wbr style="text-indent:0in"&gt;ig-brother-brasil -arco -iris/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;iniciava com a seguinte afirmação:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Apesar de todas as críticas que podemos tecer contra a Globo quando o assunto é homofobia, a última edição do BBB 10 traz uma "drag queen", um gay e uma lésbica assumidos, além da "simpatizante" Elenita (dona da comu "Homofobia Já Era", do Orkut - a maior referência orkutiana no combate à homofobia), uma defensora intransigente dos direitos dos LGBT's.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color:#4A234A"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Além disso, mais adiante, para iniciar sua defesa da atitude da Rede Globo e enobrecer a participação de pessoas homossexuais num dos programas de maior audiência da TV brasileira, em letras garrafais, sub-titulava a matéria com a frase “Big Brother Brasil Arco-íris”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;De fato, como diz Galeano, estamos mesmo vivendo “De pernas pro ar – uma escola do mundo ao avesso”. Vivemos efetivamente &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt; font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black"&gt;um momento de inversão de valores e, às vezes, não nos damos conta disso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Observando que na sociedade de consumo tudo se transforma em coisa a ser consumida; observando que a TV é uma grande parceira na construção de um modelo de sociedade que reduz as pessoas a coisas; observando que o Big Brother Brasil é uma das formas mais sofisticadas de violência que se vê na TV brasileira, porque trata todos como peças, como objetos de um comandante que expõe os corpos, que faz expor nas pessoas a sua raiva, o seu desejo, que planta emoções conforme a dominação e manipulação de situações, que se estabelece de certo modo sobre o outro com um “biopoder”, como diria Foucault, eu não seria tão romântico na análise sobre a participação LGBT no BBB10.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Ao contrário de tudo o que foi dito, depois de transformar e reforçar a imagem de homens e mulheres heterossexuais em objeto, agora é a hora e vez das pessoas homossexuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;É certo que conhecer e ver é um bom mecanismo para respeitar, mas ninguém é respeitado sendo tratado e mostrado como objeto da sanha ardente de uma TV que, em nome do lucro, transforma tudo,como num toque de Midas, em algo a ser, somente em tese, apreciado. Digo somente em tese, porque não ajuda a discutir o modelo de sociedade e o lugar que cada pessoa, com as suas peculiaridades, tem nessa sociedade de origem patriarcal, patrimonialista, clientelista, paternalista, voluntarista, fundada na violência contra a diferença.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Vejo que é preciso cuidado por parte daqueles e daquelas que deixam os olhos brilharem com o menor sinal de respeito aos direitos humanos. Até mesmo quando se trata de um sinal que indica exatamente o contrário do que parece indicar. Quem sempre viola e propaga a violação de direitos humanos não passa de uma hora para outra à condição de defensor de direitos humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Das boas intenções, quase sempre, há que se desconfiar. "De boas intenções, o inferno está cheio".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3017594395802715970?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3017594395802715970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3017594395802715970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3017594395802715970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3017594395802715970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/02/globo-bbb10-e-lgbts-o-mito.html' title='Globo, BBB10 e LGBT&apos;s - o Mito'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6158482436654550915</id><published>2010-01-19T11:20:00.000-03:00</published><updated>2010-01-19T11:21:14.157-03:00</updated><title type='text'>PNDH 3: Por que mudar? - Revista Carta Maior</title><content type='html'>Matéria da Editoria:&lt;br /&gt;Política&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/01/2010 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PNDH 3: Por que mudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está posto como desafio não é mudar o PNDH. O que está posto como desafio é tomar o PNDH como instrumento para mudar a sociedade, para aguçar ainda mais os compromissos democráticos com a participação, com a justiça, com a liberdade – com a realização dos direitos humanos. Por isso, o que está previsto no PNDH 3 precisa, com urgência, se tornar efetividade, a fim de que os direitos humanos sejam conteúdo substantivo na vida cotidiana de cada pessoa. O artigo é de Paulo César Carbonari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo César Carbonari&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Data: 15/01/2010 &lt;br /&gt;Nas últimas semanas direitos humanos tornou-se uma das principais pautas da imprensa. Particularmente, o novo Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), lançado pelo governo federal no dia 21 de dezembro de 2009, tem sido objeto de atenção. Por incrível, “nunca antes na história deste país” um programa governamental de direitos humanos ganhou tanta atenção, provocou tanto debate. Isto é ótimo, afinal direitos humanos passam a ganhar a atenção que merecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reações ao PNDH 3 começaram nos setores militares. A elas se seguiram as dos ruralistas, dos donos da imprensa, de grupos católicos. O que há de comum a todas estas reações é que vêm orientadas por inspiração conservadora e reativa. Não são estranhas. Estas inspirações historicamente tem sido refratárias aos avanços exigidos pelos direitos humanos. Estão longe de qualquer tipo de unanimidade. Até porque, vários setores democráticos têm dito que o PNDH 3 representa um avanço ao ter uma compreensão ampla e contemporânea de direitos humanos e por trazer para o campo programático das políticas públicas um tema que ainda está mais no campo normativo e jurídico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dissensos servem para que a opinião pública conheça as várias posições sobre direitos humanos que estão na sociedade. Dissensos são ótimos porque abrem o debate, cobram posicionamentos. Não fossem os dissensos não haveria democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tema em particular merece atenção: a polêmica sobre a criação da Comissão da Verdade. Não é novidade que setores militares e seus apoiadores entre os donos do dinheiro e do poder sejam contra revelar à sociedade brasileira o que ocorreu nos porões da ditadura. Nunca concordaram em colaborar para que a memória pudesse ser construída como bem público e que para tal pudesse contar com informações e com posicionamentos alternativos. Em nome de manter a memória dos próceres do autoritarismo, sempre se esmeraram para preservar a memória dos que promoveram o arbítrio e as violações de direitos e, para esconder – e até apagar – a memória dos que lhes resistiram e que lançaram as sementes da democracia. Sempre fugiram da verdade, ou melhor, sempre quiseram que somente sua própria verdade prevalecesse; que nenhuma verdade alternativa à que se agarram pudesse ser construída pela sociedade. Sua postura não é diferente daquela dos donos do poder e do dinheiro de outras épocas também autoritárias e opressoras de nossa história e que foram responsáveis pela eliminação dos povos indígenas, pela escravidão e por outras formas de autoritarismo de Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, ao propor a criação de uma Comissão da Verdade, o PNDH compromete o Estado brasileiro com o encaminhamento de condições para que a sociedade possa abrir espaço para que outras vozes – aquelas que foram caladas historicamente – digam a sua verdade. Como bem público, a memória e a verdade não são propriedade de uns ou de outros, mas também não estão descoladas dos contextos e dos agentes que as constroem. Por isso, que seja bem-vinda a Comissão da Verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em linhas gerais, o debate sobre o PNDH revela ao menos duas vertentes fortes na compreensão de direitos humanos: de um lado, os que aceitam os direitos humanos, quando os aceitam, mas apenas para si próprios ou para proteger seus privilegiados interesses privados e privatistas; de outro, os que compreendem direitos humanos como conteúdo substantivo da luta cotidiana para que cada pessoa possa ser o que quer ser e não como uns ou outros gostariam que fosse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo do debate, os brasileiros e as brasileiras comuns, as pessoas simples, que ainda não se reconhecem nos direitos humanos, até porque historicamente foram desinformadas a respeito ou informadas para que não os tomassem como bandeiras de resistência e de luta e nunca pretendessem aparecer nem mesmo dizer o que pensam. No fundo, as mesmas pessoas simples, no cotidiano de sua resistência à desigualdade, à opressão, à discriminação, à injustiça, à violência, também veem nos direitos humanos uma agenda que as inclui e as reconhece como sujeitos de direitos, sem mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se o debate revela compreensões tão distintas de direitos humanos, não há como passar por ele sem posicionamento, sem que sejam feitas escolhas. Cada brasileiro e cada brasileira está chamado a responder ao debate. Os brasileiros e as brasileiras que estão em posição de poder têm mais responsabilidade ainda. Ou seja, o momento exige que o governo, de modo particular o presidente Lula, tenha posição firme e clara. Não basta amainar os mais emocionados. É necessário que o governo seja coerente com os compromissos a que tem que responder. Aliás, ao publicar o PNDH 3 o governo fez escolhas, assumiu posição. O que justificaria que viesse a mudá-las? Por que abriria mão de se alinhar aos setores mais comprometidos com uma visão contemporânea e pública dos direitos humanos para atender a interesses privados? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom que o Presidente não atendeu aos apelos por mudanças pautadas por interesses privados. Que bom que a resposta a todo o “alvoroço conservador” tenha sido instituir o grupo de trabalho responsável pela elaboração da legislação que o governo enviará ao Congresso a fim de instituir a Comissão da Verdade [conforme Decreto assinado no dia 13 de janeiro]. Que se possa estabelecer um debate para sobre o que será a Comissão da Verdade é já, por si, uma vitória – mesmo que parcial – da luta por direitos humanos. Claro que ainda há muito caminho a ser percorrido, o projeto de lei precisa ser elaborado, o Congresso o analisará e o votará. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, fortalece-se formalmente, com este ato, a agenda concreta de luta pelo direito humano à memória e à verdade. Lamentavelmente, num primeiro momento com pouca participação da sociedade civil, já que o Decreto que constitui o grupo de trabalho prevê a participação de apenas um membro que não seja de órgão governamental – e o que é da sociedade civil é indicado por um órgão governamental, a Comissão de Mortos e Desaparecidos. Isto, todavia, não vai inibir e nem inviabilizar a participação da sociedade civil neste processo. Antes, é um motivo a mais para que seja vigilante e que exerça seu papel legítimo de pressão, de proposição e de cobrança. Tenho certeza que as organizações de direitos humanos estarão alerta e promoverão ampla campanha de mobilização da sociedade para que a Comissão da Verdade não seja só um acordo para “selar a paz” no governo e sim para que ela efetivamente seja concretizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que está posto como desafio não é mudar o PNDH. O que está posto como desafio é tomar o PNDH como instrumento para mudar a sociedade, para aguçar ainda mais os compromissos democráticos com a participação, com a justiça, com a liberdade – com a realização dos direitos humanos. Por isso, o que está previsto no PNDH 3 precisa, com urgência, se tornar efetividade, a fim de que os direitos humanos sejam conteúdo substantivo na vida cotidiana de cada pessoa. Este é o sentido do PNDH; esta é a principal mudança que esperamos ele ajude a promover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Mestre e professor de filosofia no Instituto Berthier (IFIBE, Passo Fundo, RS) e conselheiro nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6158482436654550915?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6158482436654550915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6158482436654550915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6158482436654550915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6158482436654550915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/01/pndh-3-por-que-mudar-revista-carta.html' title='PNDH 3: Por que mudar? - Revista Carta Maior'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3632991151102461004</id><published>2010-01-17T00:35:00.000-03:00</published><updated>2010-01-17T00:38:02.012-03:00</updated><title type='text'>O FETICHE DA TV: PARADOXOS DAS DISCUSSÕES SOBRE CONTEÚDO E INTERATIVIDADE.</title><content type='html'>José Humberto de Góes Junior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, no bojo dos debates acerca Programa Nacional de Direitos Humanos3 – PNDH3, lançado pelo Governo Federal ainda em dezembro de 2009, observava o teor das discussões movidas em torno da comunicação social, mais especificamente, do direito à comunicação, e percebia que, embora o PNDH3 ataque corajosamente pela primeira vez os fatores de promoção da desigualdade e da negação da diferença na sociedade brasileira, o foco central da contenda ideológica parece ser a preocupação do Programa com o conteúdo transmitido por meios de comunicação de massa como a televisão.&lt;br /&gt;É certo que, por não termos cuidado devidamente ao longo dos anos de existência deste elemento da comunicação que possui maior capacidade de produzir subjetividade, é legítimo que as pessoas e o governo assumam os conteúdos transmitidos pela TV como um importante componente quando se trata de pensar mecanismos de construção de uma cultura de respeito aos direitos humanos.&lt;br /&gt;Afinal, a TV está em quase todos os lares brasileiros e, ao fazer uso de técnicas de linguagem, que aliam abordagens lúdicas com de imagens, sons e textos para criar contextos, trabalha com a fantasia, ativa os sentidos, provoca a sensação de viver em tempo real experiências alheias como pertencentes ao/à espectador/a. A TV adota, reelabora e apresenta um mundo que, em cada um/a de nós, pode invocar a esfera dos desejos, das rejeições, dos símbolos, das representações sociais, dos valores, e, por conseguinte, guarda a condição de (re)produtora de uma moral, de um modo de viver. E, isso, por si só, já torna fundamental observar com mais acuidade o conteúdo televisivo.&lt;br /&gt;Sendo a televisão um meio de comunicação concentrado, não podemos deixar de perceber que é igualmente privatizado e privativo a certos grupos e interesses. Sua moral, suas compreensões de mundo, as ideias que propaga como noções universais, revelam-se como significantes particulares, localizados, espacialmente, em determinados centros de elaboração e, ideologicamente, no seio de grupos minoritários, que dependem da ventilação de conceitos específicos através da grade de programação para a garantia das estruturas de poder em que estão assentados. O que torna ainda mais relevante discutir o conteúdo transmitido pela televisão e sua capacidade de formar uma sociedade voltada a uma democracia efetiva, com promoção e defesa de direitos humanos.&lt;br /&gt;Em paralelo a esse debate concernente à programação e aos discursos que direta ou indiretamente aí se implementam, ocorre também em certos canais de TV discussões sobre o modelo de TV digital que ora se implanta no Brasil. Especialistas, a figura do momento nos meios de comunicação, concentram-se no que chamam de interatividade para descrever a relação que as pessoas têm com o aparelho de TV. À possibilidade de apenas escolhermos entre programas propostos em um menu determinado, chamam pseudo-interatividade; à participação em enquetes, pesquisas, votações em reality shows, seja pelo telefone ou pela internet, chamam interatividade simples; e, por último, a possibilidade de usar o aparelho de TV para, por exemplo, marcar consultas no Sistema Único de Saúde, para acessar o correio eletrônico, para pedir uma pizza, para conversar com os apresentadores e apresentadoras de TV, entre outras coisas, intitulam de interatividade plena. É esta que se defende como instrumento de exercício da democracia através da televisão digital. &lt;br /&gt;Sem querer desqualificar os debates sobre o conteúdo da programação dos canais de TV e sua necessária aproximação do caráter educativo e ainda sobre o uso de novas tecnologias para a televisão, não podemos esquecer que a tentativa de evitar a concentração das ideias e das decisões sobre o formato da comunicação social brasileira, que movimenta as discussões, será vazia se uma preocupação anterior for abandonada.&lt;br /&gt;Em quaisquer dos casos, para sabermos que rumos tomar, é preciso entender qual o lugar que ocupa e qual o lugar que queremos dar à televisão na sociedade brasileira; que papel tem a TV e qual é aquele que queremos tenha; por que ocupa o centro da casa das pessoas, dos lares, das famílias; por que a TV é o objeto em torno do qual as famílias se reúnem, as pessoas sufocam a solidão; por que se tornou o parâmetro de avaliação e de existência dos acontecimentos; quais são os discursos que sustentam esta centralidade da TV e se a criação de mais elementos para que as pessoas se postem diante do aparelho de televisão não contribui ainda mais para o fortalecimento do fetiche da TV. &lt;br /&gt;Dialogar e pôr em destaque estes temas pode impedir que, mais uma vez, fiquemos reféns do botão do controle remoto, que criemos ainda mais mecanismos para colocarmos nossas vidas à disposição do aparelho de TV, por conseguinte, à disposição de discursos que nos enclausuram em nossas casas diante da televisão com o pretexto de nos proteger da violência, que professam o individualismo e o isolamento dos/as integrantes da família, que promovem os valores da sociedade de consumo, que nos tiram do espaço de reivindicação da rua e reduz a democracia à escolha do canal de TV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3632991151102461004?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3632991151102461004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3632991151102461004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3632991151102461004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3632991151102461004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2010/01/o-fetiche-da-tv-paradoxos-das.html' title='O FETICHE DA TV: PARADOXOS DAS DISCUSSÕES SOBRE CONTEÚDO E INTERATIVIDADE.'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3346807672362267627</id><published>2009-04-08T11:30:00.000-03:00</published><updated>2009-04-08T11:35:24.139-03:00</updated><title type='text'>DE VÍSCERAS À MOSTRA E ARROGÂNCIA ESTAMPADA - O CASO DO ABORTO E A EXCOMUNHÃO PROMOVIDA PELO BISPO DO RECIFE</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000066;"&gt;Desde a primeira semana do mês de março, uma notícia vem repercutindo nos jornais e telejornais do Brasil. Fala-se, evidentemente, da excomunhão da equipe médica pernambucana e da família da menina de 9 (nove) anos de idade que foi submetida a um aborto, entre os dias 03 e 04 de março, em uma maternidade pública do Recife, para a retirada de dois fetos concebidos através de  estupro praticado pelo padrasto.&lt;br /&gt;Em entrevista, Dom José Cardoso Sobrinho, bispo de Olinda e Recife, autor da excomunhão, afirmou, em meio às suas palavras, que a “lei dos homens” não está acima da “lei de Deus”, portanto, não pode ser referência argumentativa para justificar a prática do aborto. Em outros termos, nada poderia justificar a interrupção de uma gravidez, ainda que suas condições de origem e manutenção, neste caso, o abuso sexual e o risco à vida da criança gestante, existissem.&lt;br /&gt;Comandada por um dos seus integrantes mais conservadores (o Papa Ratzinger), a cúpula da Igreja Católica apoiou a decisão tomada por sua autoridade local, em Recife.&lt;br /&gt;Embora, aparentemente, a maioria da população, que é católica, tenha se posicionado de forma contrária à postura da Igreja, é preciso ainda analisar o caso concreto, a fala do Bispo, a relação que a excomunhão estabelece com a necessidade de manutenção de poder da Igreja para trazer à discussão alguns elementos fundamentais que ajudam a repensar o vínculo entre a fé católica e o mundo.&lt;br /&gt;Primeiro, em uma sociedade hierarquizada, desigual, injusta, baseada na cultura do “jeitinho” e do favorecimento pessoal que a retro-alimenta, os pobres só podem ter como sua esperança transformadora, como mola propulsora de suas vidas, como fonte de sua dignidade, a existência de Deus. É Deus que se transforma em medida de justiça, na vontade de superar a impotência instalada pela ordem quase intransponível de coisas. É Deus que promove a igualdade em valor de todas as pessoas, segundo dizem, através de sua infinita bondade, sabedoria e compaixão. Por isso, esperam alcançar a outra vida para encontrar-se com Deus e com o paraíso que um dia foi negado no mundo real.&lt;br /&gt;Comumente, ouvem-se expressões tais como:&lt;br /&gt;– Se não somos iguais neste mundo, somos iguais perante Deus. Diante Dele, somos irmãos.&lt;br /&gt;– Espero em Deus esse sofrimento um dia acabar.&lt;br /&gt;– Não podemos com essa situação agora (referindo-se a um momento de impotência), mas Deus pode. Um dia essa injustiça vai acabar. Vamos encontrar com Deus e seremos felizes.&lt;br /&gt;É certo que muitas dessas frases foram plantadas pela própria Igreja para justificar sua existência e a intermediação que fazia entre Deus e as pessoas. Mas, hoje, ela povoa o imaginário popular, sobretudo, o imaginário do povo mais humilde, como expressão de sua esperança, como força motriz, e, esta força é a única coisa que possuem.&lt;br /&gt;Segundo elemento, o termo comunhão significa abraço, ligação, que se faz, segundo a fé, através do mundo íntimo-espiritual entre cada um e cada uma com Deus. Compreendendo que a Igreja, embora se diga como o meio exclusivo para esse vínculo, se Deus existir, não é a única intermediária entre Ele e os seres humanos. Poderia até ser uma intermediária, mas nunca a única. Pois, se, como dizem, Deus está em todos os lugares, inclusive no coração das pessoas, esta ligação também se faz individual e diretamente, sem participação de terceira pessoa. Essa participação, muitas vezes, é o que pode causar “ruídos” na comunicação entre Deus e as pessoas, do mesmo modo como ocorre no universo comunicacional corriqueiro quando promovido através de intervenientes.&lt;br /&gt;Terceiro elemento, se Deus existir, por um lado, Ele é tão grandioso, com efeito, tão complexo, que qualquer visão sobre sua existência seria sempre uma visão parcial de Deus. Sua apreensão completa, até porque é algo abstrato, invisível, ou seja, é algo ou alguém com quem não se pode conviver cotidianamente no mundo físico, que se materializa tão-somente na fé das pessoas, seria incognoscível, ou seja, nenhum conhecimento teológico seria bastante para elaborar uma tese perfeita sobre Deus. Por conseguinte, qualquer interpretação de sua vontade, de sua forma, de suas determinações, se é que estas existem, será sempre parcial, quem sabe, uma imposição unilateral de um ponto de vista também particular de Deus.&lt;br /&gt;Sob este prisma, quando o Bispo, para justificar sua (des)medida, invoca a superioridade da “lei de Deus” sobre a “lei dos homens”, além de descartar, evidentemente, a possibilidade de Deus ter sido criado, em suas diversas nuances, no oriente e no ocidente, pela incapacidade humana de explicar certas circunstâncias da vida, de pronto vem à mente algumas perguntas inevitáveis: a) se toda visão de Deus é uma visão parcial, quem diz ou quem tem o poder de dizer a “lei de Deus”? b) quem atribuiu a Igreja o poder de dizer o que Deus pensa e quais as obrigações “legais” que determina para as pessoas? c) como são transmitidas as “leis de Deus” e sob que fundamento a Igreja justifica a sua condição de falar em nome de Deus para punir, para castigar, para perdoar, para ligar os seres humanos com a divindade? d) em nome de que a Igreja usa o seu modo de pensar sobre Deus como único?&lt;br /&gt;Se Deus é percebido, tal como foi posto paradoxalmente pela própria Igreja Católica, como a representação da suprema bondade, da suprema compaixão, ao mesmo tempo, como Ser que está em todos os lugares e em todas as pessoas e que não pode ser conhecido com toda a certeza, no mínimo, a excomunhão promovida pelo Bispo não passa de um ato de prepotência e de pretensão. Afinal, acreditando na sua versão de Deus como a única vigorante é que exerce todo o seu dogmatismo e se arvora, não se sabe por que motivo, da condição de representante da vontade de Deus, inclusive, para dizer que alguém não é digno desse mesmo Deus.&lt;br /&gt;Por outro lado, o “desligamento” de Deus que paira, mais ainda, sobre família da menina, que é pobre e que tem Deus como único bem precioso, porque a medida de sua dignidade e de sua própria existência, é, de fato, tirar tudo o que essa família tem, que é a sua dignidade em Deus, que é a sua esperança em Deus, que é a sua igualdade em Deus, e, portanto, a sua fonte da vida. Para um pobre tirar Deus, é tirar tudo o que ainda lhe resta para viver. Se está “desligado” de Deus, se está proibido de “ter” Deus, está proibido de ser gente, de usar a força que ainda lhe resta para levantar a cabeça e continuar sua trajetória pelo mundo.&lt;br /&gt;Destarte, o ato da excomunhão dessa família, é também um sadismo por parte do Bispo e de sua Igreja. Não somente porque ele afirma ser a Igreja benevolente em não excomungar a menina por ser “menor de idade”, mas porque ele sabe, a Igreja sabe e todos sabem que, em casos como esses, não importa se a gravidez era de risco, se poderia ocorrer a morte da criança gestante ou do bebê ou dos bebês que ela carregava; não importa se os bebês pudessem nascer mortos e que entre morrerem três, era melhor garantir a sobrevivência da menina. O que, de fato, a Igreja objetivaria era a continuidade de seu poderio, mesmo morrendo a criança gestante e seus dois fetos.&lt;br /&gt;A força eclesiástica sempre foi sustentada através do modelo de família que a ela tem como fundamental, baseado na procriação, na pureza, na supremacia masculina e na submissão da mulher por sua condição biológica de ter filhos. O único elo que ainda mantém o núcleo familiar de hoje ligado àquele pensado pela Igreja no Século XVII é a negação do direito ao aborto. É este modelo de família patriarcal que sustenta a ação da Igreja através de sua existência e que se sustenta através da Igreja. Juntos, sociedade patriarcal e poder eclesiástico, criam e abusam de uma hierarquização entre os seres sociais para se manterem no exercício do poder político (leia-se poder político como capacidade de ditar comportamento).&lt;br /&gt;É importante perceber que esse sadismo da Igreja, que, “usando o nome de Deus em vão”, age em seu próprio favor, não é novo. Valendo-se de sua suposta condição de mandatária exclusiva da divindade, justificou a escravidão, as fogueiras da inquisição, a eliminação de árabes nas Cruzadas e dos indígenas na América Latina, e vêm justificando a negação de direitos aos homossexuais e às mulheres. Por sua intransigência em relação à camisinha e ao uso de anticoncepcionais, vem contribuindo para o aumento da AIDS na África e para o superpovoamento de algumas áreas pobres do planeta, sendo que este já não suporta mais a quantidade de pessoas, o consumo exacerbado e a destruição da natureza. Tudo isso, em favor da manutenção de seu próprio poder.&lt;br /&gt;Foram necessários séculos para que a Igreja reconhecesse a sua insanidade histórica em relação a alguns grupos humanos. Diante disso, quantos anos mais serão necessários para que a Igreja Católica reconheça que suas atitudes são apenas a representação de sua própria vontade de permanecer no mundo como religião única? Quanto tempo mais será preciso para que a Igreja entenda que suas atitudes ajudam a criar a intolerância, que, se Deus existe, negam o supremo amor de Deus, cuja vontade só pode exigir o respeito entre as pessoas, independentemente de sua condição peculiar, e não pode criar um modo de viver que impeça o mundo de ultrapassar todas as formas de opressão? Quanto tempo mais a Igreja vai levar para reconhecer o seu papel em propagar a AIDS e a destruição do planeta? Quanto tempo mais essa arrogância de não reconhecer os seus erros e a sua fragilidade, própria de toda criação humana, vai manter a Igreja Católica com a barriga aberta e suas vísceras expostas, agonizando com sua perda de credibilidade, enquanto, paradoxalmente, mostra-se incólume e impávida, dando as cartas em nossa sociedade contra a própria sociedade?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Texto de José Humberto de Góes Junior &lt;/strong&gt;(Advogado de Movimentos Sociais, Mestre em Direitos Humanos, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Aracaju no biênio 2008-2010, Professor do Curso de Direito da Faculdade de Sergipe – FaSe, Assessor Jurídico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3346807672362267627?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3346807672362267627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3346807672362267627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3346807672362267627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3346807672362267627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2009/04/de-visceras-mostra-e-arrogancia.html' title='DE VÍSCERAS À MOSTRA E ARROGÂNCIA ESTAMPADA - O CASO DO ABORTO E A EXCOMUNHÃO PROMOVIDA PELO BISPO DO RECIFE'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5214243433639200580</id><published>2009-01-18T11:36:00.001-03:00</published><updated>2009-01-18T11:40:19.930-03:00</updated><title type='text'>08 de julho - a experiência de um acidente e outra vivência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Durante muito tempo relutei em escrever a experiência de ter passado por um acidente de carro no mesmo dia em que realizava o sonho do mestrado. Mas, passados meses desse momento e já superados os traumas que poderiam ter resultado daquele instante[imagino], jamais poderia deixar de absorver o aprendizado que uma vivência como essa pode ensejar.&lt;br /&gt;Pensei muito antes de escrever qualquer coisa. Se, por uma lado, acreditava que precisava parar e pensar em todo o ocorrido, por outro lado, supunha que expor conclusões, certamente parciais [ninguém é capaz de compreender completamente uma experiência], seria uma bobagem, uma ridícula expressão típica de tempos tecnologia da informação, através de que se torna público ou que nem sempre precisaria sê-lo. Em outras palavras, temia estar absorto de um novo modo de vida capaz de me incitar a crer na necessidade de se mostrar, de transformar vivências pessoais cotidianas em um grande espetáculo para o mundo.&lt;br /&gt;Como este não é um blog conhecido e divulgado; como sua utilização se dá, por minha parte, como um local de registro de experiências, resolvi que, em algum momento, relataria o acidente do dia 08 de julho de 2008, próximo das 8h da noite.&lt;br /&gt; Antes de tudo, para que não gere qualquer tipo de especulação, o fato de colocar o acontecimento com reprodução do número oito não tem intenção em manifestar ou dar margem para coincidências numerárias ou cálculos numerológicos. É simplesmente um dado que poderia ser expressado de outras formas, por exemplo, entre 7h30min. e 8h da noite, ou 19h30min. e 20h. Quis expressá-lo relacionando data, ano e horário. Foi uma escolha linguística, tanto quanto ter saído de João Pessoa, após um dia inteiro de expectativas, cansaço e de muito dispêndio pessoal.&lt;br /&gt;Mas, eu queria participar de um momento importante como a comemoração dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente em Brasília no dia 10 de julho. Para tanto, precisava estar em Aracaju na manhã do dia 09 e pegar o avião rumo à capital federal na tarde deste mesmo dia. Optei por dirigir à noite e chovendo. É certo que vinha acompanhado de Greg e Margaux (um casal de amigos franceses que viajara comigo pra João Pessoa), tinha pedido ajuda de Robson Anselmo com a condução do carro durante a noite e tinha convicção de que não precisaria correr, de que podia chegar em Aracaju no meio da manhã da quarta-feira.&lt;br /&gt;Margaux e Robson, mais prudentes do que eu, diziam do seu desconforto em viajar à noite com chuva, pediam pra dormirmos em João Pessoa com o compromisso de sairmos às 4h da manhã. Mas, eu resolvi arriscar. Não sem cuidados, mas resolvi arriscar.&lt;br /&gt;Como sabia que o casal francês poderia querer viajar como fizeram na ida pra João Pessoa, revezando-se no banco de trás para dormir, pedi que colocasse o cinto de segurança e que não tirassem em momento algum. Isso foi crucial para que nada acontecesse durante o acidente.&lt;br /&gt;Mais ou menos uma hora após sairmos de João Pessoa, após uma chuva que nos impedia de enxergar o caminho que tínhamos para percorrer, enquanto a fila de carros em que nos encontrávamos se dissipava, resolvi sair da média entre 40km/h e 60km/h para 80km/h. Minha idéia era impedir a passagem de uma carreta que dava jogo de luz e acelerava em minha direção. Supunha que se começasse a chuva novamente teria que ficar atrás de um “muro da insegurança”.&lt;br /&gt;De repente, olho pelo retrovisor e vejo um carro “costurando” entre os demais. Em alta velocidade, ultrapassava quem podia. Apesar de me alertar quanto a sua passagem, levei um susto com quando cruzou na minha frente e saí um pouco para o acostamento. Tentei voltar sem reduzir a velocidade e o carro, que tinha pneus novos, roçou o lado do pneu dianteiro direito no desnível da pista para o acostamento, jogou o fundo,atravessou a pista, girou no ar e caiu numa vala de um pouco mais de 2m de altura. Era a construção da duplicação da BR 101 entre Recife e João Pessoa.&lt;br /&gt;Por sorte, ainda tive presença de espírito para, quando percebi que o carro havia saído de meu controle, não tentar frear ou segurar o volante. O risco de ficar rodando na pista seria grande e, como vinham carros atrás e adiante, poderia ser o fim de todas as pessoas que estavam comigo e meu também.&lt;br /&gt;Por questão de milésimos de segundos, mantive a calma, fiz a opção que parecia mais plausível e esperei. Não havia mais o que fazer. De olhos abertos, vi os faróis dos carros lateralmente entrando no carro, ouvi um abafado “hugh” de Robson e alguns sons emitidos por Margaux. Minha esperança era de que todos ficassem bem ao final de tudo.&lt;br /&gt;Ao paráramos, ainda com uma dor no pescoço, só queria mesmo era saber se todos estavam bem, sem qualquer dor pelo corpo. Ainda sem saber muito bem o que tinha acontecido, mas mantendo a calma, pedi desculpas aos companheiros e à companheira e agradeci. Não sabia bem a quem ou ao quê, até porque passava por um momento de discutir comigo mesmo minha crença em Deus, mas agradeci o fato de estar vivo e de poder continuar a experiência de ter experiências [a vida].&lt;br /&gt;Liguei para minha irmã, Fabíola, que ia com um grupo em uma van fretada para trazer alguns amigos para a defesa. Passavam por Recife, quando minha irmã pediu que parassem para aguardar que nós chamássemos a Polícia Rodoviária Federal e um guincho que retirasse o carro daquele local.&lt;br /&gt;Minha alegria pela aprovação no mestrado, fazia de mim uma pessoa anestesiada e tranquila. Pronta para resolver todos os problemas. Só não sabia como reagiria ao encontro com minha mãe, integrante do grupo que ia no outro carro e que tinha lutado muito para conquistar aquele carro.&lt;br /&gt;E foi difícil realmente. Quando avistei minha mãe, só pensava em pedir desculpas, nada mais. Todas as falas de culpabilização foram expressadas por todas as pessoas, e eu só tinha como possibilidade o pedido de desculpas.&lt;br /&gt;Não era tempo de conversar sobre os fatos, eu mesmo queria absorver as experiências do momento, mas não conseguia. Era tudo muito recente e ainda estava no calor da emoção.&lt;br /&gt;Somente dias depois consegui chorar e expulsar os sentimentos que acumulava na cabeça. Durante semanas, tive a impressão de que o dia 08 de julho não tinha acabado. Três meses depois, não lembro exatamente porque, mas, talvez, porque tenha conseguido refletir.&lt;br /&gt;Hoje, sei que, na vida, sempre corremos riscos e que caminhar é correr riscos. Mas, por outro lado, não posso ser negligente, não posso expor a vida de outras pessoas; preciso reconhecer ainda mais os meus limites para não querer fazer tudo ao mesmo tempo. A paciência precisa ser minha palavra de ordem, de modo que não é apenas que a ação não precisa estar aliada ao resultado que gostaria de alcançar e que devemos fazer tudo o que pudermos para transformar o mundo. Mas, minha ansiedade por transformações no mundo não pode fazer de mim a única pessoa apta a realizar intervenções transformadoras, que não posso cumular responsabilidades sobre minha cabeça, que não sou invencível, que posso padecer.&lt;br /&gt;Por outro lado, aprendi que a vida é curta, que não posso deixar de viver sentimentos importantes em nome, exclusivamente, da ação social.&lt;br /&gt;Por isso, fiz a escolha, após a realização de alguns trabalhos, de passar por uma intervenção cirúrgica para superar uma miopia de 4,25.&lt;br /&gt;Somente após dez dias começo a enxergar de novo. Tive um atraso na cicatrização.&lt;br /&gt;Foram dias sem sair de casa, sem poder realizar os trabalhos que me dispus a realizar, sem poder aproveitar o restante dos dias que as férias de professor me permitiriam aproveitar. Fora a preocupação de alguns amigos e de minha mãe, foi minha companhia a música e os pensamentos. Mais uma vez, exercitei a paciência.&lt;br /&gt;Na verdade, não foi apenas a paciência que exercitei. O medo de não voltar a enxergar, minha dúvida quanto à existência de Deus, o temor de que o meu ateísmo fosse castigado com a cegueira, também me povoaram.&lt;br /&gt;Imaginava como seria viver agora sem a fotografia, sem poder escrever, sem poder ler...  mas, ambiguamente, pensava em que ficar sem enxergar completamente podia me ensinar. Era o momento em que a viagem que me ensinou tanto e que foi motivo para a existência desse blog fazia seu aniversário de um ano. Lembrava das pessoas que conheci, das experiências que vivi.&lt;br /&gt;Todo o tempo, revivia e revia as paisagens, as pessoas, os horizontes e as esperanças que tive um ano atrás quando iniciei o caminho pela América Latina.&lt;br /&gt;Hoje, penso que, se não tivesse tido esse tempo, não poderia ter exercitado a lembrança como deveria. Não poderia ter exercitado outros sentidos, algo que tanto prego para pessoas que desejam enveredar pela educação popular em direitos humanos e na luta pelos direitos da criança e do adolescente.&lt;br /&gt;Agora, volto a enxergar [não completamente ainda], mas posso registrar a experiência e a reflexão ainda inacabada de instantes que fazem parte do ser em que estou me transformando.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5214243433639200580?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5214243433639200580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5214243433639200580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5214243433639200580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5214243433639200580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2009/01/08-de-julho-experincia-de-um-acidente-e.html' title='08 de julho - a experiência de um acidente e outra vivência'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5711013884627216438</id><published>2008-12-06T09:06:00.000-03:00</published><updated>2008-12-06T09:17:44.008-03:00</updated><title type='text'>Alucinação - Belchior</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Uma certa vez, estava conversando com um amigo do Piauí (Lucas) e falava sobre formas de lidar com a vida. Prontamente, ele me disse:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;- Tem uma música que é a sua cara.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;- A minha cara?, perguntei.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Ele disse:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;- Sim. Veja isso... e me passou pelo msn a música que me fez começar a buscar mensagens na poesia de Belchior.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Aí está a minha Alucinação...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Eu não estou interessado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma teoria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma fantasia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Nem no algo mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Nem em tinta pro meu rosto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Ou oba oba, ou melodia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Para acompanhar bocejos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Sonhos matinais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Eu não estou interessado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma teoria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Nem nessas coisas do oriente&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Romances astrais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;A minha alucinação&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;É suportar o dia-a-dia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E meu delírio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;É a experiência&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Com coisas reais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Um preto, um pobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Uma estudante&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Uma mulher sozinha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Blue jeans e motocicletas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Pessoas cinzas normais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Garotas dentro da noite&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Revólver: cheira cachorro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Os humilhados do parque&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Com os seus jornais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Carneiros, mesa, trabalho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Meu corpo que cai&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Do oitavo andar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E a solidão das pessoas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Dessas capitais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;A violência da noite&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;O movimento do tráfego&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Um rapaz delicado e alegre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Que canta e requebra&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;É demais!...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cravos, espinhas no rosto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Rock, Hot Dog"Play it cool, Baby"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Doze Jovens Coloridos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Dois Policiais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cumprindo o seu duro dever&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E defendendo o seu amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E nossa vida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cumprindo o seu duro dever&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E defendendo o seu amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E nossa vida...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Mas eu não estou interessado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma teoria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma fantasia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Nem no algo mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Longe o profeta do terror&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Que a laranja mecânica anuncia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Me interessa mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Me interessa mais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Um preto, um pobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Uma estudante&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Uma mulher sozinha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Blue jeans e motocicletas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Pessoas cinzas normais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Garotas dentro da noite&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Revólver: cheira cachorro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Os humilhados do parque&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Com os seus jornais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Carneiros, mesa, trabalho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Meu corpo que cai&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Do oitavo andar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E a solidão das pessoas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Dessas capitais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;A violência da noite&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;O movimento do tráfego&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Um rapaz delicado e alegre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Que canta e requebra&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;É demais!...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cravos, espinhas no rosto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Rock, Hot Dog"Play it cool, Baby"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Doze Jovens Coloridos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Dois Policiais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cumprindo o seu duro dever&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E defendendo o seu amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E nossa vida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Cumprindo o seu duro dever&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E defendendo o seu amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;E nossa vida...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Mas eu não estou interessado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma teoria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma fantasia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Nem no algo mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Longe o profeta do terror&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Que a laranja mecânica anuncia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Me interessa mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Amar e mudar as coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Me interessa mais...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5711013884627216438?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5711013884627216438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5711013884627216438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5711013884627216438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5711013884627216438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/12/alucinao-belchior.html' title='Alucinação - Belchior'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-785100188064195927</id><published>2008-06-27T00:52:00.000-03:00</published><updated>2008-12-12T03:31:22.600-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/SGRkimAz4EI/AAAAAAAAABk/gD4grEVNxs0/s1600-h/convite+defesa+disserta%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/SGRkimAz4EI/AAAAAAAAABk/gD4grEVNxs0/s400/convite+defesa+disserta%C3%A7%C3%A3o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216404813884153922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-785100188064195927?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/785100188064195927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=785100188064195927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/785100188064195927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/785100188064195927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/06/blog-post.html' title=''/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/SGRkimAz4EI/AAAAAAAAABk/gD4grEVNxs0/s72-c/convite+defesa+disserta%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3418177729187658185</id><published>2008-05-09T01:59:00.000-03:00</published><updated>2008-05-09T02:04:12.872-03:00</updated><title type='text'>Agora tenho 30 anos</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Passa da meia-noite e sinto uma necessidade imensa de escrever. Já sou um homem de trinta anos completados no dia que acaba de se encerrar, mas, antes de dormir o sono dos balzaquianos (uma leve analogia ao livro de Honoré de Balzac para as mulheres de trinta anos), preciso deixar fluir os pensamentos que reverberam as palavras de minha mãe, para mim, neste dia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Em alusão a Freud, esta repetição pode ser uma tentativa de, a partir do vínculo intenso e profundo que mantemos com as mães, compreender o seu conjunto de palavras e de preocupações; uma forma de promover a tradução intergeracional ou interpessoal de valores e de modos de vida. Neste caso, entre a forma de viver que adotei pra mim e o sentido que minha mãe gostaria que eu desse a minha própria existência.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A todo momento, vem-me a cena em que ela, lentamente, deixa-se entrar na sala em que estudava, em que lia um livro libertador (&lt;i style=""&gt;A ideologia de Paulo Freire&lt;/i&gt;), e afirma com um sorriso leve nos lábios: &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;- Você tem 30 anos... meu filho, você já tem 30 anos e o que você tem, o que você conquistou? Quando é que você vai começar a pensar na vida?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Apesar de sua fala, eu sabia que ela não tinha sentido. Pelo menos, do meu ponto de vista do que significa conquistar, do que significa pensar na vida. Era um esforço grande estar absorto de todas as conquistas diante de alguém que me olhava e tentava me oferecer como uma receita o seu significante para “vitória” sem poder e sem querer travar debates profundos sobre o assunto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Na verdade, eu não sei se entendia o porquê da fala. Afinal, ninguém foi tão testemunha de minhas lutas do que minha própria mãe. Mesmo sem compreender, sem me compreender, sem acreditar na importância de algumas delas, minha mãe foi sempre a maior testemunha de que minha vida é plena. São 30 anos de muitas conquistas, de muitas vitórias, de muitas felicidades. São 30 anos muito bem vividos, com experiências, com vivências, com vivenciamentos, que poucas pessoas da minha idade puderam construir.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas, o que minha mãe queria dizer em torno da conquista em nada tinha de semelhante com o que foi a minha vida inteira. Somente no âmbito das situações visíveis e mais convencionais ao mundo apegado a títulos e ao triunfo individual, cada dia de minha existência foi uma grande prova de fogo e cada prova se vinculava a um grande projeto de minha vida: terminar os estudos; alcançar um curso de direito de uma universidade pública; construir um escritório de advocacia que se dedicasse a trabalhar para os oprimidos; fazer um primeiro mestrado e ter que abandoná-lo pela necessidade de trabalhar para sobreviver; enfrentar um segundo mestrado com grandes dificuldades financeiras para poder alcançar a possibilidade de, um dia, poder ensinar numa universidade pública... &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O que mais poderia ser uma conquista? Essa era a minha conquista!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não posso dizer que chego aos 30 anos como um possuidor de bens, ao menos dos bens que muitas pessoas supõem serem os mais importantes. Mas, chego aos 30 anos feliz, pleno de sorrisos, pleno de amor, pleno de poesia, pleno de sonhos, pleno de música, pleno de ser gente, pleno de ser criança, pleno da crença de que posso errar e de que posso acertar, pleno de pessoas ao redor, pleno de perseverança, pleno de vontade de seguir lutando, pleno de fragilidade e força para, todos os dias, acordar, contemplar o novo dia e agradecer pelo fato de poder estar vivo e lutar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Cada dia, quando acordo, agradeço pela possibilidade de seguir lutando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Por isso, era mais um dia em que estava feliz. Tinha passado um dia sereno, um dia de reflexões, um dia de sorrisos e de lembranças impulsionados pelos recados que recebi no Orkut de pessoas que fazia muito tempo que não via, mensagens por e-mails, telefonemas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Eram tantas declarações de amor, de amizade, de respeito, de admiração... &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Minha própria mãe tinha me feito o que eu mais gosto que se faça no dia do meu aniversário: um caruru.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;No início da noite, tinha recebido a visita inesperada de Lídia, Kátia, Aninha, Andréa e Roberta, companheiras de lutas pelos direitos da criança e do adolescente em Sergipe, cantando parabéns na porta da minha casa, diante de quem quisesse ver e ouvir, me presenteando com abraços e com uma tentativa de cancã...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas, nada disso foi visto. Foi preciso a pergunta que, quase sem a sensibilidade de perceber o que mais me importa, me indicou como um ser sem bens, um ser que havia deixado de pensar na própria vida.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Minha reação, ao contrário do que pensei que seria, foi tranqüila. Ainda tentei explicar alguma coisa, até perceber que nenhuma explicação daria conta de expressar tudo o que significa, para mim, ter vivido o que vivi, com tantas conquistas. Entre estas, estão a certeza de que tudo o que se fiz de minha vida construiu esta mesma vida, de que tudo o que sou ou estou sendo é tudo o que fiz sabendo sempre o que estava fazendo, é o conjunto de minhas dores, de meus sorrisos, dos atos de amor que se voltaram a mim, dos atos de amor que eu mesmo fui capaz de produzir, é um pouco de cada pessoa com quem encontrei, são as nuvens que cacei, são os abraços sinceros, são o chão e a água, são o vento e o mar, é a música, são os pequenos gestos de carinho e de afeição.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;E, pensando nisso, por um momento me vi andando de novo pela América Latina, como se do alto dos Andes, olhasse o caminho que percorri e dissesse: essa é a minha conquista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Eu podia ver as pessoas; eu podia ver meus amigos; eu podia ver o ser humano que foi se formando em cada momento de sua vida, com a certeza de que todos os instantes foram vividos com intensidade; eu podia agradecer.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Que mais eu poderia querer? Que mais eu poderia chamar de conquista? Que mais podia representar a minha vitória?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Nada!!!!!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;As pessoas são a minha maior conquista. Viver e ser feliz todos os dias é a minha maior conquista. Estar com o mundo e com os outros é a minha maior conquista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Quanto aos meus bens, nenhum bem é mais precioso do que recostar o coração em outro coração dentro de um sincero abraço.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Diante de todas essas crenças, que mais podia eu senão me tornar possuidor de mais desses bens. Se é no contato com o mundo que se lhes adquire, fui em busca de meus amigos. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Acumulei novos abraços, doados por Pablo, Silvinha, Biel, Vinny e Ize.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Fui merecedor do compartilhar feliz de Adônis por sua formatura e de Kelly por sua gravidez. Tudo isso no mesmo dia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Agora, tenho 30 anos. E, além da idade, tenho, num mundo de incertezas, mais certeza de penso na vida, de que sou um vitorioso e de que devo seguir lutando para merecer os sorrisos e as palavras que pude receber no dia que acaba de acabar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3418177729187658185?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3418177729187658185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3418177729187658185' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3418177729187658185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3418177729187658185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/05/agora-tenho-30-anos.html' title='Agora tenho 30 anos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-4237635830456938718</id><published>2008-03-09T18:30:00.000-03:00</published><updated>2008-12-12T03:31:23.428-03:00</updated><title type='text'>O que representou Taís na viagem...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="font-weight: bold; font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9RxEBUQuYI/AAAAAAAAAA8/gZeDoEm_A-M/s1600-h/DSC00456.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 206px; height: 156px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9RxEBUQuYI/AAAAAAAAAA8/gZeDoEm_A-M/s320/DSC00456.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175886185642375554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Embora a viagem tenha acabado fisicamente no d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;ia 25 de janeiro, não tenho conseguido para de refletir sobre sua importância em minha vida. Já pensei que, pela grande quantidade de experiências, pudesse me sentir demasiadamente pleno, completo, sem mais necessidades de busca, sem mais para conquistar enquanto ser humano, mas, de fato, o que me faz seguir esta viagem em terra é o processo de assimilação das novas, intensas, inéditas e profundas experiências vividas para o meu cotidiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Muitas vezes, retomo fotos, retomo conversas e, com isso, retomo todas as sensações que povoaram muitos momentos daqueles dias, me sinto de novo inebriado de latinoamericanidade, mas também de um crescimento humano imensurável.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;É dentro deste diálogo comigo e com as pessoas, enquanto relato as experiências, que descobri a importância de Taís em toda esta viagem, apesar de só tê-la encontrado no meio do caminho. E, isso, porque não consigo olhar para a viagem por pedaços. O que fica em mim é toda a complexidade da caminhada. As reflexões que me vêm não chegam aos pedaços. Somente o todo é que faz sentido, enquanto experiência vivida, enquanto aprendizado.  Portanto, Taís não é uma parte da viagem, ela me ajuda a compreender toda a viagem. E, mais interessante é que a sensação que tenho, ao pensar assim, é que cada coisa, enquanto caminhava, aconteceu a seu tempo. Existe uma complementaridade fundamental entre todos os instantes, cujo tempo e o espaço se fundem na experiência.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Pensar em Taís é o mesmo que pensar em Tilcara e em Juan. Esta viagem não faria sentido algum sem estas pessoas e sem aquele lugar. Como bem me disse Juan, há lugares pelos quais a gente passa e é como se não tivesse passado e há outros lugares que tomam uma intensidade tão grande que valem toda uma viagem. Agora, pensando em Taís, pensando em Juan, compreendo que estes lugares valem toda uma viagem por causa das pessoas. Sem elas, eles não valeriam absolutamente nada. Ao mesmo tempo, esta predisposição das pessoas em estar com as outras, sua forma de ser, sua doação, só fazem sentido quando se compreende o lugar ocupam no mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R7lRUQubI/AAAAAAAAABU/C0PoIZgMj_U/s1600-h/DSC00510.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R7lRUQubI/AAAAAAAAABU/C0PoIZgMj_U/s200/DSC00510.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175897751989303730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Quando digo isso, quero afirmar que as pessoas não podem ser se não se conhece o lugar delas em dois sentidos: o seu lugar de fala, sua compreensão do mundo, suas vivências, suas inclinações; e, literalmente o lugar em que vivem, seu espaço.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Afinal, qual o sentido de alguém ser? Quem pode ser? Como se pode ser? O ato de ser é um ato que está em si ou no outro?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Evidente, estas são perguntas extremamente complexas e, talvez, isso daria um grande tratado de psicanálise. Como não é o objetivo fazer um tratado de psicanálise ou o de colocá-la a serviço de um conhecimento disciplinado, longe do mundo da vida, espero poder responder a estas indagações através de algumas reflexões e de mais questões, das quais as primeiras não se independizam e as quais não encerram as possibilidades de análise: há possibilidade de ser sem o espaço coletivo, se não vivêssemos com outras pessoas teríamos a possibilidade de ser? Se não houvesse quem nos reconhecesse, seríamos algo ou alguém? E, mais, é possível ser sem as interações que fazemos com o mundo? Que lugar ocupam as nossas experiências com o mundo e com os outros na formação do nosso ser?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Com estas últimas perguntas, já me aproximo de novo do que gostaria de falar quando buscava compreender a importância de Taís na viagem. Mas, ainda não é o momento de discorrer diretamente sobre o assunto. Antes disso, será necessária uma contextualização maior, bem como a análise das indagações acima ou mesmo de uma resposta complexa para minhas dúvidas primeiras, de uma resposta que reúna todas as perguntas em uma única reflexão.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Nesta direção, sei que é impossível separar o reconhecimento que o outro tem em relação a nós do que pensamos de nós mesmos. Sei que o que somos está muito povoado do que pensam de nós e das idéias que se constroem em torno de nossa forma de ser. Mas, ao mesmo tempo, suponho que este reconhecimento que se tem de nós e que temos de nós é um ato de interação, um ato que mescla as condições do lugar em que estamos com as interações humanas. Isto porque, reconhecer está no ato mais simples de enxergar o outro, de perceber o outro, até o ato mais profundo de conhecer o outro, de saber de suas potencialidades e limitações, de se encantar ou de negar encantamento com a forma de ser do outro. Reconhece&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;r, em contrapartida, é sentir a presença do outro, saber que não pode ocupar o seu lugar no espaço enquanto esta pessoa estiver ali. Ou seja, é, igualmente, um ato físico, um ato de percepção, aliado à compreensão de que não se pode circular de qualquer modo em certo espaço povoado de pessoas ou de uma pessoa. É um ato que está acoplado à percepção de que é preciso desviar de alguém que está a nossa frente quando queremos seguir adiante, de que não podemos atravessar o corpo de alguém se queremos pegar algo que se encontra próximo deste. E, quando falo corpo, evidentemente, não quero deixar de perceber que corpo é mais que um objeto, que ele representa uma pessoa, um ser, cuja existência se dá na interação complexa entre seu físico e as idéias que, através dele, é capaz de criar sobre outras pessoas, sobre o mundo e sobre si mesmo, capaz de orientá-lo a ação, ao comportamento.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R1ZhUQuZI/AAAAAAAAABE/2R3FITQiiFw/s1600-h/DSC00557.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 211px; height: 158px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R1ZhUQuZI/AAAAAAAAABE/2R3FITQiiFw/s320/DSC00557.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175890953056074130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Retomando, toda interação ocorre sobre um espaço e só podem ser compreendidas no seu conjunto, porque vivenciadas no seu conjunto, com as sensações que o espaço, que as limitações e/ou permissões que este vai provocando no ato mesmo de vivenciar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Dou o exemplo de duas pessoas para quem que o ato de amar está proibido ou está escondido, está ainda oculto aos olhos de certas pessoas. A interação com o espaço para vivenciarem toda a relação, o aguçamento dos sentidos para poderem deixar fluir o prazer sem terem o desgosto do flagrante, ficam muito presentes. Quem viveu isso em algum momento da vida sabe de que falo. Não se pode descuidar dos acontecimentos que se dão no espaço, nem aqueles externos a quem quer vivenciar sua relação nem aqueles que ocorrem entre quem quer vivenciar sua relação. E, ao final, quando sentam ambos para dialogar sobre o momento, impressionante, que a vivência é observada em completo, nada se aparta, nada tem menos importância. Tudo é a experiência. A parte está no todo e todo está nas partes. Se uma das partes é retirada, não se tornará somente uma parte, será uma outra experiência. Espaço e tempo não se separam como não se separam os momentos, sensações, situações que compõem o todo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Portanto, jamais poderia ser latino-americano, me deparar com a minha latino-americanidade, como gostaria no início da viagem se não conhecesse a América Latina. Para conhecer um povo, preciso conhecer o seu lugar e o modo como ele interage com este lugar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Antes, queria apenas conhecer as pessoas e não percebia que, para isso, precisava conhecer o seu lugar. Temia encontrar lugares bonitos, receava encontrar lugares cujo sentido para muitas pessoas era exclusivamente turístico, e não os buscava. Até mesmo rechaçava.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Quando encontrei Taís, que estava em busca de lugares bonitos, quando coloquei os meus propósitos em diálogos com os seus propósitos, percebi, ainda que não conscientemente, que valia a pena encontrar-me também com lugares, mesmo quando os lugares ficavam mais distantes devido aos poucos recursos financeiros.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;Taís me ensinou a buscar alternativas para interagir com os lugares, para chegar até eles. Se eu podia caminhar durante horas no meio da cidade para observar as pessoas, para conversar com as pessoas, para conhecer novos amigos, podia sair da cidade, podia pegar uma bicicleta e sair de um lugar para outro, podia caminhar pelas estradas em direção montanhas, cachoeiras, podia superar o meu medo de altura para atravessar pontes sobre despenhadeiros ou descer uma encosta agarrado pela mão... tudo para entender que o mundo das pessoas é também formado pelo mundo em que elas vivem.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R3OBUQuaI/AAAAAAAAABM/T1oDViGBKHw/s1600-h/DSC00447.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 221px; height: 164px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9R3OBUQuaI/AAAAAAAAABM/T1oDViGBKHw/s320/DSC00447.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175892954510834082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: courier new; text-align: justify;"&gt;No decorrer da viagem, devido à interação com Taís, quando percebi que os rumos que já se constituíam iam de novo se desfazendo e dando lugar a outros rumos, até pus em dúvida o que estava fazendo, até me deixei povoar de reflexões sobre os sentidos que surgiam em minha mente para as reformulações de roteiro, para os diálogos. Mas, passado esse período, vivido um tempo apenas reverberando a viagem sem estar no seu interior, ainda que ela esteja sempre em mim, me fez perceber que o rumo que a presença de Taís deu, que o sentido que tomou a viagem foi um sentido importante para minha vida. Não posso dizer se foi o melhor sentido porque, para isso, o conjunto teria que ter sido de outra forma, mas sei que foi um bom sentido, um importante sentido para me fazer ser-estar-sendo com sinto que sou-estou-sendo hoje.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-4237635830456938718?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/4237635830456938718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=4237635830456938718' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4237635830456938718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4237635830456938718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/03/o-que-representou-tas-na-viagem.html' title='O que representou Taís na viagem...'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R9RxEBUQuYI/AAAAAAAAAA8/gZeDoEm_A-M/s72-c/DSC00456.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3479661907772221585</id><published>2008-01-27T23:09:00.001-03:00</published><updated>2008-01-27T23:10:38.269-03:00</updated><title type='text'>25 de janeiro – o dia de voltar pra casa</title><content type='html'>&lt;o:p style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Era o último dia em Buenos Aires. Estava ansioso para voltar para casa e saber o que tinha de novo em mim, na minha cidade, nas pessoas que eu amo, nos meus amigos, ou seja, queria saber que novo olhar eu colocaria sobre tudo.&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ao mesmo tempo, tinha a manhã para aproveitar Buenos Aires, para caminhar no centro, para olhar aquele céu azul indescritível, para olhar aquelas pessoas e escutar o seu sotaque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Mas, parecendo que o universo sabia do meu sentimento dividido entre voltar e permanecer, da minha tristeza-alegria daquele instante, o céu tinha se postado nublado. Estava de cara fechada, como se tivesse de mal comigo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Mesmo assim, não me mandou a chuva. Me deixou caminhar pelo centro e aproveitar a linda, colorida, apressada, barulhenta e populosa, Buenos Aires.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Tinha acordado às 7h da manhã, movido pela pura ansiedade de retornar e de ficar ali o quanto pudesse naquele último dia, e pude aproveitar mais 4h de caminhada, entre às 9h e às 13h.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Depois de depositar o meu olhar contemplativo, embora apressado e encharcado da Buenos Aires que tanto amo e que me afeta inigualavelmente, depois de encontrar Vinícius na rua, voltei ao Clan, agora, para disfrutar um pouco mais da companhia daquelas pessoas que tanto e tão bem me atenderam nas idas e vindas de minha caminha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Somente não conseguia interagir com Gonzalo, como sempre pleno de seu estresse e da grosseria que o acompanhava naqueles momentos agoniados. Pelo menos, podia brincar com Julio, com Emiliano, com Leandro, com uma menina novata, cujo nome não lembro, com Silvana e com Mari.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Tirei uma última foto com algumas dessas pessoas, falei com Rob, que, de novo, estava no Clan, com Roberto e tomei o rumo do aeroporto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Enquanto aproveitava os meus últimos minutos de interação com aquele lugar, tive o prazer de ser conduzido por um taxista (infelizmente não perguntei o seu nome nem ele me disse espontaneamente) muito simpático, cheio de estórias, alegre pela vista de tantas pessoas. Quando, diante de sua pergunta sobre minha nacionalidade, lhe disse que era brasileiro, ele tomou um susto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Segundo ele, porque nunca tinha visto um brasileiro com um espanhol como o meu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Aproveitei que ele havia me falado sobre isso e dialoguei um pouco sobre a questão da suposta rivalidade entre os argentinos e brasileiros, originada pelo futebol. Nossa conversa foi ainda mais reforçada quando passamos pelo centro de treinamento da seleção argentina e quando lhe contei o episódio que vivenciei em Córdoba.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Sua resposta foi simples e segura: há gente idiota disposta a tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Consciente de que, como brasileiro, não era malquerido naquele lugar, cheguei ao aeroporto. Era como se tudo o que tivesse ido fazer naquele país fosse ter a certeza de que, como brasileiro e por causa de futebol, não precisava ser odiado pelas pessoas. De que podia dialogar, construir compreensões de mundo, unir lutas...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Passei pelo “check in”, paguei a taxa aeroportuária de U$ 18,00 e fui para a sala de embarque. Aí, enquanto esperava por quase duas horas de atraso do vôo JJ 8005 para São Paulo, resolvi tentar mais uma vez falar com Juan. Em vão. Liguei, portanto, para Sérgio. Tinha poucos créditos no cartão telefônico e não pude falar muito. Inclusive, não consegui dizer adeus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Pode ser que esta seja uma forma de voltar a ver este amigo e a linda Argentina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Perto de 18h30min. partir da capital portenha e, por volta de 21h, cheguei a São Paulo. Quando sobrevoava a cidade, em procedimento de aterrissagem, empreendi uma conversa com duas mulheres que estavam do meu lado. Chamavam-se Sandra e Márcia. Não sei de que modo, começamos a falar sobre as nossas viagens, sobre nossas experiências, até que contei um pouco de tudo o que havia passado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Rapidamente, elas se interessaram em saber um pouco mais e conhecer o meu diário de bordo, postado na internet. Márcia queria mostrá-lo a sua filha, também no vôo, estudante de jornalismo que vai, no próximo semestre, cursar uma disciplina sobre turismo, mas também queria tomar contato com a minha vivência e com as fotos com que o deverei ilustrar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Depois que descemos, fizemos todo o procedimento de entrada no país, passamos pela polícia federal e pela alfândega, pegamos as nossas bagagens e nos despedimos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Quando estava na sala de embarque para pegar o avião para Aracaju, fazia o olhar passear em busca de alguém conhecido. No primeiro momento, a única pessoa com quem tomava contato era um senhora que, apesar de muito simpática, não parava de falar. Me contava estórias de sua família, me dizia que iria a Aracaju para a formatura em enfermagem de uma afilhada sua...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Enquanto conversamos, tivemos a presença de uma mulher no nosso diálogo. Eu sabia que a conhecia de algum lugar, até que ela revelou que se chamava Simone e que era juíza da 3ª Vara Cível de Aracaju. Foi a oportunidade para que ambas soubessem que eu era advogado e que fazia mestrado em direitos humanos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;A partir daí a primeira mulher com quem conversava só me chamava de doutor. Era muito engraçado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;De repente, outra pessoa conhecida, Wellington Mangueira. Rapidamente, nos falamos porque ele, além de falar com Simone, estava com dor de ouvido. Não queria incomodá-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Quando começou os procedimentos de embarque, me despedi de Simone, que iria para Florianópolis visitar uma filha e segui com a minha bem falante mais nova “desconhecida” amiga. Digo desconhecida porque não sei o seu nome, porque é uma das pessoas que marcaram a minha vida, cujo nome não sei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Dentro do avião, na poltrona 5F, só para saber que o mundo é feito de grandes, médias e pequenas contradições, me deparei com duas meninas. Pela vestimenta, pela forma de falar, pelos assuntos, e, principalmente, pela tentativa de dialogar frustrada que tive come elas, descobri que se tratavam de um perfil elitista e pouco sociável em relação aos “reles mortais” como eu. Calei e me fiz acompanhar, tal qual tinha feito em uma parte da primeira etapa daquele retorno para casa, pelo samba de Maria Rita.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ao som daquela suave e humana mulher, cheguei a Aracaju e tive minhas reflexões interrompidas pela minha amiga que gritava incansavelmente “doutor” “doutor”... para que eu pegasse sua mala, a primeira que aparecera na esteira. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Sob os risos e sob a alegria de saber que podia fazer parte da felicidade de uma sergipana residente em São Paulo ao voltar para sua terra natal, não exitei em ajudá-la. Em seguida, nos despedimos e fui buscar minha mãe. Queria abraçá-la. Mas, igual ao que me aconteceu quando voltei da Espanha em 2001, não havia ninguém para me esperar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Supus que havia esquecido, como da outra vez. Esperei por meia hora e peguei um táxi para voltar para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Com a simpatia de mais um taxista desconhecido, cheguei em casa e descobri que minha mãe tinha ido para o aeroporto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Enquanto não chegou, perto de 2h da manhã, não fui dormir. Mas, foi só chegar, ouvir suas reclamações, que, aliás, continuavam as mesmas, para que eu fosse deitar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Imaginava, também, que tudo podia ser diferente daquilo que se mostrava num primeiro instante com a minha mãe. Que a admiração e o carinho que sinto por ela, não precisa nos levar a vivenciar freudianamente nossa relação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;No sábado, enquanto esperava minha irmã e meus sobrinhos, para irmos para a casa de meu irmão, perto de 18h, resolvi ligar a TV e, no canal público brasileiro, passava um documentário (Kollasuyo é o nome) sobre a luta dos indígenas no norte da Argentina e na Bolívia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Parecia um presente e uma forma de, em mais esta coincidência, ter a compreensão de que a experiência daquela viagem me povoaria por muito tempo. Com lágrimas nos olhos enquanto reconhecia os lugares, a Quebrada de Humauaca, La Quiaca, a fronteira da Argentina com a Bolívia, Villazón, Potosí...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Em Potosí, as minas do Cerro Rico, as mulheres com suas vestimentas típicas (polleras), as injustiças da exploração daquele povo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Naquelas imagens podia reviver todos os meus sentimentos ao tomar contato com aquele povo, com a forma como os brancos agem injusta e desrespeitosamente com os indígenas e com a incomunicabilidade, apesar das fronteiras impostas pela geopolítica que lhes pertence, de seu território. Mas, em tempo, tinha impressão de, não obstante as contradições do nosso governo federal, liderado pelo Partido dos Trabalhadores, pela primeira vez, o Brasil voltar-se para a América Latina, em relação a que sempre esteve de costas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;E, não era só por causa do documentário que se perguntava e perguntava “onde está a América Latina?”, era porque, pela primeira vez, com a criação de uma TV pública nacional e com a programação com a qual tomei contato antes de viajar, podíamos olhar os povos tradicionais latino-americanos sem julgamentos indevidos e injustos em relação ao seu de viver, mostrando sua cultura, suas lutas, a beleza de seu modo de viver e de superar suas contradições.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Com este documentário, por outro lado, pude compreender que me sinto preparado para olhar, para inebriar-me, para indignar-me com as injustiças, bem como para povoar-me do sentimento e das lutas latino-americanas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Mais uma vez a descoberta: EU SOU LATINO-AMERICANO!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;É assim que volto para casa, LATINO-AMERICANO.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3479661907772221585?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3479661907772221585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3479661907772221585' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3479661907772221585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3479661907772221585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/25-de-janeiro-o-dia-de-voltar-pra-casa.html' title='25 de janeiro – o dia de voltar pra casa'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-2775916453537892270</id><published>2008-01-27T23:04:00.000-03:00</published><updated>2008-01-27T23:09:00.631-03:00</updated><title type='text'>Buenos Aires – o penúltimo dia (24 de janeiro)</title><content type='html'>&lt;o:p style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Era o penúltimo dia de minha caminhada pelo sul da América Latina. Se no dia anterior estava me sentindo farto, neste dia me sinto povoado de saudade de tudo o que passei, me sinto pleno de estórias e da história do meu povo latino-americano, me sinto pleno de sensibilidade, pleno de latinoamericanidade, ainda que, conscientemente, tinha apenas a sensação de anestesia e medo de perder tudo. &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Não conseguia apenas viver o presente. Lamentava a possibilidade de, no futuro, ser tomado por alguma enfermidade que me tomasse as lembranças, que me impedisse de desfrutar de todas elas, de reviver e de reverberar todos os momentos vividos, evidente, com o sabor do tempo futuro, com olhos de outras experiências.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Neste sentido, pensava em passear na rua, em olhar de novo as ruas e o povo de Buenos Aires, o lugar que começou e estava por terminar a minha experiência daqueles últimos 40 dias. Sentia, de igual modo, necessidade de conseguir alguns objetos que marcassem para mim mesmo a minha passagem por aqueles lugares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Lembrava que, quando estive em Buenos Aires, no início de toda a caminhada, havia visto calendário e postais com o rosto de Che, bem como bandeirinhas dos países por onde iria passar para fixar na mochila, postais de Buenos Aires...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Com o sentido de encontrar recordações simples e baratas, de Buenos Aires e de tudo o que me fizesse lembrar de minha viagem, embora não quisesse nada muito clichê e nada que se tratasse de miudezas ou trecos, saí, pela manhã para o centro da metrópole argentina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Era o modo de “compensar” o fato de viajar com mochila e não poder levar muitos suvenires dos lugares. Mas, o que buscava não era muito e não era o que o turista comum procura. Queria a música argentina, fotos que retratassem a diferença, a luta argentina e latina, queria encontrar “As veias abertas da América Latina”, de Galeano, em espanhol, para re-ler, agora, que conheço de perto a realidade cruel das minas de Potosí.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Passei toda a manhã caminhando em Florida e Lavalle. Quando encontrei com as minhas buscas no campo da cultura e, do ponto de vista, da lembrança quanto à relação com a caminhada, voltei ao Clan. Queria falar com Juan, com Sergio e Susana, com Horárcio...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Queria me despedir das pessoas que, generosamente, o universo me presentou naqueles últimos dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Tentei falar com Juan, nada. Tentei de novo, falei com Ceci, namorada de Juan. Consegui um número de celular, mas não deu. Sentia o incômodo de não ouvir, antes de voltar para casa, a voz de Juan.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Tentei falar com Sergio e Susana. Também, não consegui. Tentei outras vezes, também não consegui. Quando pensava que iria para o Brasil, semelhante ao que me passava em relação a Juan, sem escutar a voz do Sergio e de Susana, recebo um e-mail de Sergio. Liguei, imediatamente para ele e nos falamos. Marcamos um novo re-encontro para às 22h15min., tempo em que esperava já ter acabado o filme “Amor em tempos de cólera”, baseado na obra de Gabriel Garcia Márquez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Depois que falei com Sergio, conversava com Julio e Angi, quando chegou Virginia, uma Sevillana, que me fez reviver o sotaque andaluz e repassar mentalmente os momentos que tive na Espanha, em 2001. Por alguns momentos, me vi passeando nos bosques próximos da Universidad Internacional de Andalucía, sede de Santa María de la Rábida, no cais de onde saíram as caravelas que chegaram à América... me lembrava de Mariví, de José Ángel, de Verónica, de Majó...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Não era que a conversa com Julio e com Angi era desinteressante. Pelo contrário, foi exatamente o fato de já estar tomado pelos sentimentos gerado com aquele momento que pude absorver tudo o que a presença de Virginia podia proporcionar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Julio tem uma história muito bonita, de luta e de movimento. Sua mãe foi uma guerrilheira argentina, por isso, foi perseguida pela ditadura militar, teve que fugir com os filhos para o Peru e para a Colômbia. Já grande, Julio assumiu a luta de sua mãe, tornando-se uma pessoa engajada nos debates políticos sobre seu país e sobre a América Latina, percorrendo a Bolívia, o Chile e voltando ao Peru, onde morou por anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;À parte isso, Julio registrava em fotografia a dureza do povo latino-americano, escrevia suas impressões sobre o mundo e lia muito sobre as impressões dos outros. Enquanto conversávamos, por exemplo, ele tinha uma revista alternativa que tinha uma entrevista com Walsh, morto pela ditadura argentina, com Galeano e com comentários sobre duas fotografias retiradas em 2001, durante a derrubada dos presidentes argentinos pelo povo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Falamos um pouco sobre isso até que Angi, Virginia e eu seguimos em direção à Lavalle com o objetivo de assistir a “Amor em tempos de cólera”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ao final do filme, enquanto víamos os três falando sobre o que havíamos visto, a riqueza de detalhes, a teatralidade, me dei conta de que antes de viajar, eu tinha assistido a “El pasado” e que as mensagens se complementam, agora, não sei se por coincidência, na minha cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Enquanto “El pasado” me ajudava a compreender a necessidade de encerrar os ciclos para me sentir livre de certos valores, de certas “prisões”, para começar o caminho, “ O amor em tiempo de cólera” me fazia enxergar a possibilidade da entrega à vida com amor ou, na verdade, a viver a vida por amor. Neste caso, se é certo que o amor de Florentino Ariza era voltado para uma mulher (Fermina Daza) e sua vivência estava baseada na vontade de saborear com todas as cores este amor e tudo o que dele adviesse, a mim o filme dava a lição de que toda a dedicação a esta vida deve se dar com fundamento único no amor. Amor é o que move as lutas, as vontades de justiça e igualdade e enche de esperança o coração, fazendo renascer sempre, mesmo diante de cada contradição, minha e das pessoas, seguir acreditando na humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Agora, era engraçado pensar que ambos os filmes falam de amor. O primeiro do amor que acabou sem dizer fim. O segundo, do amor que não acabou, mas que, para ser vivenciado, precisava ser libertado. Ter uma liberdade, aliás, que, depois de tantos obstáculos, permitisse perceber que os impedimentos, ao final de tudo, compõem as condições que formaram uma forma de viver, de sentir, de superar os medos, de afirmar a poesia e a vontade de transpor tudo o que se impunha ante os olhos amorosos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;O melhor de tudo era perceber que se, como em “El passado”, deveria fechar e abrir novos ciclos para viver a experiência latino-americana, agora, depois de vivenciá-la, com o máximo de sabor que, diante da minha forma de viver e de perceber o mundo, pude construir e absorver, compreender que o amor, de “O amor em tempo de cólera”, vale a pena mesmo quando parece impossível, porque nos prepara para uma forma de olhar e de viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Como Florentino Ariza, que só pôde encontrar seu amor no final de sua vida, eu me achava no final de uma jornada e me sentia pleno daquelas vivências, pleno para re-começar, pleno para perceber-me depois de 40 dias de afetação plena da América Latina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Em questão de segundos, foram todos estes os pensamentos que me tomaram. Como não consigo pensar sem dialogar, pois minhas idéias fluem quando se vêem verbalizadas e tomam contato com a pele de minha boca, dos meus ouvidos, bem como da pele da boca e dos ouvidos de quem me acompanha, toda a reflexão foi compartilhada e se reproduziu na companhia de Angi e de Virginia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Enquanto eu mergulhava naquelas vivências, naquelas interpretações do cinema para a minha própria vida, elas me acompanhavam e davam o alimento necessário para a minha mente em efervescência. Algumas vezes, elas me olhavam fixamente e, com os olhos brilhantes, me diziam, em silêncio, sua emoção. Eu, embebido daquele sentimento, me sentia mais apto para seguir acreditando nas mensagens que, agora, pareciam claras na cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;O silêncio das ruas do centro de Buenos Aires, quando não era quebrado pela passagem de algum carro, era rompido pelas idéias de amor e humanidade que povoavam aquela conversa. Foi assim, distraídos com aquele diálogo que, para não sermos atropelados, tivemos que correr. A este episódio dei o nome de “correndo por corrientes”, já que Corrientes era a avenida que estávamos atravessando sem perceber que o semáforo estava aberto para o carros e não para os pedestres.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Neste momento também, recuperei com mais força a única preocupação que me fazia interromper e, ao mesmo tempo, impulsionava as minhas reflexões sobre os filmes, pela grandeza do encontro de vida que se abria para mim, a espera de Sérgio na porta do hostel Clan para que nos despedíssemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Já eram quase 23h, portanto, apressei o passo e não me detive mais do que o suficiente para me despedir de Angi e, temporariamente, de Virginia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;De longe, olhava o lugar em que Sergio deixou o carro no dia em que foi me buscar para sair com ele e Susana, com a expectativa de que o meu amigo argentino não tivesse ido embora. Mas, diante da inexistência de seu carro no local, quase me acostumava com a possibilidade de não vê-lo antes de viajar, já planejando ligar para ele e Susana no outro dia, antes de partir, quando vi o seu carro na porta do Clan, pela rua Adolfo Alsina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Por sorte, Buenos Aires, ainda que reclamem os argentinos de seu “perigo”, é uma cidade em que não é temível caminhar ou permanecer no carro, sozinho, á noite. Digo sozinho porque, como Sergio mesmo tinha dito à tarde, Susana não poderia me ver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Estava com fome e chamei Sergio para caminhar um pouco pela rua Tacuarí, em busca do único lugar aberto e onde se poderia comer empanadas (pastéis de forno). A tentativa de comer foi em vão. Tudo o que o lugar podia proporcionar tinha algum tipo de carne. Desisti e voltei com o meu amigo para o Clan.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ficamos, por horas, no terraço refletindo sobre aquela amizade que surgia tão forte e tão linda e, mais ainda, refletia sobre o encontro que tive com todas as pessoas que povoou a viagem que estava na véspera de encerrar sua parte “presencial”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Em algum momento, comecei a falar com Sergio sobre a coincidência dos filmes antes e depois de tudo, mas, sobretudo, sobre a compreensão, daquele momento, de que estava pronto para o presente e para o futuro, existente mesmo com a morte. Pois, esta não interrompe as experiências e as vivências. Mesmo que um se vá, tudo tem o tamanho tal de compartilhamento que tem sempre permanência na vida de alguém, alimenta ciclos, alimenta o amor e a esperança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Sergio, mais uma vez, com o seu jeito de olhar pleno de crença, sempre com um sorriso oculto, me fitava embevecido da minha fala, e, com isso, eu me sentia mais pleno de poesia e de reflexões.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Ficamos neste diálogo por horas, até que, perto de 2h da manhã, infelizmente, precisei pedir a Sergio que fosse para sua casa. Estava muito cansado. Queria dormir para enfrentar o dia seguinte, dia da minha viagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Descemos até a esquina da Alsina com a Tacuarí, lugar em que Sergio deixou seu carro e ficamos aí por mais um tempo. Como Sergio expressava, era difícil aquela despedida. Eu sentia saudade antecipadamente daquele amigo, enquanto ele me dizia do aprendizado que havia obtido no pouco tempo de convivência, da sua vontade de se entregar apenas àquilo de que gosta, de trabalhar com coisas que lhe dêem prazer, da sua única amizade com alguém de outro país latino-americano, mais surpreendentemente, com um brasileiro... (isso porque, imagino, aprendeu desde criança a acreditar na rivalidade futebolística).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Abracei o meu mais novo amigo e, de verdade, senti, naquele momento, que ele conseguia se libertar das dificuldades que tinha antes para abraçar e expressar seus sentimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Eu me emocionava, Sergio se emocionava... depois de um abraço bem forte, tal como fiz com Juan, deixei Sergio sem olhar para trás, de modo que fosse me acostumando com a sua ausência. Tudo isso porque não sei lidar com a perda e, toda partida para mim é uma forma de perder.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Entrei no Clan com um sentimento indescritível de não saber o que fazer depois de tantas experiências. E, ausente de qualquer compreensão, supus que o sono poderia me fazer assentar os pensamentos e, num cantinho da minha cabeça, construiria uma resposta para aquela dúvida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-2775916453537892270?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/2775916453537892270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=2775916453537892270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2775916453537892270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2775916453537892270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/buenos-aires-o-penltimo-dia-24-de.html' title='Buenos Aires – o penúltimo dia (24 de janeiro)'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1090561426660242091</id><published>2008-01-24T09:33:00.000-03:00</published><updated>2008-01-27T10:21:39.087-03:00</updated><title type='text'>A reta final</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Acho que já estou um pouco farto de viajar. Não sei se já cumpri o propósito do meu percurso ou se, simplesmente, já não consigo enxergá-lo nas andancas que faço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Depois de 39 dias, viajar não me permite encontrar nada novo e nem encontrar com o novo, do ponto de vista físico. Por isso, suponho que não me inspiro para os encontros espirituais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Sair de Montevidéo para Buenos Aires, mesmo que tivesse que passar por Colônia do Sacramento antes, nao me afetava. Estava cansado dos dias anteriores em bicicleta e a pé, queria dormir, queria chegar a Buenos Aires, na esperanca de que pudesse me aproximar do dia de voltar para casa. Reviver a minha cultura e, diante dela, absorver o que haveria me proporcionado esta viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Afinal, somente revivendo o cotidiano, posso compreender o que estes dias fora me proporcionaram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Era este o desejo que me movia desde a noite anterior, quando me separei dos brasileiros em Punta del Este. Precisava cumprir a etapa e me aproximar de casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Assim fui dormir e, assim me levantei, depois que fui acordado perto das 5h da manhã, por um pessoal que nao compreende o compartilhamento de dormitórios e arrumava suas mochilas dentro do quarto sem qualquer preocupação em não incomodar as pessoas com o barulho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Como não consegui dormir, apreveitei o tempo e o computador livre em Montevidéo para escrever as memórias dos últimos dias, ou pelo menos, aquilo que me mais me afetou e, portanto, ficou em minha mente, nos passados mais próximos 3 dias. O reflexo dos momentos constituídos desde a saída de Buenos Aires até Montevidéo e a minha permanencia na capital uruguaia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Apesar da ansiedade para escrever, para registrar tudo, com o passar da hora, ía ficando nervoso e preocupado em terminar logo para seguir em direçaõ a Colônia. Chegar cedo a esta cidade me faria aproveitá-la um pouco, sem o risco de perder o barco para a capital portenha. Mas, só parei quando meus pensamentos se materializaram completamente em meus escritos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Perto das 8h saí para tomar um banho, em seguida comi, registrei minha saída e fui, de ônibus, em direção à rodoviária. Isso me demandou tempo suficiente para perder o transporte das 9h30min para Colônia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Um pouco chateado, quase iria comprar passagem para as 11h30min quando achei melhor perguntar se não havia outra empresa que fizesse o percurso mais cedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Acabei viajando às 10h e chegando perto de 13h em Colônia. Minha meta seria deixar as mochilas em um guarda volumes ou despachar no porto com a empresa responsável pela travessia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Tudo em vão. A empresa que faz a travessia estava sem pessoal para fazer "check in" naquele momento e, na rodoviária, bem próxima ao porto, nao havia vagas para colocar as mochilas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Duas opções me restavam: ficar parado das 12h45min até as 17h, quando sairia o barco, ou aproveitar a cidade como desse, cheio de mochilas e de peso. Claro, optei por caminhar com as mochilas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Nao iria deixar que aquele instante passasse por mim sem que eu o aproveitasse de alguma forma. Ainda que já estivesse cansado de viajar, ainda que estivesse com vontade de voltar para casa... não poderia deixar a oportunidade de conhecer outro lugar passar por mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Percorri o centro antigo, de colonização portuguesa, onde se travaram batalhas entre portugueses e espanhóis pela região uruguaia. Enquanto fazia isso, procurava um lugar para deixar as mochilas, mas só me deparei com uma pessoa que se ofereceu para isso quando já se aproximava a hora de voltar ao porto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Tive que fazer toda a minha andança com o peso mesmo. Até que, quase caindo, resolvi passar numa sorveteria, descansar um pouco e tomar quase meio quilo de sorvete. Esse seria o meu almoco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Em seguida, voltei a caminhar e, já sem rumo, voltei ao porto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Perto de 17h, embarquei em direção a Buenos Aires. No caminho, conheço Oda, da Suíca, que vai se juntar a uma amiga na capital portenha e seguir novas viagens, bem como uma senhora da província de Neuquén, no sul da Argentina, em que está situada Bariloche.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Foi quase uma hora de muita conversa e de compartilhamento. Nem vi o tempo passar. Neste momento, falávamos sobre a forma das pessoas, sobre as impressões de cada um acerca das pessoas dos distintos países que conhecíamos, que visitávamos, Oda e eu, e compartilhávamos com as interpretações que tinha a senhora sobre as pessoas argentinas e uruguaias.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;&lt;br /&gt;Já no porto, Oda foi embora que nem se despediu (forma de ser muito estranha de alguns europeus), enquanto a senhora, ao sair, desejou sorte e uma linda permanencia em Buenos Aires.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Satisfeito pela existência de mais encontros, apesar do meu problema em iniciar conversas, da minha dificuldade, agora mais clara na cabeça, de impulsionar, em primeiro momento, os contatos, peguei minhas mochilas e segui pelo centro de Buenos Aires até o Clan. Pelo caminho, não encontrava aquela cidade tranquila que vi no domingo pela manhã. O barulho, a loucura, a presenca de muitas pessoas... tornavam Buenos Aires a cidade louca de que tanto os que vivem aqui falam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Também, no caminho presenciei dois protestos. O primeiro na praca de Maio, movido por funcionários de um cassino recén-fechado e outro, na Avenida de Maio, cercado pela polícia de choque. Eram jovens que cantavam, tocavam tambores, mas não carregavam faixas, não carregavam cartazes ou outras formas visuais de demonstrar suas reivindicações. Por isso, não consegui descobrir o que exigiam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Segui meu caminho até o Clan e, pela primeira vez, nao fui bem recebido por aqui. Mesmo quando nao tinha reservas e não tinha vaga, Nico, um dos gerentes daqui, sabendo que já havia estado no local antes, me conseguiu um colchão e tratou de resolver o problema. Ontem, infelizmente, mesmo com reserva não havia vagas e fui antendido por Gonzalo. Este, muito bruto, antes que resolvesse as coisas, tratou de, primeiro, ser mal-educado, de dizer um monte de bobagens, entre elas, que a palavra de que tinha feito a reserva não valia, que só tinha validade a palavra comprovada por um e-mail ou por anotação do pessoal local.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Embora pedisse para que olhasse o caderno de reservas, ele, o que fez foi me pedir que não fôssemos procurar culpados uma hora daquelas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; No final, conseguiu um colchão e me colocou no mesmo quarto em que estava antes de sair para Montevidéo, agora, na parte de cima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Muito chateado, dialoguei sobre o assunto com Vinícius. Mas, não deixei que isso me tirasse completamente do propósito de aproveitar o final da minha estada em Buenos Aires. Ao mesmo tempo, estava tão cansado que comi, tomei um banho e apaguei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; No meio da noite, chega Owen, com toda a sua atenção e simpatia. Ele me acorda e me oferece a sua cama. Ele iria dormir na casa de sua namorada e deixaria seu lugar vazio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Como já estava bem instalado no meu colchão, agradeci e lhe pedi apenas que apagasse a luz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Ele, com mais prova de respeito pelas pessoas, voltou o ventilador para mim, me perguntou se estava melhor para dormir e saiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Satisfeito por merecer o carinho de uma pessoa que conhecia muito pouco, voltei a dormir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1090561426660242091?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1090561426660242091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1090561426660242091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1090561426660242091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1090561426660242091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/reta-final.html' title='A reta final'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3105986670606793817</id><published>2008-01-23T07:08:00.000-03:00</published><updated>2008-01-23T07:09:35.109-03:00</updated><title type='text'>Punta del Este - a Miami Uruguaia - 22 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando pensava que passaria mais um dia sem muita coisa para fazer, sobretudo porque estava cansado dos dias anteriores, já tinha conhecido o que esperava conhecer em Montevidéo... os três brasileiros que estavam no quarto me chamam para ir até Punta del Este com eles e um casal de irmaos que também estavam no hostel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Pensei pensei... ate que resolvi acompanhá-los. Seria uma forma de interagir com outras pessoas, seria uma forma de brincar e me divertir um pouco na minha própria língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Perto de 10h, saímos Heri, Cris e eu, de ônibus, enquanto Conrado, Albertino e Yuri pegaram um táxi do hostel até a rodoviária. Todos levavam suas bagagens, embora somente Cris e Henri fossem registrar sua entrada em um hostel. Os demais iriam deixar suas mochilas em algum lugar e passariam a noite vagando até às 5h30min da manha do outro dia, horário em que voltariam para Montevidéo e, em seguida, sairiam para Colônia e, daí, para Buenos Aires.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Durante toda a viagem de ônibus Henri e eu conversamos, enquanto todos os outros dormiam. Eram vários temas ligados ao nosso dia-a-dia, as nossas formas de vida... até que chegamos ao tema das Fundaçoes de Amparo em Universidades Públicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Henri, estudante de Administraçao, defendia a sua existência como forma de garantir a estrutura dos cursos e de aprimorar a qualidade do ensino, embora reconhecesse que isso é mais difícil para os cursos das áeras humanas e que seria importante que os governos federal e estadual (no caso da USP, onde estuda), promover maior aporte de recursos, de modo que nao fosse necessário haver fundaçoes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Eu, por outro lado, argumentava que as fundaçoes sao uma forma sutil de privatizaçao das universidades, que a manutençao dos cursos através de empresas determinava a formaçao pouco crìtica dos estudantes e profissionais, que os cursos de maior "rentabilidade" se esquivam de lutar pela universidade pública, gratuita, voltada para os interesses públicos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; E, mais ainda, argumentei que as fundaçoes usam o nome da universidade, cobram altos valores por cursos promovidos e nao devolvem nada para as Universidades, principalmente em termos materiais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto nos empenhávamos nesta conversa, chegamos ao nosso destino Punta del Este.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Da rodoviária, fomos procurar um lugar para que Cris e Henri pudessem ficar e os meninos pudessem deixar suas mochilas até o outro dia. Em seguida, como precisava de uma boa alimentaçao, insisti na necessidade de procurar um ugar para comer, barato e de boa qualidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Sob o efeito de ter econtrado uma boa salada, com preos muito mais baixos que em Montevideo, comprei logo no primeiro lugar em que cheguei. Os meninos, mais espertos e muito cheios de malandragem, tentam baixar o preço do que gostariam de comer, e, tentativas em vao, foram para outro lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando chegamos aí, era tudo ainda mais barato. Ah, como me arrependi!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Pelo menos, pue complementar minha salada com outras coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Devidamente alimentados, depois de Henri insinuar para uma senhora uruguaia que precisava de casa por milhares de vezes e de sorrirmos muito com tudo o que acontecia, inclusive das compreensoes equivocadas que elas faziam do que Henri e os meninos falavam, fomos para a praia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Sob muitos apelidos que íamos nos dando, caminhávamos e ríamos sem parar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A mim, me chamavam de Profeta, de Jesus Cristo, de Che Guevara, Argentino... era muito engraçado e en cantador estar com aquelas pessoas naquele dia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Era igualmente encantador ver a uniao, o carinho e o respeito que Cris e Henri nutriam um pelo outro. Eram irmaos incrivelmente unidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Mais tade na praia tirávamos fotos juntos, caminhávamos, conversávamos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Até que os meninos, depois de uma caminhada que fiz com Albertino e Yuri em que falávamos sobre o direito, sobre o comportamento dos juízes diante de certos casos, resolveram jogar futebol. Eles que já tinham batido a Argentina no dia anterior por 12 a 11, queriam um novo jogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Desse vez, foi um 12 a 4 e um elogio no final de "os brasileiros jogam bonito". Os meninos e Cris, também fanática por futebol e que brincava como uma criança no meio de tantas outras na praia, eram só alegria e comentários do jogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; No fim da tarde, ao sair da praia, resolvemos passar no supermercado e ir para a rodoviária. No caminho, entretanto, vi uma linda paisagem e tive vontade de conhecer o lugar. Era a praia do outro lado da península de Punta del Este. Era linda, com um pôr-do-sol impressionante, com um pier, com uma passarela de madeira, uma ilha ao fundo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;E, apesar de parecer com Miami, tinha, muito próximo, uns jardins com flores coloridas,  lugar em que pedi para que Cris, com a sua beleza, ao mesmo tempo angelical e selvagem, posasse para umas fotos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Sob brincadeiras e piadas, tirei várias fotos da linda morena dos olhos verdes e, em seguida, fomos para a rodoviária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto esperávamos, mais brincadeiras, músicas e algazarra. Cris puxava o coro e, na despedida, gritavam: - vai profeta, vai Jesus Cristo. E, eu, morto de vergonha, tentava fazer de conta que nada daquilo estava acontecendo, embora estivesse, igualmente, feliz pela demonstraçao de carinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Às 21h, com o céu ainda avermelhado, tomei o ônibus para Montevidéo e, nas duas horas seguintes, além do cochilo, vim contemplando a lua cheia. Sua beleza era o presente por aquele dia e sua plenitude era o retrato de como me sentia naquele instante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Perto de 23h20min. cheguei no hostel, organizei minhas coisas, falei com Lis sobre Salvador, sobre a casa de Paulo, dei os telefones dele para ela, tomei um banho e fui dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Queria estar tranqüilo para viajar bem cedo no outro dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3105986670606793817?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3105986670606793817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3105986670606793817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3105986670606793817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3105986670606793817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/punta-del-este-miami-uruguaia-22-de.html' title='Punta del Este - a Miami Uruguaia - 22 de janeiro'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6273592565467495670</id><published>2008-01-23T06:20:00.000-03:00</published><updated>2008-01-23T06:23:32.417-03:00</updated><title type='text'>Montevidéo em bicicleta - 21 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;A capital Uruguaia parecia pequena e, segundo todos os que a visitam, é pequena. Movido por esta crença, na cidade quase plana, resolvi conseguir uma bicicleta para passar o dia, percorrer as ruas, conhecer as praias...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Na segunda-feira, foi um susto ao sair do hostel e encontrar tudo exatamente como nao era antes. A pressa, a fumaça dos carros e ônibus, o barulho, a quantidade de pessoas... essa nao era a Montevidéo que bailava ao vento, como no dia anterior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Fui até o hostel "Ciudad Vieja", indicado pelo pessoal do Che Lagarto, para alugar uma bicicleta. Mas, sem encontrar alguma bicicleta em condiçoes de, ao menos, andar, o baixo preço foi apenas uma forma de me deixar chateado. Principalmente, quando chego no Montevidéo hostel para alugar e qualquer bicicleta custava o dobro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Como queria conhecer mais rápido e percorrer distâncias mais consideráveis do que aquelas que posso fazer em mesmo tempo à pé, aluguei a bicicleta. Isso me custaria o almoço, mas aluguei a bicicleta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Rapidamente, me dirigi à costa. Ao longo de 19km, passando pelas praias de Pocitos, do Bueceo e dos Ingleses, percorri as margens do Rio da Prata quase confundíveis com o oceano Atlântico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Nao sei se por que se já tinha caminhado e andado de bicicleta tantos dias, além de ter mais hemácias por causa da altitude que enfrentei no norte da Argentina, no Chile e na Bolívia, nao sentia o esforço. Imprimia boa velocidade e em três horas, percorri os 38km de ida e volta por uma parte da costa de Montevidéo. Só assim, decobri que nao se trata de uma cidade pequena, como, de fato, imaginava. Quando pensava que a cidade se acabava, uma nova enseada se abria ao final de outra...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A cidade linda, moderna, antiga, de algumas poucas subidas e descidas, se mostrava para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ao chegar próximo do Centro, resolvi desviar da costa e entrei pelo Parque Rondó. Agora, por dentro da cidade, disputava o trânsito com outros tantos ciclistas, carros, motos e ônibus para ver lugares mais distantes, ainda nao visitados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de 6h30min, agora sim, destroçado, sem forças, tinha que devolver a bicicleta e voltar para o hostel, a poucos quarteiroes de lugar em que deixaria a companheira daquele dia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando cheguei no hostel, tentando comer alguns doces que havia encontrado pelo caminho, se acerca de mim, Ana, uma da pessoas que trabalham na limpeza do hostel. Ficamos conversando por um tempo, até que a ofereci alguns doces. Estava com fome, mas, recuperadas as energias, já nao aguentava mais olhar para coisas com açúcar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em seguida, chegou Gisele, uma outra brasileira do Rio Grande do Sul, formada em Administraçao, que tinha vindo passar uns dias em Montevidéo e estava trabalhando uma parte do dia no hostel para pagar sua estada. Conversávamos ate que chegou um rapaz de Salvador e se integrou por um momento ao nosso diálogo. Bom, neste momento, ele cortou a prática de espanhol que eu fazia com Gisele, já que ela está aprendendo a língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Mas, como ela precisa trabalhar, isso nao foi de todo um problema. Saímos da sala de TV e fomos para o bar, onde Gisele desepenharia suas atividades nas próximas horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto conversávamos, chegaram três norte-americanos (outros norte-americanos surpreendentes). Chamavam-se Lis, Luís e hava uma outra menina cujo nome nao lembro. Todos, incluídos em um programa de aprendizado da lingua espanhola no Chile, falavam espanhol e eram bastante abertos ao conhecimento de novas culturas. Luís, incusive, é um grande conhecedor da história e da geografia de outros países do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Diante de tamanha simpatia, nao pude resistir em tentar ajudar Lis, quando ela me disse que iria para Salvador nesta quinta-feira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Rapidamente, enviei um recado para Paulo, um amigo que tenho em Salvador, para saber da possibilidade de hospedá-la, juntamente com uma amiga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; E seguida, dei-lhe o e-mail de Paulo e os meus contatos, caso quisesse chegar até Aracaju.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6273592565467495670?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6273592565467495670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6273592565467495670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6273592565467495670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6273592565467495670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/montevido-em-bicicleta-21-de-janeiro.html' title='Montevidéo em bicicleta - 21 de janeiro'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-4564778634054549308</id><published>2008-01-23T04:43:00.000-03:00</published><updated>2008-01-23T05:58:27.265-03:00</updated><title type='text'>O vento baila em Montevidéo - 20 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Às 6h30min. da manha me despertei para enfrentar uma nova viagem. Agora, em  barco até a cpital do Uruguai, Montevidéo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Esperava uma nova jornada cheia de novas pessoas, mas traqüila em sua passagem, sobetudo, pelo cansaço físico que já começa a se estabelecer. Afinal, têm sido dias e dias de caminhadas, saídas em bicicleta...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Até perto de 8h esperei a chegada de Nacho no Clan, de modo que pudesse saber se o desconto que me havia prometido se efetivaria. Foi em vao. Ele nao chegava e tive que regitrar a minha saída com Max.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Este só me abateu o valor dos dias em que dormi no chao, ou seja, o valor de duas noites.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Registrada a saída, tomei o rumo à pé do porto em que pegaria o barco para o outro lado do largo Rio da Prata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; No domingo pela manha, Buenos Aires ainda dormia linda e calma. O silêncio era violado apenas pelo cantar de alguns pássaros ou, raramente, por algum automóvel. Era possível apreciar, ao rescente nascer do sol, suas ruas e avenidas completamente vazias de pessoas e plenas de história e de arquitetura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Com quase 20kg nas costas, depois de 20min. de caminhada, cheguei ao local de saída do barco, em que passei quase 30min. esperando para tirar as mochilas, fazer a emigraçao da Argentina e fazer a imigraçao no Uruguai, tudo no mesmo lugar, numa zona internacional do Porto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Saído o barco, depois de 3h de convivência com o mundo elitizado dos free shops, das madames e cavalheiros enlouquecidos por perfumes, produtos eletrônicos, comidas de "fino paladar", cheguei ao porto de Montevidéo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Nao havia nada aberto. Nenhuma informaçao possível. Tentei encontrar um meio com uma mulher da empresa que faz a travessia, mas ela, muito grossa, me pediu que pegasse um táxi ou perguntasse a algum motorista de ônibus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Resolvi sair do porto e buscar; por mim mesmo, os detalhes de como chegar aos inúmeros endereços de hostéis que, por sorte, havia buscado na internet no dia anterior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Na saída, um marinheiro e uma recepcionista. Fui em direçao a eles, mas ninguém sabia do que se tratava um hostel ou hostal (coo se costuma chamar em alguns lugares de fala espanhola). Quando apenas indiquei os endereços para os quais gostaría de ir, tudo ficou fácil. E, melhor, pude ter as informaçoes das regioes por onde nao passar, tendo em vista a existência de pessoas que podem cometer furtos e assaltos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Caminhando pelas lindas ruas, também vazias naquele domingo, do centro antigo de Montevidéo, era como se outro novo se me abrisse. Ao mesmo tempo em que via a arquitetura e o formato das cidades do sul brasileiro e de Buenos Aires, via a sigularidade, via a Montevdéo, apenas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Até que tive estes sentimentos cortados pela gravaçao de um filme. Tendo algumas ruas cortadas, carregando peso, tive que fazer arrudeios e mais arrudeios, portando, sair da rota traçada pelos únicos informantes que encontrei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Passava por uma rua, o filme, outra rua, outra cena do filme, uma praça, mais filme...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Depois de caminhar mais de uma hora, cheguei, quase morto, ao Che Lagarto, na praça da Indepedência, sede do governo Uruguaio. Acertei minha entrada, tratei de escrever algumas coisas e saí para comer alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; De pronto, percebi que Montevidéo nao é uma cidade barata como me diziam. Para comer qualquer besteira, sempre gastava o equivalente a R$ 9,00 ou R$  10,00, quando, por esse preço, é possível almoçar em alguns lugares de Aracaju.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Em seguida ao "almoço", fui caminhar. Estava morto, mas queria conhecer a cidade e, para isso, só caminhando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Por quase 4h percorri, ida e volta, uma avenida que corta a cidade desde o centro antigo até a parte nova de Montevidéo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; O sol era forte, mas o vento frio bailava sobre a cidade tranqüila. O céu azul me ajudava a olhar com mais vigor para as fotografias que a cidade me proporcionava de suas cúpulas, de sua gente, de suas fontes e de suas inúmeras estátuas de cavalos (como podia e esquecer que aqui o que mais tem é estátua de cavalo?).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Via crianças brincando (aproveitando as praças), casais namorando... eu me perdia nas brincadeiras das crianças...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Enquanto voltava, quase sem forças nas pernas, encontro, numa praça, um grupo de pessoas idosas , ao som do tango de baile (mais lento e menos caras e bocas), dançando, arrodeado de outros idosos. Era lindo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Naquele momento, era como se Montevidéo dançasse para mim, bailasse, empurrada pelo vento fresco, e fizesse, com o seu movimento, bailarem aquelas pessoas. Eram quase 21h e o céu ainda tinha um resto de sol.&lt;br /&gt;A poesia foi apenas interrompida pelo desejo incontrolavel de ir ao banheiro. Queria fazer xixi, mas estava tudo fechado, tentava encontrar um lugar, mas tinha polícia, tinha gente...&lt;br /&gt;Mesmo assim, queria, ainda, aproveitar o pôr-do-sol na beira do Rio da Prata, antes do seu encontro com o mar. As gaivotas faziam no céu, em homenagem ao dia que jazia, um outro baile.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Com aquelas imagens , voltei ao hostel, queria tomar um banho, sair para comer algo e dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando cheguei no hostel, encontrei, no mesmo quarto que eu, um grupo de três brasileiros, dois de Minas Gerais, estudantes de direito, e um do Rio de Janeiro, formado em Economia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Saímos juntos para comer e conversar. Mas, nao fomos muito longe. Depois de nos sentirmos ameaçados por um cara que nos seguia e pedia dinheiro, no calçadao do centro antigo de Montevidéo, acabamos parando em uma pizzaria. Neste lugar, encontrei saladas e suco. Tudo o que eu precisava, depois de dias sem me alimentar bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Enquanto comíamos, nao sei em que momento, surge a conversa sobre Direitos Humanos, políticas públicas, direitos do trabalhador...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Para Conrado, o economista, e para Yuri, um dos estudantes de direito, os encargos sociais e os direitos dos trabalhadores, precisavam ser relativizados. Segundo eles, é muito caro manter os postos de trabalho e, cortar direitos seria uma forma de aumentar o número de empregos formais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Evidentemente, discordei dessa posiçao, acompanhado por Abertino, formando em direito. A exploraçao do trabalho, como melhor pode ser chamada a relativizaçao dos direitos trabalhistas, jamais será uma garantia de emprego. No atual estado de coisas, exige-se um padrao de trabalhador e trabalhadora altamente qualificados e dispostos a ganhar menos. A populaçao de "sobrantes", pessoas que nao tiveram oportunidade de estudar e nao têm "lugar" de trabalho possível, continuará sem emprego em qualquer circunstância, salvo uma açao direta do Poder Público para a criaçao de condiçoes (cooperativas, associaçoes) para que, grupos humanos, completamente excluídos de condiçoes dignas de vida e de trabalho, possam encontrar sua vocaçao.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Para completar estas idéias, levantei ainda o argumento de que a economia precisa enxergar as pessoas, antes de mirar os interesses das empresas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Sob este tema de discussao, comemos e nos dirigimos para o hostel. Mas, enquanto fui dormir, os três resolveram sair para um barzinho e tomar algumas cervejas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-4564778634054549308?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/4564778634054549308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=4564778634054549308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4564778634054549308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4564778634054549308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/o-vento-baila-em-montevido-20-de.html' title='O vento baila em Montevidéo - 20 de janeiro'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1989456705538003115</id><published>2008-01-20T14:07:00.000-03:00</published><updated>2008-01-20T14:59:40.643-03:00</updated><title type='text'>Caminhos cruzados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Buenos Aires parecia parada aos meus olhos e, para que nao me cansasse de passar todos os dias pensando somente, resolvi caminhar mais um dia. Era como se quisesse fatigar o meu corpo e sentir tudo o que a cidade pudesse oferecer a um caminhante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Assim, depois das 10h da manha, saí em direçao a lugar nenhum, em busca de nao sei o quê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Segui por Corrientes... tomei como referência shoppings para ter uma idéia do quanto iria caminhar e para ter, pelo menos, condiçoes de encontrar mais facilmente informaçoes e pedidos de ajuda, em caso de eventual perda do caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de 2h, cheguei próximo do número 3400 em Corrientes. Era um shopping, cujo nome nao lembro, em que fiz um rápido percurso e saí. Tomei o metrô de volta ao Obelisco, na praça da República, e daí, reiniciei a caminhada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Fui até Palermo, em uma área linda e bem afastada do centro de Buenos Aires Capital Federal. Aí, sabia o que buscava. Queria encontrar uma loja que fabrica e vende malabares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Pelo que vi na internet, eram coisas muito legais e queia ver se encontrava algo que pudesse levar para o Brasil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, mas era tudo muito caro e resolvi deixá-los todos em seu devido lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando ía em direçao ao centro, resolvi ligar para Sergio e Susana para ver se conseguíamos sair, pelo menos, à noite, depois da tentativa frustrada do dia anterior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Consegui falar com Sergio, que às 20h passaria no Clan para me pegar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Sair com Sergio e Susana foi o que de mais importante me passou no dia. De fato, foi uma linda encruzilhada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de rodar em carro por quase 1h30min, com os meninos perdidos em sua própria cidade, chegamos à praça Itália em Palermo. Em meio aos milhares de pessoas que se amontavam nas calçadas e de bares e restaurantes de Palermo, buscamos um lugar onde aportar e passar alguns momentos conversando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando encontramos um lugar que nos agradou, nao havia lugares na calçada, somente na parte de dentro. Ao entrarmos, Susana percebeu que havia uma mesa recém-desocupad. Enquanto Sergio e ela davam a volta temerosos por nao perder a mesa, eu, que nao perder a criança que tem dentro de mim, pulei a janela e me sentei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Isto foi o mote para que inciássemos uma linda conversa sobre molecagem, ser criança, tolhimento...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em seguida, como Sergio e Susana têm um encantamento pelos sons da língua portuguesa, ficamos brincando com as palavras que tinham sentido diferente, embora se escrevessem de forma semelhante, nas nossas línguas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A melhor parte dessa conversa foi quando começamos a falar dos palavroes. Susana era pudica. Tudo o que se dizia, ela afirmava que era pesado, nao repetia os palavroes, nao queria que Sergio me ensinasse ou repetisse quando nao entendia. Por isso, começamos uma conversa filosófica sobre a repressao da sexualidade e sua face disposta na negaçao do corpo humano com lugar de beleza e satisfaçao. Afinal, todos os palavroes tem algo a ver com o corpo e com a expressao da sexualidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em alguns momentos, Susana aproveitava para brincar com o meu modo de falar espanhol, que se assemelha mais ao modo ibérico que ao argentino, e fazer  algumas correçoes no meu modo de dizer algumas coisas. Por um segundo, quando lhe disse algo sobre a imposibilidade de falar tudo perfeito como uma pessoa de fala espanhola, ela pensou que eu estivesse chateado e me disse que nao iria mais falar sobre isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Na verdade, eu gosto que me corrigem porque tenho mania de perfeiçao, e essa seria uma forma de tornar o meu espanhol cada vez melhor. Quando as pessoas dizem que falo perfeito, nao acredito. Sei que ainda posso melhorar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, ficamos horas conversando, até que bateu o cansaço e a lembrança de que no outro dia iria para Montevidéo bem cedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Tiramos fotos juntos... tirei algumas fotos de Susana e Sergio e iniciamos o caminho para o hostel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto percorríamos os caminhos portenhos, ambos me falavam do nosso encontro, de sua satisaçao em me conhecer, de como falavam de mim para sua família... nem de perto imaginavam como eu era quem estava feliz em ter encontrado pessoas tao lindas, nem imaginavam que sua existência em minha vida a havia posto publicamente para que todos os meus amigos, amigas e quem quisesse ler o que escrevo, pudessem saber deles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Para completar sua entrega, na porta do Hostel, Sergio, com os olhos molhados, e Susana, chorando, me disseram que a minha vida havia tocado suas vidas. E, mais... com um pouco de exagero, me lembraram que já tinham me dito que eu parecia com Jesus Cristo e que, para eles, eu era o seu Jesus Cristo. Que era um modelo de ética e de dedicaçao para as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Fiquei feliz com tudo isso. Mas, ao mesmo tempo, me senti obrigado a suportar, mais uma vez, a responsabilidade de seguir uma vida com etica, respeito e dedicaçao às pessoas sem decepcioná-las. O que, às vezes, me tira o direito de ser eu mesmo, com os meus limites e capacidades. Me impede de dar outros rumos a minha vida, quando nao quero seguir a mesma rota.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Cantei para eles Cançao da América. Emocionados, nos abraçamos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Embora muito aberto fisionomicamente para a vida, senti que Sergio tem problemas com o abraço. Nao consegue dar-se no momento do abraço. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Os argentinos se cumprimentam com beijos, mas tudo isso é, muitas vezes, apenas um modo automático e sem sentimento de se encontrar com as pessoas. O próprio Sergio confirmou que isso lhe passava, que nao conseguia dar um abraço, nao obstante quisesse libertar-se do fato nao saber fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em seguida, me disse que, de outra vez, me daria um verdadeiro abraço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Evidentemente, nao deixei que essa outra vez se demorasse. Naquele mesmo momento, dems um grande e emocionado abraço. E, a ele unimos Susana. Ficamos os três abraçados por algum tempo, no meio da rua, sem que ninguém pudesse entender o que passava. Apenas sentíamos a existência um do outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ao final, nos despedimos mais uma vez e entrei no Clan. De cara, encontrei Vinícius, lhe contei o que passou e ele também se emocionou. Em seguida, me deu tambem um abraço, antes que me emprestasse seu desertador/celular para ajudar-me no outro dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Encantado pela magia daqueles momentos, arrumei as mochilas e fui domir. Cansado e feliz em existir, em encontrar pessoas, em ser um caçador de nuvens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Um caçador de nuvens... como é bom caçar nuvens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1989456705538003115?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1989456705538003115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1989456705538003115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1989456705538003115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1989456705538003115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/caminhos-cruzados.html' title='Caminhos cruzados'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6636543493398679391</id><published>2008-01-19T08:12:00.000-03:00</published><updated>2008-01-19T08:58:38.583-03:00</updated><title type='text'>Outro dia sereno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Buenos Aires nao é nada serena se a olhamos do ponto de vista de seus moradores e pessoas que se relacionam em meio a suas ruas, avenidas e esquinas. É intensa, rápida, plena de gente que vai e vem como se fora tudo programado para ontem, como dizemos para referenciar algo de muita urgência.&lt;br /&gt;Eu, ao contrário de tudo isso, estou parado... estou pensando... vivencio o retorno antecipado, como já disse, para absorver, ainda que inconscientemente, as experiências de todo o percurso.&lt;br /&gt;Neste sentido, vivenciei um outro dia apenas de contemplaçao, embora, como no dia anterior, fosse preciso realizar algumas açoes para a continuaçao da viagem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stricto sensu&lt;/span&gt;, porque a viagem, de fato, nunca terminará.&lt;br /&gt;Ir ao banco, procurar passagens e outras formas de chegar ao Uruguai, foram as açoes que me tomaram pela manha.&lt;br /&gt;À tarde, depois de um breve almoço, sob o sol, em um banco do calçadao de Puerto Madero, liguei para Sergio e Susana, com o intuito de que organizássemos um novo encontro para a noite, e resolvi rever a Boca.&lt;br /&gt;Pensava em chegar até o estádio do Boca Juniors, mas quando percebi que aquele lugar, mais que em 2005 quando estive em Buenos Aires pela primeira vez, as vielas haviam se tornado um grande comércio, inclusive de tango, nao havando nada mais do comprar como atividade.&lt;br /&gt;Em fuga das compras, perdi o ânimo para estar na Boca e tentar chegar até o estádio do Boca Juniors. Percebi que os motivos que movem as pessoas a estes lugares nao sao compatìveis com os meus.&lt;br /&gt;Voltei para o meu abrigo: o Clan. Aí sim, de alguma forma, me sinto mais preenchido. Ao chegar no hostel, minha cama (meu colchaozinho no chao de um quartinho no fundo), tinha sumido.&lt;br /&gt;Preocupado, desci para falar com Nacho. Sua resposta foi que já tinha um lugar digno para que eu permanecesse. E, me mostrou uma cama num quarto no primeiro andar.&lt;br /&gt;Por se tratar de um quarto com muita gente, pensei muito antes de fazer a escolha, mas, como nao tinha como retornar ao meu lugar, que já estava preenchido por outras três pessoas, acabei aceitando. As outras opçoes eram ainda piores. Quartos muito mais próximos do bar e do barulho das festas do Clan.&lt;br /&gt;Em seguida ao aceite, antes mesmo de descer as minhas coisas para o primeiro andar, fiquei ajudando Nacho a dobrar os mapas que se entregam aos cleintes. Fazia parte (e faz parte) de meu modo de refletir, realizar trabalho com as maos.&lt;br /&gt;Por quase duas horas, dobrei e dobrei, juntamente com os mapas, meus pensamentos. Às vezes, nao sei nem em que pensava, em que lìngua, mas deixava a fluidez da minha mente se encarregar do quê e de que modo se espraiar.&lt;br /&gt;Enquanto estava ali no meu trabalho, conversava sobre vários assuntos com Nacho e, em algum momento, ele me prometeu um desconto nas minhas estadas. Me cobraria o preço anterior à alta estaçao, pelos motivos de estar no colchao e por ter contribuído com a casa.&lt;br /&gt;Fiquei feliz com isso, mas, ao mesmo tempo, apreensivo. A recepçao tem muita rotatividade, podendo ser que, no instante em que registre a minha saída, amanha, antes de ir para Montevidéo, Nacho nao esteja e toda a promeça se perca.&lt;br /&gt;Bom, mas de qualquer forma, já valeu pela simpatia e pelo reconhecimento me foi despendido com a promessa.&lt;br /&gt;Durante a conversa e a dobradura, chega também Vinícius. Ele queria ir para o terraço conversar. Mas, já tinha assumido o comprisso de dobrar os mapas. Faltava pouco e nao gosto de deixar as coisas que começo pela metade. Pedi, em vao, que ele esperasse um pouco.&lt;br /&gt;Ele foi sozinho. Paciência!&lt;br /&gt;Em seguida, desci com as minhas mochilas, me instalei no quarto e fui para a sala de televisao. Estava passando um filme na Warner Bros terrível. Uma completa propaganda ideológica comprada pelas pessoas de origem nórdica que assitiam à TV antes que eu chegasse.&lt;br /&gt;À custa de encontrar supostos terroristas, o filme justificava a tortura como método de obter informaçoes; justificava o homicídio de suspeitos; defendia a esquizofrenia coletiva e a construçao de panóptipos sociais, através do incentivo à delaçao de comportamentos suspeitos promovidos por determinados segmentos étnicos. Era uma completa barbárie.&lt;br /&gt;Quando permaneci só, tratei de mudar de canal. Queria ver esportes.&lt;br /&gt;Até chegarem uns israelenses que nao paravam de falar (muitas vezes, os hebreus adotam uma série de comportamentos anti-sociais e, por isso, nao sao bem aceitos em hósteis), assisti ao basquete NBA. Depois, a todo momento, queriam mudar de canal, queriam assistir a outras coisas...&lt;br /&gt;Fizemos um acordo quanto a mudar do basquete para o tênis, mas os três (dois rapazes e uma menina) nao paravam de falar.&lt;br /&gt;Ansioso porque Suzana e Sérgio nao me ligavam e sem conseguir ver nada mesmo, resolvi deixar a sala de TV e ir para o computador tentar algum contato com os amigos que conheci durante a viagem da fronteira da Argentina com a Bolívia até aqui.&lt;br /&gt;Havia um e-mail de Suzana informando que o telefone que tinham do Clana nao estava funcionando.&lt;br /&gt;Deixei um novo e-mail dizendo que já estava tarde, convidei para que passássemos o dia juntos e fui dormir.&lt;br /&gt;Tratando-se de um quarto muito movimentado, esta foi uma tarefa muito difìcil, mesmo com protetores de ouvido. A cada batida de porta, nao apenas extremecia as paredes. Minha cabeça tremia junto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6636543493398679391?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6636543493398679391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6636543493398679391' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6636543493398679391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6636543493398679391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/outro-dia-sereno.html' title='Outro dia sereno'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6221095422160472676</id><published>2008-01-18T09:36:00.000-03:00</published><updated>2008-01-18T09:40:58.471-03:00</updated><title type='text'>Buenos Aires serenos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Depois de tantas experiências, depois de tanta reflexao e felicidade de me sentir outra pessoa, mais ainda, por imaginar que, agora, na volta para Buenos Aires, nao necessito de pressa para conhecer a cidade e as pessoas, vejo, serenamente cada rua, cada pessoa, cada esquina que se cruza e, que ao se cruzar, me leva a uma nova encruzilhada de pensamentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Apenas caminho... e caminho... é como se caminhar me levasse a todos os pensamentos e a todos os momentos da viagem. Muitas vezes, inclusive, revivo sensaçoes, interessantes e nao tao interessantes, que constroem esta viagem. Digo constroem porque nada pode ser fracionado. Uma experiência só se conta pelo todo.&lt;br /&gt;Se caminhar é parte deste processo, o dia de ontem nao poderia ser diferente. No meio desta caminhada, a realizacao de algo que se fazia necessário, mas nada que nao estivesse, diretamente vinculado ao propósito central de vivenciar.&lt;br /&gt;Mesmo tendo que deixar a roupa para lavar, precisar comprar uma outra mochila para substituir aquela que se "portou" muito bem até poucos dias... tudo era parte da caminhada do meu dia.&lt;br /&gt;Depois de quase 4h, voltei ao Clan, ao espaço que, como um verdadeiro Clan, faz a cada um de nós se sentir portadores e integrantes de uma família. Uma família um pouco barulhenta, plena de festas durante todos os dias da semana... uma semana mais parecida com o tempo de matrimônio de uma família cigana.&lt;br /&gt;Reorganizei as coisas, agora na nova mochila, e, mesmo querendo voltar logo para a rua, me senti convidado para uma conversa com os brasileiros Roberto e Vinícius, que estao também no Clan. Roberto, aliás, já estava aqui quando estive pela primeira vez. Agora, trabalha fazendo o almoço.&lt;br /&gt;Por quase duas horas, conversamos. É verdade, que os assuntos, em alguns momentos pouco me atraíam por se tratarem de temas e posturas muito machistas. Mas, a presença deles, apesar de certos diálogos, é agradável e brasileira. Digo brasileira no sentido autêntico de acolhedora, compartilhadora.&lt;br /&gt;Depois, quando ía sair, Vinícius se ofereceu para me acompanhar na caminhada da tarde. Mas, na verdade, ele queria companhia para caminhar também em busca de algumas de suas necessidades, agora que vai morar em Buenos Aires por um ano, para estudar medicina.&lt;br /&gt;Por Florida, por Lavalle, por Corrientes... caminhamos em busca de um celular para Vinícius, que se dizia germano-brasileiro, empresário, advogado, doutor em direito tributário por universidade alema, taurino, casado... ufa!&lt;br /&gt;Foi uma tarde para escutar estórias.&lt;br /&gt;Já no final da tarde, enquanto o cansaço de ter ficado a noite no computador escrevendo as memórias de dias anteriores, fomos ao Puerto Madero. Queria ver as passagens em barco para Montevidéo e, ao mesmo tempo, caminhar. Vinícius queria apenas tomar sol. Por isso, depois que vi tudo o que precisava ver para seguir viagem para o Uruguai, paramos por quase uma hora para que ele ficasse ao sol.&lt;br /&gt;Em seguida, subimos de novo para Florida. Como a pizzaria que Vinícius buscava estava fechada, fomos ao supermercado, já muito próximo do hostel, compramos algumas coisas e fomos para "casa".&lt;br /&gt;Aí conheci uma menina alema que gostava muito do Brasil, mas tinha muito medo de ir até o nosso país, segundo ela, por causa da violência. Por um tempo, enquanto comia, conversamos. Tentava eliminar um pouco dos seu preconceitos em relaçao ao Brasil e, escutava sobre suas atividades sociais em Buenos Aires.&lt;br /&gt;Como costuma acontecer em hosteles, a gente conversa com as pessoas e consegue saber seu nome. De fato, nao sei essa informaçao importante. Por isso, a chamarei, infelizmente, de "ela".&lt;br /&gt;Ela me disse que paga para ficar alguns dias brincando, dando aulas de inglês, de instrumentos musicais para crianças e adolescentes de bairros pobres de Buenos Aires (me mostrou algumas fotos deste trabalho, incusive).&lt;br /&gt;Para isso, recebe uma camiseta e passa o dia se divertindo enquanto faz o seu trabalho.&lt;br /&gt;Quem me conhece, deve estar pensando se eu nao vou fazer uma crìtica severa a este tipo de atividade. Evidente que devo fazer uma crítica (nao concordo com este tipo de açao assistencialista). Mas, nao posso ser severo nas palavras. Nao posso ser julgativo e arrogante. Posso ser radical sem ser desrespeitoso para dizer, serenamente, que nao considero trabalho social tudo o que perde a oportunidade de transformar, com direitos e com dignidade a vida das pessoas.&lt;br /&gt;Decerto, as crianzas estao na fase de brincar e brincar pode ser um grande momento para transformar a vida das pessoas, para promover encontros de vida que constroem reflexoes. Mas, esta brincadeira precisa estar ligada à idéia de transformaçao, nunca de manutençao da ordem de coisas.&lt;br /&gt;Toda vez que, numa comunidade, a brincadeira é usada nao para refletir sobre a realidade, mas para esquecer os problemas e aliviar as desconfianças e os medos quanto aos seres humanos que ali se formam; quando estamos pensando muito mais em nossa consciência e em nossa felicidade do que na felicidade daquelas pessoas e na dignidade daquelas pessoas... estamos abandonando a idéia de trabalho social.&lt;br /&gt;Com estas reflexoes, terminei de comer, lavei meus pratos e saí em direçao a ela. Mas, ela se foi. Queria olhar o mapa do Brasil e identificar Aracaju, cidade que lhe apontava como meu lugar de origem.&lt;br /&gt;Ficamos olhando o mapa por um tempo e saímos. Fui para o computador tentar me corresponder com Susana e Sergio, mas também com os outros companheiros com quem havia promovido encontros nesta viagem.&lt;br /&gt;Em seguida, deixei que o sono me fizesse o convite. Tomei um banho e dormi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6221095422160472676?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6221095422160472676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6221095422160472676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6221095422160472676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6221095422160472676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/buenos-aires-serenos.html' title='Buenos Aires serenos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-535429055288047669</id><published>2008-01-17T03:02:00.000-03:00</published><updated>2008-01-17T03:28:38.921-03:00</updated><title type='text'>A viagem para Buenos Aires</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt;A solidao da viagem para Buenos Aires só se rompia quando, em algum momento de parada, Sergio e Susana viam conversar comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Mais uma vez, eram só perguntas. Parecia que as minhas idéias, a minha vida, geravam muita curiosidade neles. A própria Susana na hora do almoco reconheceu isso. Ela dizia que, todo o tempo, só me faziam perguntas e nunca me deixavam comer. Isso porque, no café-da-manha tinha sido assim, porque naquele momento do almoco estava sendo assim e em qualquer parada, mínima que fosse, estava sendo assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Eu nao me incomodava. Eu estava adorando conhecer gente tao bonita, apesar de serem, aparentemente mais elitizados, menso envolvidos com questoes mais críticas e com as discussoes sobre política.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Como estavam quase sem dinheiro, devido a extorsao, Susana e Sergio quase nao comiam. Aproveitavam o lanche que haviam servido no onibus e economizavam. Por diversas vezes, ofereci comida, dinheiro... mas eles nao queriam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Eu sabia que nao tinha muito, mas nao podia deixá-los com fome. Seriam, pelo menos, mais 12 horas de viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; No almoco, voltamos a nos reunir e, como vi que eles nao tinham nada pra comer, nem dinheiro, os convidei para almocar. Meio com vergonha, eles aceitaram, mas nao quiseram pedir nada que fosse caro. Resultado, pagamos 18 pesos e comemos bem os tres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Mais adiante, próximo a Buenos Aires, Susana me envia um bilhete, se colocando a disposicao em Buenos Aires e chamando para sair no final de semana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Acho que tinha sido esta a forma que encontram de selar aquele nosso encontro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Quase 21h chegamos a rodoviária do Retiro, no centro de Buenos Aires. Aí, nos despedimos calorosamente com a promessa de que nos encontraríamos e me fui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Queria novamente caminhar em Buenos Aires. Queria novamente ver as pessoas de Buenos Aires, interagir com Buenos Aires... por isso, optei em ir até o Clan, hostel em que fiquei logo que iniciei esta viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Quando cheguei aí, nao havia vagas, mas ao ver que me conseguiram um lugar para dormir, e ao rever Owen, Nacho, Leandro... fui povoado de um sentimento profundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Nao sabia explicar, mas me sentia uma outra pessoa. Era como se, agora, pudesse olhar para aquele lugar e para mim mesmo de forma completamente diferente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Conversava com Nacho, contava as experiencias... estava entusiasmado e ele também se entusiasmava com minhas histórias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Era bom. Tudo era bom!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Mas, precisava, depois de dois dias sem um banho, precisava organizar as coisas e lavar a alma. Tirei tudo o que precisava lavar, organizei minha mochila, tomei um banho e desci para escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Queria reviver Potosí, para retomar o que havia deixado inacabado, queria reviver a viagem para falar de Sergio e de Susana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Ao mesmo tempo, queria falar com a minha casa e me sentir novo diante da voz de minha mae. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Estranho, mas, quando falava com minha mae, esta sensacao passou. Nao sei se tinha medo de sentir o que eu sentia, se achava que tudo o que sentia se perderia com a volta a casa... ou se tinha medo porque, naquele momento, iria assumir uma acao que poderia nao gostar, a de ter mascado folha de coca na Bolívia. O motivo era verdadeiro, mas nao sabia o que iria pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Eu sempre gosto de dizer a verdade aos meus pais e de assumir as coisas que faco. Mas, em alguns momentos eles interpretam meus atos de forma equivocada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Vendo que minha mae nao teve qualquer reacao adversa, me senti mais tranquilo para pensar, para refletir e para escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Quando consegui o computador, toda a sensacao de antes me tomou de novo. Principalmente, porque havia e-mails de Susana, de Javier, de Nora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Li tudo, respondi e, povoado de sensibilidade, me pus a escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;font-family:courier new;" &gt; Assim, estou as 4h20min da manha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-535429055288047669?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/535429055288047669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=535429055288047669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/535429055288047669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/535429055288047669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/viagem-para-buenos-aires.html' title='A viagem para Buenos Aires'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-8761111142908598625</id><published>2008-01-15T12:09:00.000-03:00</published><updated>2008-01-17T03:01:47.009-03:00</updated><title type='text'>A riqueza explorada de Potosí</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Dia 14 de janeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Muito cedo, depois de quase 11h de sono, me levantei. Queria tomar um banho, registrar a saída do hostel e ir até as minas do Cerro Rico de Potosí. Estava ansioso para ter contato com o que descreveu Galeano, acerca da exploracao espanhola, em seu "Veias Abertas da América Latina".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Também, depois de pensar um pouco na quantidade de dias que tinha até o meu retorno para o Brasil, estava decido que voltaria a noite para Villazón e, daí, para o norte da Argentina, sob pena de nao conseguir chegar até Assuncao. Imergir-me na realidade de Assuncao me permitiria formar uma idéia mais nítida acerca do Paraguai, haja vista, daquele país, conhecer apenas Ciudad del Este, por ter vivido um ano em Foz do Iguacu e vivido os problemas de violacao de direitos humanos de criancas e adolescentes na fronteira.&lt;br /&gt;Essa seria uma forma de compreender efetivamente o grau de destruicao que nós brasileiros produzimos na história e na vida do povo paraguaio, durante e depois da Guerra do Paraguai.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Com estes pensamentos, me dirigi para a agencia Cerro de Plata, lugar em que reencontrei Marcelo. Conversamos um pouco e lhe pedi que me indicasse um lugar para tomar o café-da-manha. Sem qualquer vacilacao, ele me acompanhou a até o mercado central de Potosí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando cheguei ao local, tentei esquecer o modo como se fazia a comida e as condicoes de higiene. Revivendo o contato que tenho no Brasil com pessoas em situacoes de vulnerabilidade social, esqueci todos os meus julgamentos e apenas comi. Saboriei tanto quanto quando, no meu trabalho de defesa de direitos humanos, sou convidado a comer com as pessoas as quais defendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Sem remorco ou preocupacao por haver comido no mercado de Potosí, terminada a refeicao, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;voltei a agencia e conversei com Evelyn. Queria saber mais sobre a ida as minas e sobre a possibilidade de obter uma passagem para Villazón.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Enquanto conversávamos, chegaram outras pessoas que também iriam para as minas, cuja entrada só é permitida com guias habilitados e conhecedores dos caminhos internos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Entre as dezenas de argentinos que estavam no onibus, estavam Nora e Guillermo. Foi uma grata surpresa nos reencontrarmos mais uma vez. E, foi uma felicidade recíproca, saber que nossas buscas em relacao a Potosí se assemelhavam. Estavam plenas da consciencia e da necessidade de conhecer melhor a história da América Latina.&lt;br /&gt;Era uma pena que nem todos os que nos acompanhavam &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;tinham consciencia do que estavam por ver. Alguns tinham o propósito de fazer turismo. Por isso, brincavam.&lt;br /&gt;Eu estava ansioso, ao mesmo tempo, curioso e politicamente enraivecido, em tomar contato com a injustica colonial em nossas terras latinoamericanas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Esta ansiedade foi aumentando quando cheguei ao pé do Cerro Rico, com a histórias reveladas por Aleida, a nossa guia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Um dos mitos que tratou de rebater foi o de que os indígenas sempre colaboraram com os espanhóis para a exploracao do Cerro, retratado num quadro afixado no Museu Casa da Moeda.&lt;br /&gt;Segundo os dados e as comparacoes históricas que fez diante de nós, a ajuda indígena nao passava de uma inverdade. Jamais Diego Hualpa (acho que é assim) informou voluntariamente aos espanhóis onde estavam as minas de prata. Foi obrigado a fazer isso depois que os espanhóis, ante a estagnacao das minas que explorava a 15km de Potosí, perceberam o uso de adornos de prata por parte dos indígenas como uma indicacao da existencia de outro lugar de exploracao de prata muito perto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Além disso, jamais os indígenas poderiam colaborar com os espanhóis para a a exploracao de novas minas de prata se o seu principal meio de exploracao se daria através do uso escravista de seu trabalho.&lt;br /&gt;Nao é por acaso, também, que este trabalho, bem como a própria mina eram cercados de mitos e vigiados pelo olhar atento de um "Tio" (forma Quechua de dizer Dios, já que na sua língua nao existe a letra e o som de "d"), inicialmente, identificado com o diabo. Ademais de impedir que o trabalho fosse interrompido, o demonio garantiria que a riqueza daquele cerro nao seria desviada pelos índios, já insitados a crer que tudo o que se extraía era de propriedade de outros que viriam de muito longe para explorar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Com o tempo, o diabo passou a ser uma figura que ao mesmo tempo protegia os indíos das catástrofes dentro do Cerro e que fecunda a Pacha Mama para que a riqueza continuasse existindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Outra informacao interessante é a que impede o trabalho das mulheres dentro do Cerro. Segundo Aleida, como o Cerro é uma mulher, a Pacha Mama, a presenca de outras mulheres trabalhando, poderia colocar ciumenta a terra e provocar acidentes. Por isso, as mulheres sempre coube o trabalho externo ao cerro, de catar os restos de metais. O que no passado era uma forma de nao desperdicar as riquezas, atualmente, é um meio de coloborar com a sobrevivencia da família.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Passadas as histórias, Aleida nos deu um curso rápido sobre a exploracao e os materias usados na mina. Ao mesmo tempo, nos incentivou a fazer uso da folha de coca para suportar a falta de ar e a pressao dentro do Cerro que está há 4.262m de altitude.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; No início, tive um pouco de resistencia. Mas, ao perceber que se tratava de um costume local despretensioso, ou seja, que nada tinha a ver com o uso de "drogas" ou qualquer forma de alucionógeno, ademais de comecar a sofrer os efeitos da montanha, me desprendi de meus preconceitos e coloquei algumas folhas de coca no canto da boca, juntamente com uma pedrinha de cinzas vegetais, sal e banana, para facilitar a liberacao do sumo.&lt;br /&gt;Rapidamente, percebi que a única coisa que provoca é passar a dor de cabeca e relaxar a corrente sanguínea para que nao necessite tanto de oxigenio. No mais, só uma dormencia no local onde está colocada, juntamente com a coloracao dos lábios e dos dentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Durante todo o percurso em que víamos homens e criancas trabalhando, Aleida ía nos informando sobre a história, sobre mais lendas, sobre os problemas de saúde, sobre a injustica das exploracao do trabalho daquelas pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Eu, particularmente, me indignei com o fato de ver criancas que passam dias e noites sem sair a luz, somente mascando coca e recebendo os presentes que trazem os visitantes das minas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Por horas, ficamos eu e um grupo de argentinos dialogando com a Aleida sobre a necessidade controle estatal daquela situacao, sobre a necessidade de políticas públicas de combate ao trabalho infantil penoso nas minas. Quando Aleida nos respondeu que concordava com a gente, mas que estávamos em um país pobre, pleno de complexidades, quase sempre relacionadas a quantidade de etnias e a difícil possibilidade de diálogo entre os diferentes povos indígenas e entre estes e as elites que sempre dominaram o país, tive que concordar. Afinal, nao é fácil mudar o que tao complexamente está posto, como as barreiras étnicas, exacerbadas pelas elites dominantes como forma de impedir o poder indígena.&lt;br /&gt;No entanto, há que se fazer uma ressalva. Devo dizer que concordo que seja difícil mudar a realidade de anos de exclusao e de exploracao indígena, principalmente porque, muito similiar ao que diz Fanon (Los Condenados de la Tierra), as tradicoes, as autoridades religiosas e tribais, bem como as diputas intetribais, sempre foram, em tempor de colonizacao e depois dela, de algum modo, usadas pelas elites para obterem vantagens e impor a permanencia de suas condicoes de poder. Mas, essa mudanca precisa acontecer. É preciso tirar dos ricos para dar aos pobres, sobretudo, porque tudo o que conquistaram foi saqueando e explorando a mao-de-obra e a ingenuidade dos indígenas.&lt;br /&gt;Esse pensamento que me acompanhou durante todo o percurso na mina só foi interrompido por alguns minutos, pela minha fobia de latura, quando tive que passar na beira de um fosso e depois de subir uma escada, precisar me agarrar pelas paredes para transpor um precipício dentro da montanha oca de Potosí.&lt;br /&gt;Ao final, na saída da mina pelo outro lado, depois de quase duas horas de caminhada interna, toda a indignacao de ver homens e criancas trabalhando naquele local de contaminacao se reanudou. E, mais ainda, quando vi um monte de criancas que ainda nao tinham "idade" para trabalhar na mina, do lado de fora, com as maos cheias do pó contaminante dos metais, vendendo pedras.&lt;br /&gt;Retomei o assunto com Aleida. Queria que ela, tao crítica, me expusesse as mazelas de seu país e, também, pensasse sobre solucoes possíveis para aqueles problemas.&lt;br /&gt;Na conversa, percebi que Aleida é uma pessoa sensível e preocupada com o seu povo. Mas, ao mesmo tempo, ve-se atada pelas condicoes históricas de afastamento inter-tribal e mesmo pelo uso de algumas tribos, feito por grupos da elite nao-indígena boliviana.&lt;br /&gt;Voltamos para o onibus e mais pessoas puderam intereferir no nosso diálogo, que se ampliou. Neste momento, mais pessoas trouxeram a tona suas preocupacoes com a América Latina, bem como os motivos que os levaram até as minas de Potosí. Neste momento, conheci Dana, Florencia, Javier e Matias, além de compreender melhor as idéias de Nora e Guillermo.&lt;br /&gt;Enquanto a conversa transcorria, ia percebendo a fisionomia, os gestos, as reacoes dos demais que íam no pequeno onibus. Quando toquei no assunto de que temos uma conjuntura que facilita o diálogo entre os países da América Latina e que tínhamos que esquecer um pouco o futebol para dialogar como irmaos de um processo de exploracao, percebi que algumas fisionomias mudaram.&lt;br /&gt;Alguns riram quando falei da situacao que passei em Córdoba, durante esta viagem, motivada pelo fanatismo futebolístico dos donos do Hostel Córdoba Backpackers e que o futebol nao podia ser transformado numa mercadoria, plena de marketing para nos afastar. Se algo nos afastava, dizia, isso é que tem que ser afastado do nosso diálogo.&lt;br /&gt;O mais imnportante é poder compreender nossa história e promover lutas conjuntas. Se na América Latina, nao logramos debater a igualdade e a justica social, precisamos empenhar esforcos para que, nao apenas o debate, mas as condicoes de igualdade e justica social se ponham. Nao pode ser "normal" matar por futebol e deixar morrer por falta de coragem de lutar por justica social e igualdade.&lt;br /&gt;Quando disse isso, já percebia que todos abandonavam seus risos iniciais e assimilavam o sentido do que queria dizer. Perceberam que é preciso reponsabilizar-se por este mundo para mudá-lo.&lt;br /&gt;Foi com estas idéias que retornamos para a sede da agencia, no pé do cerro rico para tirarmos as roupas que tínhamos posto para entrar nas minas e ficamos enquanto esperávamos a conducao de volta ao centro da cidade. A diferenca é que, agora, havia mais pessoas interagindo, debatendo América Latina, colonizacao, condicoes internas de cada país, aliadas as deixas pela colonizacao para fazer de nossos países o que temos hoje.&lt;br /&gt;Trocamos e-mail, tiramos fotos juntos... havia um grupo que estava muito muito feliz de se encontrar, de saber que cada um promeve sua luta em seu país, para mudar o que foi e o que é Potosí em cada um de nós.&lt;br /&gt;Quando chegamos ao centro da cidade, cada um tinha que se separar, mas tinha a beleza daquele encontro registrada. As despedidas eram calorosas e a vontade de seguir adiante estava mais avivada.&lt;br /&gt;Javier, processor de psicologia, ator, mágico, funcionário do ministério da economia argentino, parecia querer continuar a conversa e me chamou para almocar com ele e seus amigos. Ele se dizia povoado daquele diálogo e da necessidade de conhecer melhor outras lutas em outras partes do mundo. Queria conhecer um pouco dos sem-terra e do debate sobre direitos humanos que se faz no Brasil.&lt;br /&gt;Fomos diretamente para a praca central de Potosí e, durante 30min. esperamos os seus amigos, ambos chamados Sebatián.&lt;br /&gt;Quando os Sebastián chegaram, já tinham comido e nao queriam nos acompanhar para o almoco.&lt;br /&gt;Fomos apenas eu e Javier comer em um lugar bem próximo da praca.&lt;br /&gt;Depois do almoco, voltamos a encontrar com os Sebastián e caminhamos pelo centro da cidade de Potosí. No caminho, pelo calcadao, uma nova coincidencia. Encontro Mauro, o psiquiatra que tinha me ajudado em Tilcara.&lt;br /&gt;Conversamos por um tempo, nos despedimos e segui com os Sebastián e Javier nosso percurso pelo centro.&lt;br /&gt;Perto de 18h30min. me despedi deles e voltei para a agencia. Deveria pegar minha mochila e ir para a rodoviária, de modo que pudesse iniciar a viagem de volta a Villazón e, se tudo desse certo, para Assuncao.&lt;br /&gt;Quando cheguei na agencia, estava Evelyn. Por muito tempo conversamos sobre as agústias que tive ao sentir e ao presenciar o trabalho nas minas de Potosí.&lt;br /&gt;Evelyn era irma de Helen e de Marcelo e igualmente crítica quanto as condicoes políticas de seu país. Ao mesmo tempo, quando falava da minha dor em ter que deixar a Bolívia naquele dia, se mostrava sensível e queria compreender os motivos de minha viagem a Potosí e estas partes da América Latina.&lt;br /&gt;Foi o assunto sobre o qual nos debrucarmos até que chegasse a hora de ir para a rodoviária. Na saída, mais uma vez encontrei Aleida e Helen. Aleida, ainda inebriada com a conversa que havíamos tido na parte da manha, me pedia para que seguisse em contato com ela e que lhe indicasse os livros de que falava. Tudo isso, sem perder de vista os onibus que passavam e parar aquele que deveria me deixar no terminal de onibus.&lt;br /&gt;Com o onibus diante de mim, numa rua estreita, transito parado, dei um forte abraco em Aleida e segui. Tinha uma noite dura de viagem pela frente. A estrada nao era asfaltada e nao sabia as condicoes do onibus em que iria viajar.&lt;br /&gt;Quando cheguei na rodoviária, reencontro um monte de gente que integravam o mesmo grupo que eu na ida para as minas na parte da manha. Ficamos conversando, brincando... um deles, que parecia muito distante enquanto conversávamos de política, fez questao, na hora que viu, de me cumprimentar calorosamente e de me mostrar o livro que estava lendo. Era algo de exoterismo, ligado a princípios de vida e a combinacoes enérgeticas... nao sei bem se, com isso, ele queria dizer a importancia daqueles momentos para ele e combinar com o que estava lendo... ou simplesmente queria compartilhar algo comigo.&lt;br /&gt;Em seguida, ele me mostrou seus amigos, que estavam jogando baralho (um jogo que se chama escova 15). Enquanto os meninos tentavam me ensinar este jogo, chegam Dana e Matias e retomam a nossa conversa manha e se dizem felizes com aquele dia.&lt;br /&gt;Enquanto nos cumprimentávamos e agradecíamos o dia que haváimos construído juntos, chegaram os onibus que nos levariam, a mim, para Villazón, e todos os demais, para La Paz.&lt;br /&gt;Ao ver o onibus que me levaria de volta a fronteira com a Argentina, sonhei com uma noite de sono. Pois, depois de um dia tao intenso, era aquilo de que mais precisava. Mas, esta paz seria algo que nao teria durante toda a noite.&lt;br /&gt;O lugar em que fiquei, estava sem sentido, posto diante de uma porta.&lt;br /&gt;Todos que precisavam passar, me empurravam, batiam a porta em mim... depois de tentar tentar e nao consegui, passei a noite pensando até chegar a Villazón.&lt;br /&gt;Na manha de terca-feira, já na fronteira, o único que vinha a minha cabeca era encontrar um lugar para escrever.&lt;br /&gt;Estava intenso, estava cheio das idéias do dia anterior. Nao queria perder nada.&lt;br /&gt;Mas, tudo estava fechado. Era preciso passar para o lado argentino. E, nao apenas porque queria escrever. Mas, porque devia procurar uma forma de chegar a Assuncao.&lt;br /&gt;Depois de enfrentar a aduana, a revisao de bagagem, mais facilitada para mochileiros, é verdade, cheguei ao outro lado.&lt;br /&gt;Tentei fazer combinacoes... pensar alternativas... nada me levava a Assuncao.&lt;br /&gt;De repente, me veio a cabeca a fala de Javier acerca de deixar Assuncao para uma próxima viagem, pegar um onibus para Buenos Aires e, daí, para Montevidéo, Uruguai.&lt;br /&gt;Foi o que fiz. Comprei a passagem para Buenos Aires e fui procurar um lugar para escrever.&lt;br /&gt;Depois de exatas 4 horas na frente do computador, a menina me disse que fecharia a lan house para o almoco e precisava que eu deixasse o computador.&lt;br /&gt;Eram quase 14h e eu deveria ir para a Rodiviária de La Quiaca para pegar o onibus.&lt;br /&gt;Deixei pela metade as experiencias que estou escrevendo agora e me fui.&lt;br /&gt;Depois de mais quase 2h a espera do onibus, presencio uma grande confusao. As pessoas que vendiam as passagens, valendo-se de que, nas fronteiras, as leis e o direito parecem ser mais frágeis, e ainda de que, na Argentina, a gorjeta é uma prática frequente, nao apenas queriam a gorjeta, como queriam cobrar precos exorbitantes para colocar as malas no onibus.&lt;br /&gt;Um casal que acabara de ser extorquido na fronteira, por agentes da polícia aduaneira argentina, nao tinha mais um peso para pagar e estavam em risco de viajarem sem os seus comprovantes de bagagem.&lt;br /&gt;O menino, com uma calma extrema, explicava a situacao e pedia os comprovantes de bagagem, mas nao conseguia nada com aquilo.&lt;br /&gt;Me senti um pouco atonito com tudo o que via... nao sabia se pagava por ele e liberava os comprovantes, nao sabia se entrava na confusao... até que resolvi chamar sua namorada, que, já estava acomodada dentro do onibus sem que se desse conta do que passava lá fora.&lt;br /&gt;Em algum momento, ainda que se a anuencia dos funcionários da empresa de transporte, o rapaz obteve exito em sua demanda e subiu.&lt;br /&gt;Preocupado com o que havia passado, fui em sua direcao e imprimi uma conversa. Nao demorou muito para que os tres comecassem a interagir.&lt;br /&gt;Rapidamente, descobri que se chamavam Sergio e Susana e que estuidavam, respectivamente, Recursos Humanos e Direito, e trabalhavam em uma Fórum Penal em Buenos Aires, local em que se conheceram.&lt;br /&gt;Foi o mote para comesarmos a conversar sobre direitos humanos, sobre profissoes, sobre vocacoes... queriam saber dos meus trabalhos, da minha vida, da minha viagem... me faziam milhares de perguntas.&lt;br /&gt;Até que fomos parados na Gendarmería (a polícia de fronteira) argentina.&lt;br /&gt;Todos tivemos que descer para que nossas malas fossem revistadas. Eu, mais uma vez, pela condicao de mochileiro e de estrangeiro que nao passa pela fiscalizacao aduaneira quanto a compra de produtos, fui liberado.&lt;br /&gt;Susana e Sergio ficaram. Tiveram que abrir todas as malas, as mochilas... Tudo o que traziam foi revistado.&lt;br /&gt;Bastou passar o transtorno, subimos no onibus e continuamos a nossa conversa sobre temas como as minas de Potosí, a adocao entre pessoas do mesmo sexo, o aborto, a defesa de pessoas de alta periculosidade, ética, direito, justica... Susana, uma estudante de direito como a maioria, mais conservadora, sempre se colocava contra estes temas. De minha parte, o que fazia era tentar ponderar algumas coisas, de modo que pudesse povoá-la de dúvidas.&lt;br /&gt;Se consegui nao sei, mas acho que, pelo menos Sergio, que tinha os olhos brilhando, enquanto escutava minha fala, se acercou mais dos temas e de reflexoes mais críticas. Ele era só perguntas e eu, mais perguntas ainda. Nao queria dar respostas, queria que ele mesmo as encontrasse enchendo sua cabeca de mais dúvidas.&lt;br /&gt;Foram várias horas de conversa até que pegasse no sono.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-8761111142908598625?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/8761111142908598625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=8761111142908598625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8761111142908598625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8761111142908598625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/riqueza-explorada-de-potos.html' title='A riqueza explorada de Potosí'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5525465667664946659</id><published>2008-01-15T10:35:00.000-03:00</published><updated>2008-01-15T12:08:36.715-03:00</updated><title type='text'>Potosí</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Dia 13 de janeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de uma noite nada confortável pelas estradas da Bolívia e da maratona em busca de um lugar para ficar, consegui dormir muito pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Estava ansioso e com um pouco de temor do que pudesse me acontecer por causa da altitude de 4.060m em que se situa Potosí. Resultado, nao consegui dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A parte isso, o piso do hostel era de madeira e, quando se pisava fora do quarto, a cama vibrava sem que pudesse relaxar e me deixar descansar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Um pouco depois de 9h da manha, voltei a caminhar pelas ruas de Potosí, em busca de algo para comer e da agencia que tinha me ajudado, de modo que pudesse conseguir mais informacoes sobre a cidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Cheguei ao mercado municipal e percebi que muitas pessoas em volta de uma barraquinha comiam coisas muito pesadas para um café-da-manha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Olhava para todos os lados e o único que conseguia me chamar atencao eram as mulheres de "pollera", uma vestimenta indígena "colla". Era lindo observar as cores das saias, os bordados, as mantas e os chapéus (com flores ou completamente pretos, equilibrados sobre a cabeca).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Para nao ser mal-educado e também para nao parecer que olhava as pessoas como "bicho raro", como se fala na Argentina para uma olhada discriminante, sempre pedia as pessoas que me deixassem tirar fotos. Mas, nunca conseguia, porque, segundo Evelyn, da agencia, as mulheres pessam que estas fotos sao vendidas em outras partes do mundo, sem que se reverta nada para elas e para a Bolívia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de uma longa caminhada, encontrei uma barraquinha que vendia água mineral, suco industrializado e alguns biscoitos. De fato, nao me sentia preparado para tomar sucos expostos e comidas feitas em condicoes higienicas nao muito confiáveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A cultura de usar as maos para comer, para servir, para preparar as coisas sem que sejam lavadas está muito forte na Bolívia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em seguida, enquanto procurava um lugar para telefonar para casa, depois de quase 5 dias sem conseguir dar notícias, vi uma pequena padaria. Foi um sonho! Mas, este sonho se acabou quando percebi a mulher pegando o pao que iria comer com a mesma mao que me havia pegado o dinheiro e cocado o nariz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Apesar disso, tentava sempre me lembrar que exigir higiene poderia ser uma forma de afrontar a cultura local e de molestar as pessoas daquele lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Mesmo me sentindo forcado, comi todos os paes que me havia comprado e me dirigi até a agencia que me havia ajudado pela manha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Aí estava Marcelo, um jovem de características indígenas bastante fortes. Perguntei por Helen, a pessoa que me atendeu mais cedo. Ela nao estava e o consultei sobre a possibilidade de permanecer ali enquanto comia. Sem oposicao, comecei a conversar com Marcelo e com as outras pessoas que estavam no local. Aí descobri que nao precisava ter descido do onibus antes do amanhecer, pois, na Bolívia, é um direito permanecer descansando dentro do onibus se este chega em um local no período da madrugada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ao mesmo tempo, descobri que aquele seria o último momento antes da terca-feira que estaria aberta a casa da moeda de Potosí, famosa pela exploracao dos indígenas e de escravos durante a colonizacao espanhola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Marcelo me incentivava a conhecer o prédio e conhecer a história de um dos maiores símbolos da crueldade colonial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Interrompi minha comida e me fui para o local indicado, vizinho a agencia em que Marcelo trabalhava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Visita iniciada, cada sala em que entrávamos era uma nova surpresa, Exemplares de moedas cunhadas pelos indígenas e escravos, máquinas usadas para o trato da prata... até que chegamos em uma sala cujo piso, de madeira, mantinha as pegadas dos homens que aí trabalhavam. Faziam tanta forca para trabalhar a prata que as marcas de seus pés íam se formando na madeira. Era impressionante ver e saber de todas as hitórias que ouvia naquele local.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, mas eu disse que tive várias surpresas... um delas foi muito negativa. A guia do museu, apesar de muito conhecedora da hitória de seu país, em algum momento, mesmo diante de tantas marcas de injustica, manifesta gostar muito muito de ter havido a colonizacao espanhola, sob pretexto de que se nao tivesse ocorrido tudo o que ocorreu, nao estaria ali contando aquela história.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Fiquei muito chateado com aquela fala, mas nao tinha tempo para provocar reflexoes que, ao menos, a fizesse pensar em sobre o que estava dizendo, e resolvi ficar calado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Um argentino, com tracos indígenas bem fortes, a sua vez, nao deixou barato. De imediato, retrucou, afirmando que preferia que ela pudesse contar outra história, nao aquela, de dominacao, de exploracao, etnocídio...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; A menina, no entanto, continuava firme em sua compreensao e, todos comecaram a se enraivar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois da visita, voltei a agencia. Me sentia muito cansado com a falta de ar e com a poluicao provocada pelos carros de Potosí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Aqui merece um parentesis...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em Potosí, exatamente, pela falta de ar, as pessoas nao fumam. Nao se ve ninguém na rua, com cigarros. Mas, em compensacao, os carros e onibus nao estam ajustados para emitir o mínimo de fumaca que possam. Quando passam, ninguém pode respirar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, mas voltando...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Voltei a agencia e fiquei conversando com Marcelo. De imediato, quando Marcelo soube que eu era brasileiro, comecou a puxar assuntos de política.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Eu, evidentemente, queria saber sua relacao com a identidade indígena e sobre como via o governo de seu país, haja vista integrar um grupo pequena da sociedade que chega a universidade e que, em geral, se mostra contra o governo de seu país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; De pronto, Marcelo comecou a esbocar sua satisfacao em ter um semelhante na Presidencia da República. Muito entusiasmado, comecou a falar das dificuldades e dos avancos de seu governo. Mas, sem perder a capacidade crítica, se mostrou contra algumas propostas que estao sendo discutidas na Assembléia Constituinte de seu país. Por exemplo, as re-eleicoes em número indefinido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ante o tema,  concordamos que, nao é porque, a casualidade, se tem um presidente que é favorável aos interesses do povo oprimido, que se pode aceitar as re-eleicoes em número indefinido. Isso é deixar perder a democracia e aceitar uma espécie velada de ditadura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Foram horas de conversa, com as quais já seriam suficientes para me sentir bem de ter estado na Bolívia, até Marcelo insistir para que fosse conhecer  a cidade, já que só permaneceria em Potosí até o outro dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando chego a praca, dou de cara com Nora e Guillermo. Por um momento, ficamos juntos, conversamos, mas, em seguida, cada um seguiu seu caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Para mim, era hora de caminhar. Durante quase 4h, caminhei, quase sem ar, mas sem me sentir tao incomodado com a altitude, talvez, pelo processo de adaptacao que venho fazendo ao subir pelo norte da Argentina, percorri os pontos históricos da cidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; O último foi um mirante que fica numa colina, nos arredores da cidade. Quando cheguei ao cume, nao tinha forcas e nao conseguia pensar. Já era perto de 19h e a noite comecava a cair. Tinha receio de passar por certos lugares sozinho, porque todos me avisavam das pessoas que se fazem passar por policiais ou pessoas que, com pura lábia, enganam os visitantes, tomam seus documentos e dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Também, nao pude ficar aí por muito tempo. Logo, uma crianca me disse que os portoes iriam fechar e que precisava descer. Ainda sem forcas, mas certo de que para descer todo santo ajuda, corri em direcao abaixo para me juntar a grupos de pessoas que também saiam da colina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Já de volta a cidade, fui direto ao hostel, queria comer e deitar um pouco para recuperar as forcas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando cheguei estava passando Raul Gil na TV. Imagine!!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Comi, conversei com um rapaz boliviano que estava vendo TV, tomei um banho e fui dormir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5525465667664946659?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5525465667664946659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5525465667664946659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5525465667664946659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5525465667664946659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/potos.html' title='Potosí'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-7156387236526853952</id><published>2008-01-13T17:36:00.000-03:00</published><updated>2008-01-15T10:35:13.682-03:00</updated><title type='text'>Bolívia - há que se ver com outros olhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;O dia de ontem foi igualmente ao dia anterior, intenso. Era o dia de ir e nao estava certo de que era isso que queria, embora me sentisse obrigado a seguir.&lt;br /&gt;Quando acordei fui imediantemente cumprimentado por Oscar pela entrevista e pela dedicacao aos direitos humanos.&lt;br /&gt;Juan estava triste, como eu e, ambos, ao nos falar, demonstrávamos uma visível emocao.&lt;br /&gt;Todo o tempo, lembrava e fazia questao de manifestar, que o ano acabava de comecar com um monte de presentes. Juan era um grande presente.&lt;br /&gt;Muito reflexivo sobre tudo o que havia passado durante aqueles dias, tomei um banho e fui comer algo antes de sair.&lt;br /&gt;Neste momento, Oscar e Juan comecaram a conversar comigo sobre tudo o que se espera de uma vida, sobre uma viagem como essa... Juan, em especial, me perguntou como eu me sentia, se estava como se fosse um outro ser humano. E, completou dizendo que, as vezes, um lugar nao promove nada a uma pessoa, que simplesmente se passa sem se ter percebido nada de novo em si mesmo, enquanto, para outros, um lugar pode se tornar intenso e significativo, como acreditava que tinha sido Tilcara para mim.&lt;br /&gt;De fato, Juan tinha razao. Eu me sentia outro. Eu me sentia encontrado, mas, pela primeira vez na vida, nao sabia como expressar um sentimento.&lt;br /&gt;O único que consegui fazer foi me desprender de uma camisa que ganhei de presente do MST quando de uma causa exitosa para doá-la a Juan.&lt;br /&gt;Eu sabia que aquele objeto me vestia da luta e da verdade que me pertencia. Mas, nao podia deixar de compartilhar tudo aquilo com Juan, depois de tanta solidariedade. Foi mais bonito do que sair com a camisa, ser portador do brilho dos olhos e do abraco de Juan.&lt;br /&gt;Me sentia pleno daquele momento, mas, ao me despedir daquela pessoa e daquele lugar inesquecíveis, nao conseguia olhar para trás. Simplesmente, desci a ladeira que, naqueles dias, me levava a casa de Juan, enquanto me imbuía do novo caminho que estava por se iniciar, e, fui encontrar Radek e minha carona.&lt;br /&gt;Até que o carro chegasse, conversamos muito. Radek me preparava para o que eu iria encontrar na Bolívia e me incentivava a ir. Por outro lado, estava muito preocupado em nao aproveitar nada do país porque teria que voltar muito rápido, de modo que pudesse, ainda, conhecer Assuncao e Montevidéo.&lt;br /&gt;Quando chegou Roger, um frances radicado na Argentina, sogro de Radek, subimos no carro e por, quase duas horas e meia, percorremos a quebrada de Humauaca em direcao a Bolívia.&lt;br /&gt;Roger e Radek, juntamente com Mariel, uma amiga de Radek, iriam buscar instrumentos musicais indígenas no lado boliviano da fronteira.&lt;br /&gt;Quando cheguei na imigracao, do lado boliviano, vi Gustavo e Dinis. Muito felizes por aquele novo reencontro casual, nos cumprimentamos efusivamente e, juntos, depois que fizemos todo o tramite de entrada, passamos a percorrer Villazón (cidade boliviana que faz fronteira com a parte Argentina da Quebrada de Humauaca).&lt;br /&gt;Me sentia cansado por causa da altitude de quase 3000 m. Gustavo e Dinis também, mas precisávamos chegar rápido a estacao de trem para tentarmos comprar passagens de trem. Se tudo desse certo, eu iria para Oruro e depois para La Paz, eles, para Tupiza.&lt;br /&gt;Depois de quase duas horas de espera, os meninos conseguiram suas passagens, enquanto eu, atravessado por um argentino e uma brasileira que se puseram em frente ao caixa para comprar as últimas 6 passagens, nao consegui. Era hora de colocar em prática o Plano B, ir a Potosí e, quicá, a Sucre. Rapidamente, acompanhado de Gustavo e de Dinis, voltei a rodoviária e comprei passagens para Potosí através da Empresa Illimani.&lt;br /&gt;No caminho, encontramos Pedro, um brasileiro de 22 anos que mora na Argentina há 13. Já falava com um sotaque portenho impressionante e, a parte, era também um ser impressionante.&lt;br /&gt;Tinha acabado de chegar a Villazón e voltaria para Buenos Aires em bicicleta ("La Glamourosa"), durante um mes e meio.&lt;br /&gt;Logo, Pedro se juntou a gente. Almocamos juntos e fomos em direcao a Praca Central de Villazón para conversarmos, tirarmos fotos para que ficasse de recordacao. Neste momento, se integraram ao nosso grupo, Livia, da Suíca, e um outro viajante em bicicleta. Com excecao de Gustavo e Dinis, todos viajam sozinhos.&lt;br /&gt;Enquanto esperávamos o horário da viagem de Gustavo e Dinis, ficamos todos reunidos. Era um energia tao boa que parecia que nos conhecíamos fazia muitos anos. Nos encorajávemos e enconrajávamos Pedro a seguir seu caminho.&lt;br /&gt;Ele parecia se apegar aquelas pessoas e aquele momento por se sentir um pouco inseguro e temeroso quanto a gente que iria encontrar mais adiante.&lt;br /&gt;De minha parte, o que eu imaginava era que Pedro se sairia muito bem. Afinal, era alguém que carregava nos olhos a vontade de descobrir o novo e que parecia ter uma energia muito forte e limpa. E, isso ficou mais claro quando, depois que se foram Gustavo, Dinis e o outro viajante em bicicleta e ficamos Livia, Pedro e eu na porta da estacao de trem. Pedro organizava a bicicleta e, nós, na medida do possível, o ajudávamos.&lt;br /&gt;Quando tudo estava pronto, resolvemos descer. Pedro iria atravessar a fronteira e, Livia e eu, iríamos pegar os nossos onibus.&lt;br /&gt;No momento da despedida, mais emocao. Estávamos todos inebriados uns dos outros, ao tempo em que carregávamos todos a mesma apreensao, constante entre os viajantes "solitários", o apego aqueles com quem nos idenficávamos.&lt;br /&gt;Mas, no máximo, agora, o que podemos compreender é que estamos juntos por caminhos diferentes.&lt;br /&gt;Perto de 18h, o horário marcado para a saída do onibus para Potosí, fui em direcao a rodoviária, mas logo fiquei sabendo que o onibus parava numa rua próxima. Quando avistei o onibus nao pude acreditar que nao era o da foto que vi na hora da compra.&lt;br /&gt;Foi uma decepcao, por um lado, enquanto por outro, comecava a perceber que a Bolívia precisava ser vista sem julgamentos; que era preciso desprender-se de certos valores e de certas crencas.&lt;br /&gt;Todo o tempo me lembrava disso para nao julgar as coisas e as pessoas. De um momento para outro, estava feliz em ver mulheres e homens, conscientes de sua indigenidade, com suas roupas típicas, em ver a gente comendo coisas com as quais jamais havia tido contato, em ver tantas cores, em ver tantos artesanatos e tanta gente querendo sobreviver com dignidade, através de sua luta e de seu trabalho. Por outro lado, estava apreensivo por ver jovens assimilando a cultura estudonidense, através da música e da vestimenta.&lt;br /&gt;Com um atraso de quase uma hora, compartilhado com um casal de argentinos, Guillermo e Nora, comecamos a viagem pela estrada de mais de 600km em puro chao batido.&lt;br /&gt;Com a poeira, nao se podia respirar, como nao se podia dormir, devido ao barulho das janelas soltas e da poltrona que nao se mantinha deitada. Mas, pude ser compensado por um céu inesquecível. Pleno de estrelas, completamente brilhante, do altiplano boliviano. Deste mesmo altiplano, parecia ter a percepcao, quando olhava ao longe, da circularidade da terra. De verdade, me sentia como se estivesse no meio de uma bola-de-gude, de um ponto em que pudesse sentir o céu se fechar sobre a cabeca. Era lindo!&lt;br /&gt;Isso foi muito importante para que esquecesse as quase 9h de viagem e a chegada a Potosí, com o corpo e com a mochila completamente cobertos de pó. Eram 4h da manha, fazia muito frio, uns 4 graus, e nao sabia para onde ir.&lt;br /&gt;Depois de quase sair só, resolvi atender ao conselho de um policial e me juntar a Guillermo e Nora em um táxi que os deixaria no hostel que sua filha havia indicado. Infelizmente, este lugar estava fechado.&lt;br /&gt;Depois de quase congelar, esperando que alguém nos atendesse, descemos em direcao a um hotel que estava aberto. Como a permanencia nao era barata, mas, pelo menos, havia luz, ficamos na porta, esperando que as primeiras luzes do dia se mostrassem.&lt;br /&gt;De repente, o vigilante do hotel, percebendo que nao esperávamos ninguém, como imaginava antes, nos convidou a entrar para passar o frio. Aceitamos o convite e, enquanto buscava algo no catálago telefonico, energia elétrica se foi. Se me sentia "cego" de Potosí, agora, de verdade, eu nao via mesmo.&lt;br /&gt;Quando o dia amanheceu, mesmo com o frio absurdo, fomos em direcao ao Residencial Tarija, indicado pela filha de Guillermo e Nora. Depois de uma espera de quase uma hora, uma senhora nos atendeu, dizendo que nao havia lugares.&lt;br /&gt;Em seguida, já existiam lugares, mas com precos muito mais caros do que ocorrem na Bolívia. Queria cobrar para cada um de nós 60 bolivianos, enquanto cobrava de um senhor que estava fazendo sua entrada naquele mesmo momento, 25 bolivianos.&lt;br /&gt;Deixei minhas coisas com o casal e fui procurar outro lugar.&lt;br /&gt;Enquanto caminhava pela cidade completamente fechada, avistaei uma porta aberta. Se tratava de uma pequena agencia de viagens em que se encontrava Helen. Sem titubear, ela pegou um carro e me levou até um hostel da rede Hostelin Internacional.&lt;br /&gt;Por sorte, o lugar tinha vagas. Com o cansaco que tinha, nao podia caminhar mais, salvo para buscar minhas mochilas com Guillermo e Nora.&lt;br /&gt;Já com toda a bagagem, dormi. Precisava recuperar forcas para conhecer a cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-7156387236526853952?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/7156387236526853952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=7156387236526853952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7156387236526853952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7156387236526853952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/bolvia-h-que-se-ver-com-outros-olhos.html' title='Bolívia - há que se ver com outros olhos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-7830351126287859270</id><published>2008-01-13T16:47:00.000-03:00</published><updated>2008-01-15T10:12:04.137-03:00</updated><title type='text'>Um dia cheio de acontecimentos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;11 de janeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;O dia em que Taís iria iniciar sua volta para o Brasil comecou com muito cansaco e com um forte sentimento de perda. Cansaco, pelo dia anterior, em que,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; mesmo cheio de tensao muscular e de dor devido ao percurso íngrime,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Taís se postou de minha salvadora e me fez chegar até a "gargante do diabo"; sentimento de perda, pela pertida daquela que tinha sido a minha companheira nas últimas semanas.&lt;br /&gt;Levantei e chamei Taís para que se organizasse e seguisse seu caminho. Ainda que fosse difícil para mim aquele momento, estava certo de que cada um precisava continuar em seu rumo.&lt;br /&gt;Eu tinha certeza de que meu caminho também estava aberto e, por isso, nao podia cerceá-lo nem cerceá-la. Sabia que era preciso seguir. Em algum momento, a mim também seria exigida a continuidade da caminhada.&lt;br /&gt;Taís era quem nao acreditava nisso. Ela achava que, com a minha permanencia na casa de Juan, nossa amizade e a vontade de disfrutar de momentos juntos, me faria permanecer em Tilcara até bem próximo do dia de voltar para Aracaju.&lt;br /&gt;De fato, por um lado, era este o sentimento, o de permanecer. Sobretudo, porque Juan nao é o tipo de pessoa de quem se possa apartar tao fácil. Sua sensibilidade para viver a vida, para encontrar e tratar as pessoas, bem como os seus despreendimento e solidariedade sao cativantes. Em complemento, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;é um ser ilumidado pela natureza do lugar em que vive, pelo seu grande conhecimento, pela música e pela arte por que se deixa tocar.&lt;br /&gt;De sua parte, Juan&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; também nao parecia querer que me fosse. Quando disse que nao acamponharia Taís, ele foi todo comemoracao.&lt;br /&gt;Quanto a mim, eu também comemorava. Afinal, era o momento mais forte de toda a minha viagem. Era a primeira vez que sentia, de fato, o encontro com as minhas buscas: o encontro com a solidariedade latino-americana, o encontro com pessoas cujo brilho dos olhos e a vontade de atuar no mundo se viam patentes.&lt;br /&gt;Isto que digo parece nao ser um sentimento apenas meu. Taís também parecia sentir a forca do encontro com Juan e, quase nao podia deixar a casa em que estava fazia alguns dias. Até bem perto do horário de sua viagem, resistiu em descer para a rodoviária. Mas, eu, apesar de nao querer acreditar que ela estava indo, lembrava todo o tempo que podia perder o onibus.&lt;br /&gt;Faltando 10 min para o horário marcado para a saída, deixamos Los Molles em direcao a rodoviária de Tilcara.&lt;br /&gt;Quando chegamos aí, estavam Gustavo e Dinis, mas nao podia interagir tanto com eles. Queria voltar logo a casa de Juan e nao lembrar que Taís iria embora naquele momento.&lt;br /&gt;Minha tristeza era tao profunda que parecia contagiar o universo. O céu nublava, os cumes das montanhas se encobriam, a temperatura caía vertiginosamente. Chegava aos 8 graus, embora nao se pudesse perceber tanto, devido a baixa umidade local em Tilcara.&lt;br /&gt;Vim a Los Molles povoado daquela perda e, ao entrar no quarto, Juan e Ceci (sua namorada) estavam assistindo ao filme Paris-Texas. Juan, de imediato, percebeu a minha triste e, com o olhar, me fez sentir que estaria tudo bem.&lt;br /&gt;Em seguida, me convidou para me juntar a eles. Por um tempo, estive presente, mas, com o cansaco, acabei me rendendo a um cochilo.&lt;br /&gt;Quando acordei, foi Juan e Ceci que foram deitar. Juan, principalmente, estava muito cansado. Fazia dias que dormia tarde e acordava cedo para atender bem a seus hóspedes, seus amigos e seus convidados que se tornavam seus amigos, no caso Taís e eu.&lt;br /&gt;Acabado o filme e aproveitando o fato de estar só, me pus a escrever as memórias do dia anterior, de modo que nao as perdesse. Refletia sobre cultura, sobre funk, sobre como distintas culturas e manifestacoes populares podiam dialogar entre si, quando o telefone chamou e Juan acordou com o susto.&lt;br /&gt;Pela "milésima" vez, nos últimos dias, se sentia obrigado a dizer que nao tinha vagas em seu hostel. Depois que terminou a chamada, quis interagir com os meus escritos e com as minhas reflexoes.&lt;br /&gt;Juan me falava sobre as dificuldades e condicoes locais dos indígenas do norte da Argentina. Como era difícil manterem sua identidade e assumirem essa identidade, depois de tantas interferencias externas em suas culturas.&lt;br /&gt;Falávamos sobre como a massificacao cultural tem a capacidade de negar a condicao de sujeito de producao cultural de um povo, do "tapinha que nao dói", quando Juan sacou de seu rico aservo musical brasileiro um DVD de Caetano Veloso (Noites do Norte), em que Caetano canta o dito "tapinha".&lt;br /&gt;Neste momento, nos envolvemos em uma conversa sobre como é possível fazer política com a ironia e com a metáfora, coisa que&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;, segundo Juan,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; a música argentina tem pouco por falar de política tao diretamente que perde sua capacidade poética.&lt;br /&gt;No meio dessa conversa, colocou Jorge Drexler, me mostrou algumas outras músicas...&lt;br /&gt;Povoado de angústia sobre a possibilidade de ir ou nao a Bolívia, no dia seguinte, comecei a compartilhar com Juan minhas preocupacoes com o tempo e com a inviabiliazacao de uma parte do plano de viagem.&lt;br /&gt;De imediato, Juan propos que fossemos falar com um amigo seu, de origem boliviana, grande conhecedor de seu país. Deixamos Los Molles por um momento e fomos encontrar Radek no seu trabalho.&lt;br /&gt;Quando Juan falou com Radek sobre meu interesse de ir a Bolívia, ele se transformou em um só sorriso. Estava feliz de alguém querer conhecer o seu país, sua rica cultura, sua gente.&lt;br /&gt;Comecamos a conversar e quase nao paramos mais. Entramos em temas políticos, falamos de Evo Morales (Radek é um entusiasta do Governo de Evo), falamos sobre a luta dos indígenas para ter o seu reconhecimento na Bolívia e no norte da Argentina... em alguns momentos, Radek queria saber do Brasil, do governo Lula, da luta dos sem-terra.&lt;br /&gt;Dialogávamos de verdade sobre como as lutas por justica social eram tao importantes na América Latina.&lt;br /&gt;Ao perceber que Juan estava preocupado com seu hostel, interrompi a boa conversa com Radek e voltamos para casa. Mas, antes, passamos numa padaria e num supermercado para comprar paes, biscoitos e outras coisas que eram necessárias para melhor atender aos hóspedes e a nós mesmos, que morríamos de fome.&lt;br /&gt;Em Los Molles, enquanto comíamos, Juan, Oscar (um senhor amigo de Juan que havia chegado naquele dia) e eu, o telefone chamou. Era Radek para dizer que tinha conseguido uma carona para mim até o lado boliviano da fronteira com a Argentina e para me convidar para falar em uma rádio comunitária sobre o Brasil, sobre os sem-terra, sobre sua conjuntura política.&lt;br /&gt;Por causa do frio, diferente do fiz a tarde, quando saí com Juan só de bermuda e um casaco fininho, coloquei muita roupa e fui em direcao ao local marcado por Radek.&lt;br /&gt;Confesso que, quando encontrei com ele, estava muito nervoso. Era a primeira vez que falava em para uma rádio em espanhol, ao mesmo tempo em que teria a companhia de um antropólogo reconhecido na Argentina por seu trabalho com os indígenas do norte de seu país e da Bolívia.&lt;br /&gt;Até quase meia-noite, fizemos um interessante bate-bola, apesar de Adolfo Colombres quase nao deixar ninguém falar. Ele parecia se bastar em si mesmo. Nao sabia e nao conseguia dialogar sobre conhecimentos, talvez, por acreditar que nao havia nada mais por aprender.&lt;br /&gt;Ao final, Isabel, esposa do mantenedor da rádio, cujo nome nao lembro, me pede para ensinar-lhe a fazer beiju de tapioca. Infelizmente, ela tinha a farinha, mas nao era possível fazer o beiju. A farinha nao tinha nenhuma umidade.&lt;br /&gt;Acabamos, Radek e eu, nos despedindo de Isabel e fomos em direcao ao restaurante em que Juan estava com seus amigos e sua namorada.&lt;br /&gt;Depois de quase duas horas, voltamos para casa. Estava cansado, mas Juan queria que o ajudasse a fazer um roteiro de viagem pelo nordeste brasileiro. Apaixonado por nossas manifestacoes culturais, queria conhecer o povo, queria interagir com a língua portuguesa...&lt;br /&gt;Desenhei um mapa, tracamos algumas idéias, de modo que, no Sao Joao, Juan possa estar no Brasil desfrutando de nossa cultura e nos deixando disfrutar de sua companhia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-7830351126287859270?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/7830351126287859270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=7830351126287859270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7830351126287859270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7830351126287859270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/um-dia-cheio-de-acontecimentos.html' title='Um dia cheio de acontecimentos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3161073701622307544</id><published>2008-01-13T15:54:00.000-03:00</published><updated>2008-01-15T10:30:38.100-03:00</updated><title type='text'>De Tilcara a Pumamarca – a beleza indígena comercializada / 10 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Perto de 7h da manha, o celular de Taís nos desperatava, mas, com o cansaco que tínhamos, nao era possível nos levantar. De qualquer forma, nao pudemos dormir porque a cada 15 min. o celular nos lembrava que precisávamos sair a Pumamarca. De qualquer forma, acabamos dormindo até as 9h, quando Juan entrou no quarto para trabalhar no computador.&lt;br /&gt;Era uma grata surpresa acordar com a presenta tao tranquila e forte daquele tipo de ser humano que nao se encontra facilmente. E, por isso, daqueles que de quem nao se pode apartar facilmente. Ainda mais quando se precisa sair para conhecer os lugares que esta regiao da Argentina tem para oferecer.&lt;br /&gt;Assim, ficamos até quase 11h30min. na casa de Juan sem querer sair. Ao mesmo tempo, para nós era importante ir a Pumamarca e nos forcávamos a ir.&lt;br /&gt;Descemos a ladeira de Los Molles, a casa de Juan, passamos no único supermercado que existe por aqui e fomos a rodoviária. Por “coincidencia”, encontramos Irene e a outra menina (depois descobri seu nome - Cari) com quem estivemos ontem na ida para a garganta do diabo. Como também iriam a Pumamarca, nos reunimos e formamos um grupo. E, foi isso que também iria facilitar o nosso deslocamento até as salinas, uma regiao que um dia, a milhares de anos atrás, foi o fundo de um oceano e que mantém 150km de comprimento por 5km de largura pleno de cloreto de sódio.&lt;br /&gt;Por muito tempo, refleti, juntamente com Irene sobre a atitude no dia anterior, de, sem me conhecer, imaginar que poderia querer uma foto com a paisagem das montanhas e se oferecer para ser a agente desta foto que me serviria de recordacao, como ela mesma me disse. Nem ela mesma tinha consciencia de que aquele que poderia ser um pequeno gesto, poderia significar uma grade preocupacao com o ser humano.&lt;br /&gt;Quando chegamos em Pumamarca, encontramos por acaso Mauro, o psiquiatra que me ajudou, juntamente com Taís, a descer até a garganta do diabo, em Tilcara. Mauro estava com um rapaz que era artesao e conversavam sobre a diferenca entre a arte e o artesano. Nao sei porque, me meti nesta conversa e discordei deles. Para mim, esta diferenca é a reafirmacao de uma relacao de poder em que, aqueles que estao em certo patamar, se arvoram do direito de desqualificar o saber e o fazer popular, quase sempre impresso no artesanato.&lt;br /&gt;O rapaz, no entanto, se disse artesao e, por conseguinte, incapaz de ser um artista porque, como disse, suas pecas sao reprodutíveis. Ele mesmo pode reproduzi-las diversas vezes. Nesse sentido, em se tratando de alguém que se assumia e se identificava com determinada leitura de seu próprio fazer, nao discuti mais. Me senti inconveniente. Preferi comecar uma conversa com Mauro, que esperava Irene e Cari, para que organizássemos uma ida todos juntos para as salinas.&lt;br /&gt;Como se trata de um caminho muito sinuoso e cheio de curvas, a viagem foi longa e capaz de fazer a qualquer um passar mal, sobretudo com o modo como o condutor entrava e saía das curvas em subidas e descidas.&lt;br /&gt;Depois de quase 1h30min, em que passamos por pontos muito frios situados a 4070m acima do nível do mar, chegamos ao local das salinas. Segundo o condutor, teríamos 30min. para percorrermos uma parte aberta a turistas e voltarmos ao carro. O tempo curto era uma forma de ele voltar mais rápido para a sede do pueblo e trazer mais pessoas ao local de visitacao, mas, para a gente, era o suficiente para que nao desidratasse naquela regiao desértica, muito quente e com muita luz, devido ao reflexo dos raios solares no branco do sal.&lt;br /&gt;Sem cumprir o tempo pré-determinado, ficamos mais de 50min. circulando pelo local. Percebemos pessoas completamente cobertas esculpindo pecas artesanais e construindo uma casa com blocos de sal, passamos por uma piscina de água completamente salgada (isso mesmo uma psicina) e tiramos muitas fotos.&lt;br /&gt;Apesar de ser uma regiao desértica, sob o sal, muito próximo da superfércie, existe muita água armazenada. Basta cavar um buraco, a água comeca a brotar. Em compensacao, colocar maos e pés na água salgada, além de potencializar a capacidade desidratante do lugar, ainda pode deixar a pele cheia de um sal fino, muito ardente.&lt;br /&gt;Depois deste contato com o deserto salino, voltamos a Pumamarca. No caminho, fiquei observando o jeito de Mauro em relacao a Ignácio, o motorista. Com sua simpatia, conseguia ganhar Ignácio. Com ele, o motorista nunca se irritava, porque Mauro brincava, conversava sobre a estrada, sobre as pessoas que viviam nos vales, sobre seu trabalho. Quando queria que Ignácio diminuísse a velocidade para tirar fotos, usava, carinhosamente, os mais conhecidos palavroes argentinos. Muitas vezes, dizia: - Ignácio, desgracado, nao se pode tirar fotos com toda esta velocidade. Nao seja idiota. Deixe-nos tirar fotos da paisagem que voce tem todos os dias perto de casa. Isso complementado com outras coisas que só se diz na Argentina, mas que nao convém dizer porque, em outra língua ou dito por quem nao é originário de certa cultura, fica falso por nao se saber empregar com a forma e o tom corretos.&lt;br /&gt;Em um momento, apesar de estar Ignácio um pouco enraivado com o fato de as meninas terem atrasado a sua volta, lembrei que havíamos passado pela parte mais alta da regiao na ida e que o motorista nos havia prometido parar para uma foto. Assim, tateando, perguntei se a gente nao poderia parar no marco dos 4.070m de altitude para tirar uma foto de recordacao. Prontamente, Ignácio me afirmou que sim e, mais adiante, parou. Por coisa de cinco minutos mais, aumentamos nossa viagem e levamos uma recordacao da altitude.&lt;br /&gt;Durante a ida e a volta, pela primeira vez, senti um pouco a altitude. Tive uma pequena, bem leve mesmo, fisgada no ouvido. Mas, nao demorou muito. O que mais me incomodou foram as curvas e, nao sei se por causa delas ou da altitude, foi uma sorte que nao houvesse comido antes de entrar naquele carro. Teria vomitado. E, nao apenas eu, mas todos. Porque era uma sensacao geral a de que, com as curvas, poderíamos vomitar.&lt;br /&gt;Quando chegamos na sede do pueblo, Taís e eu queríamos comer alguma coisa, ir ao banheiro e sair rapidamente para conhecer o “Cerro Siete Colores”. Enquanto caminhávamos em direcao ao um “kiosco”, encontramos o casal de Buenos Aires com quem conversamos muito na primeira noite em Tilcara. Nos cumprimentamos, recebemos algumas dicas quanto ao que podíamos conhecer e nos despedimos.&lt;br /&gt;Depois de comer, Taís e eu fomos percorrer uma estrada em direcao ao um mirante. Isso nos faria ver mais de perto e em melhor angulo o “Cerro Siete Colores”. Chegamos ao local indicado, mas nao nos contentamos. Queríamos circular pelo meio daquelas montanhas, plenas de energia.&lt;br /&gt;Havia um caminho, “Camino de los Colorados”, que passava por “Cerros” vermelhos, aparentamente de argila. Era lindo ver como cada um interagia com a forca da natureza. As criancas, como que em excursao do colégio, brincavam, subiam e desciam despenhadeiros, como se estivessem em lugar plano; havia um rapaz que cantava e tocava um instrumento chamos Charanguito, na beira de um precipício enquanto outros faziam malabares; mais adiante, uma menina, sentada na beira do abismo, simplesmente, pensando; eu e Taís apenas caminhávamos inebriados com a beleza e a forca do lugar.&lt;br /&gt;Quando encontramos um lugar para subir, fomos em direcao ao cume de uma das montanhas mais baixas. Estávamos cansados e só queríamos observar a vista.&lt;br /&gt;Por causa das idas e vindas das criancas, Taís ficou um pouco irritada e nao queria ficar mais tempo no topo daquela pequena montanha vermelha. Descemos e continuamos o caminho a Pumamarca. Aí tomaríamos o onibus até Tilcara.&lt;br /&gt;Quando chegamos no onibus, mais outra coincidencia. Mauro vinha também até Tilcara para, sair no outro dia para Humauaca, pueblo mais ao norte de Tilcara, mais próximo da fronteira com a Bolívia.&lt;br /&gt;Conversamos um pouco, mas logo tratamos de descansar um pouco para chegarmos a Tilcara em melhores condicoes físicas.&lt;br /&gt;Depois que descemos em Tilcara, encontramos Gustavo e Dinis, uns portugueses amigos de Fernando e André, que conhecemos em Salta. Ficamos conversando enquanto Taís iria dar uma olhada em seus e-mails e, enquanto conversávamos encontrei duas meninas e o rapaz que tocava instrumentos de sopro, cujos nomes nao lembro, embora também estivessem na casa em que fiquei em Salta. Eles me viram e me cumprimentaram. Em pouco tempo, quando Taís se juntou a gente, eles foram embora, enquanto Gustavo e Dinis nos acompanharam até a casa de Juan. Os portugueses queriam conhecer a pessoa de que tanto falávamos, a pessoa que tanto gostava de música brasileira da melhor qualidade.&lt;br /&gt;Na casa de Juan, percebi que os meninos, de cara, se identificaram com Juan. Comecamos a falar de música de cultura... até que Juan os convidou para um churrasco, de carne e de verduras. Como Gustavo e Dinis já tinham uma janta marcada com as pessoas do hostel em que estao, nao puderam aceitar o convite de Juan. Mas, de qualquer forma, desceram com a gente para comprar algumas coisas para a janta.&lt;br /&gt;Enquanto caminhávamos, Taís comecou a falar de música e, especialmente, do funk carioca. Para ela, o funk podeia ser, em alguns casos, uma grande expresao feminista. Inclusive, Taís falava de um antropólogo, irmao de Herbert Vianna, que constituiu uma tese de doutorado sobre esse ritmo e dava o exemplo de algumas músicas de Tati Quebra-barraco (nao sei como se escreve esse nome). Em alguns momentos, Gustavo, que é músico em Portugal, concordou com ela quanto ao fato de ser o funk uma expressao cultural das favelas cariocas.&lt;br /&gt;Mas, diante do pouco que conheco, nao podia concordar com essa idéia.&lt;br /&gt;Gustavo foi veemente em relacao as minhas idéias e, Taís, mais ainda, me tachou de radical e contraditório quanto ao meu discurso de respeito as diferencas e de conhecer as diferentes culturas...&lt;br /&gt;Tentava dialogar com eles que a massificacao de uma expressao musical opressora e comercial nao poderia ser considerada uma expressao cultural. Pois, cultura é algo que permite a libertacao, a consciencia de sua própria identidade, que produz a refelxao, inclusive, do próprio fazer cultural. E, para isso, nao precisa que venham pessoas de fora das comunidades, intelectuais para dizer o que é cultura, para estudá-la em seu habitat. O povo pode adquirir consciencia de seus tracos a medida mesmo em que sente prazer em mostrar o que tem de mais seu, a medida que expoe seus tracos e os coloca diante de outras exposicoes.&lt;br /&gt;Evidente, que isso pode ser espontaneo ou provado, mas nunca imposto.&lt;br /&gt;Para complementar meus argumentos, lembrava de algumas letras de funk, como aquela que justifica um “tapinha” nas mulheres, lembrava algumas músicas de forró de plástico, como “carinhosamente” chamo a música que alguns fazem no nordeste com a denominacao de forró eletronico, e dialogava, do ponto de vista da libertacao, da afirmacao da democracia, da república, da cidadania e dos direitos humanos, como estas expressoes musicais podem ser uma afronta ao própio povo, uma oposicao ao propósito libertador. Tal como acontece com a música e com o filme “Tropa de Elite”, de Padilha. Ele nao só é a demonstracao de uma prática constante de diferenciacao entre as pessoas da favela, como é também a justificacao inescrupulosa da violencia contra os pobres, que só veem a face policial do Estado.&lt;br /&gt;Sobre o tema da prática de diferenciacao, é importante que se diga que, movido pelos preconceitos e pela discriminacao, pode ser comum entre pessoas excluídas social e moralmente, justificar a violencia ou a exclusao em face de um ser aparentemente sob condicoes iguais de sobrevivencia. E, isso pode ser visto em músicas de funk, pode ser visto no desejo de ser policial para se tornar um ser que se integra ao “asfalto”, como se denominam as partes da cidade diversas daquelas cujos direitos humanos e a dignidade, materializados em políticas públicas de qualidade, pode ser visto na tentativa de obter bens de consumo pouco duráveis...&lt;br /&gt;Com esses argumentos de que o funk pode ser um agente da negacao de direitos, inclusive do direito a cultura, aos quais agreguei experiencias nordestinas satisfatórias de respeito e resgate de expressoes culturais, pasamos muito tempo conversando. Aliás, o tempo suficiente para que Taís e Juan comprassem todo o que precisavam para a janta.&lt;br /&gt;Depois disso, nos despedimos de Gustavo e de Dinis e, quando íamos para casa, Juan passou na casa de seu amigo ceramista, Nadalino, para convidá-lo, juntamente com sua esposa, para a janta em sua casa. Depois, seguimos.&lt;br /&gt;Quando chegamos, Taís e eu ficamos vendo as fotos que tiramos em sua camera, escolhemos aquelas que eu gravaria em meu pen drive e fomos nos juntar a Juan, Ceci e um casal de amigos de Juan que estava em sua casa. Até muito próximo das 2h da manha, ficamos conversando. Em seguida, quando fomos dormir, Juan colocou em um projetor o DVD Partimpin de Adriana Calcanhoto. Com nao tinha mais forcas para segurar as pálpebras, dormi, interrompendo o meu sono somente para ver uma parte da música Eu sem voce, de que gosto bastante em sua voz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3161073701622307544?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3161073701622307544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3161073701622307544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3161073701622307544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3161073701622307544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/de-tilcara-pumamarca-beleza-indgena.html' title='De Tilcara a Pumamarca – a beleza indígena comercializada / 10 de janeiro'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3063291695320528924</id><published>2008-01-13T15:52:00.000-03:00</published><updated>2008-01-13T15:54:16.347-03:00</updated><title type='text'>Superar o medo e se deixar povoar da natureza - 09 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;O segundo dia em Tilcara nao comecou tao cedo. Como estava muito cansado, queria dormir um pouco mais. O suficiente para nao perder o café-da-manha, e o suficiente para descansar das longas caminhadas nas quais me envolvo há mais de 20 dias. As 9h me despertei e chamei Taís. Já estava com tudo mais ou menos organizado para deixar o hostel em direcao a casa de Juan.&lt;br /&gt;Comemos e fomos para Los Molles. Aí, Juan nos recebeu com um sorriso e com as palavras que me permitiram compreender aquele encontro de vida: voces vieram! Vamos dar um jeito para acomodá-los.&lt;br /&gt;De repente, enquanto nos organizávamos para a caminhada do dia, Juan comecou a mostrar um monte das millares de músicas brasileiras que tem. Entre as músicas e cantores que me mostrou estava Chico César, o que me fez sembrar da linda Paraíba, estado pelo qual guardo uma avassaladora paixao. Enquanto Juan colocava o CD ou DVD de Chico César, tentei ensinar a ele e a Taís como se dancava ciranda e, depois, sob o som de cantores brasileiros que rendiam tributos a Noel Rosa, samba.&lt;br /&gt;Juan conhece muito da música nordestina, paraibana e pernambucana. Tem o sonho de ir ao Nordeste brasileiro, de conhecer a Paraíba, terra de Chico César, por quem parece ter encantamento especial. Diante da minha paixao pelo nordeste, pela Paraíba e pelo meu Sergipe, nao podia deixar de convidá-lo para conhecer as nossas terras e mais um pouco da nossa cultura e do nosso povo. Ele ficou muito feliz com o convite e prometeu pensar no assunto.&lt;br /&gt;Enquanto isso, lhe dei o meu MP3 para que gravasse as músicas que trazia. Taís fez o mesmo. Queríamos compartilhar com ele tudo o que tínhamos de melhor da nossa música, mas nao podíamos ficar mais tempo em casa. Precisávamos conhecer alguns lugares, principalmente, a cocheira Garganta do Diabo.&lt;br /&gt;Perto 11h saímos em direcao a cachoeira. No caminho, passamos por uma ponte que nos levaria a Pucara, um sitio arqueológico local. Resolvemos descer e conhecer o lugar. Até quase 15h passamos percorrendo as ruínas de Pucara, local em que encontramos as argentinas que tinham ido conosco ao cerro em Salta.&lt;br /&gt;Em seguida, nos demos a chance de comecar nossa caminhada mais longa do dia. Seriam quase 2h para cima de uma montanha, por um caminho cheio de pedras que nos levaria até a Garganta do Diabo.&lt;br /&gt;No caminho, encontrei Irene, uma argentina de La Plata, que, ao olhar a paisagem e imaginar que seria importante para minha vida ter uma foto naquele lugar, com aquela paisagem montanhosa ao fundo, se ofereceu para tirar uma foto minha.&lt;br /&gt;A partir daí, segui com Irene e com seus amigos, Mauro e uma menina que nao se apresentou, enquanto Taís vinha mais atrás, com dificuldades de caminhar, por causa da altitude e da falta de preparo físico. Em um momento, Irene me disse que gostava da música brasileira e do som suave do portugues e, me pediu para que cantasse alguma música de Caetano Veloso. Assumi Sampa como música que nos iria adornar a paisagem, embora a descricao caetaneana nao tivesse nada a ver com aquele lugar. Mesmo com a falta de ar e com o esforco físico, cantei a música. Ao final, Irene me deu de presente tres pedras que recolheu enquanto cantava. Segundo ela, eram presentes da montanha pela linda música. Muito feliz com o presente e muito grato pela interacao, recebi os presentes da montanha e seguimos.&lt;br /&gt;Mais adiante, quando chegamos nas margens de um precipício que nos levaria a cascata, me bateu o panico. O medo de altura nao me permitia desfrutar da paisagem, nao permitia estar ali. Havia muitas pessoas que subiam e desciam, quase sempre, argentinas, e que se colocavam na beira do abismo para tirar fotos. Isso me desesperava ainda mais, ao ponto de nao conseguir descer o sendero aberto na pedra para facilitar a descida íngrime até a cachoeira.&lt;br /&gt;Como no caminho tinha falado sobre o meu medo de altura e da vitória que havia tido ao passar a ponte na ida para o Aconcágua. Neste momento, Mauro me disse ser psiquiatra e que, de fato, quem tem fobia nao pode ser forcado a vencer o medo. Segundo ele ainda, já teria sido um grande avanco ter passado sozinho a ponte para o Aconcágua. Mas, eu queria ir e dizia a Mauro isso. Porque nao poderia deixar o medo me fazer perder a oportunidade de conhecer tantas coisas lindas.&lt;br /&gt;Mauro me disse que seria importante manter a calma, esperar um pouco, para comecar a descer. Enquanto me acalmava, me sugeriu até que deséese com ele segurando a minha mao. Neste momento, Taís me pegou pela mao e me prometeu ajuda. Tentamos descer várias vezes. Mas, nao conseguia. O meu panico aumentava ainda mais.&lt;br /&gt;Mauro, entao, sugeriu um calmante bem fraquinho para que eu deséese (fiquei com um pouco de receio disso, porque nunca tomei essas coisas). Mas, ao procurar em sua carteira e nao encontrar, Mauro me sugeriu que desistisse. Foi quando Taís disse ter um calmante sublingual bem fraco. Era exatamente o que Mauro iria me dar.&lt;br /&gt;Tomei e eles se mantiveram ao meu lado esperando que me sentisse melhor. Quando me senti preparado comecei a descer. Com as pernas tremulas, agarrei a mao de Taís e descemos. Todas as vezes que iríamos virar e eu iria ficar no lado do precipicio, trocávamos de lado… bom, assim consegui descer até a beirada de um outro precipicio. Todos se aproximavam para ver as pessoas descendo o pareado em Rapel, mas eu nao me sentia preparado.&lt;br /&gt;Fomos para o outro lado, em busca da cascata motivo de nossa descida. Caminamos mais vinte minutos e encontramos o que para mim era o paraíso. Cansado, ainda tenso, nao demorei em tirar a camisa, me desvencilhar da mochila e cair na água. Encostado na pedra enquanto a água caía, sentia a energia daquela montanha. Por minutos fiquei sob a água gelada que saltava sobre o meu corpo. Estava feliz por ter me dado a oportunidade de estar ali, de ter superado meu medo, de ter me feito ver e sentir o que a montanha tinha como grande presente, um presente que ninguém leva consigo como coisa, senao como sentimento, como aprendizado. Ou seja, era um presente que ninguém levava e levava ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Depois de quase uma hora aos pés da cascata, voltamos. Trazia comigo 7 ou 8 garrafas de plástico que sao deixadas por algumas pessoas para a montanha em troca do que ela nos dá. Já me sentia mais confiante de cegar mais perto dos precipicios, já me sentia forte para subir o penasco sozinho. Até consegui tirar uma foto na beira do precipicio em que as pessoas faziam rapel.&lt;br /&gt;No caminho, a montanha nos dava mais presentes. As cores que punha com o final da tarde era lindas. As flores pareciam mais amarelas, os cactos, como as nuvens, tinham formas que nos inspiravam a imaginacao…&lt;br /&gt;Depois de mais de 1h30min. chegamos ao pueblo. Minhas pernas, meus pés, depois de tanto caminhar sobre pedras, doíam completamente. Nao conseguia dar qualquer passo. Mas, precisava saber o horário do onibus para Pumamarca amanha, ao mesmo tempo em que precisávamos encontrar um lugar para comer.&lt;br /&gt;Rodamos um pouco, passamos pelas senhoras que nos haviam vendido o pao no dia anterior, conversamos com elas, tiram fotos das tres criancas que as acompanhavam… e, em seguida, chegamos na casa de Juan. Mais uma vez, aproveitamos para falar portugues e ouvir música brasileira. Ao mesmo tempo, necessitava refletir sobre o que me havia passado ontem e hoje, além de escrever sobre tudo isso. Taís e Juan ficaram do lado de fora da casa conversando com as outras pessoas aquí hospedadas e eu me mantive no quarto, escrevendo ao som da música brasileira. Agora, estao no pueblo aproveitando a noite, mas com o meu cansaco e com a minha necessidade de escrever, resolvi ficar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3063291695320528924?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3063291695320528924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3063291695320528924' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3063291695320528924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3063291695320528924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/superar-o-medo-e-se-deixar-povoar-da.html' title='Superar o medo e se deixar povoar da natureza - 09 de janeiro'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3666791339060359729</id><published>2008-01-13T15:48:00.000-03:00</published><updated>2008-01-13T15:52:55.194-03:00</updated><title type='text'>Os últimos momentos em Salta e o primeiro dia em Tilcara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;08 de janeiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Depois de fazermos uma janta compartilhada na noite anterior, em que estivemos juntos, brasileiros, portugueses, franceses, italianos, argentinos e canadenses, bem como de uma noite de sono profundo, despertei para um novo dia de (re)conhecimento. Agora, meu destino era Tilcara. E, ainda que estivesse feliz por conhecer uma regiao ao norte da Argentina, próxima a Bolivia, plena da cultura indígena e plena de belezas naturais andinas, me dava um sentimento de perda, porque o tempo do percurso até Tilcara, mais ou menos 4h, representava os últimos momentos com Fernando e André, os amigos portugueses que conheci em Mendoza.&lt;br /&gt;Estava um pouco triste, como em todos os momentos em que tive que deixar pessoas com quem me identifiquei, mas, mais uma vez, tentava me acostumar com a idéia de que era preciso partir e deixar partir. Cada um debe seguir seus rumos e eu também preciso ter novos encontros. Com estas reflexoes, nos despedimos de Victor, um indígena que ajudava na casa, perto das 7h da manha, Taís e eu, logo atrás, Fernando e André, saímos para a rodoviária.&lt;br /&gt;Em ponto, as 7h15min. o onibus tomou o rumo de Tilcara. Sabia que o caminho era lindo, cheio de montanhas multicores, mas meu cansaco me impunha dormir, o que fiz pelo menos até Jujuy, a provincia em que está situada Tilcara. Mas, nao posso dizer que, mesmo depois de acordar, nao fiquei meio sonolento, intercalando cochilos e atencao exclusiva para a paisagem. Em um momento em que dormia, recebi uma cotovelada no peito. Era Fernando tentando me acordar para ver uma montanha completamente negra, com o cume completamente coberto de neve. Quase dei um pulo da cadeira, com o susto. E, quando o olhei, ele estava dormindo. Perguntei o que tinha sido aquilo e ele me respondeu que era para que eu visse a paisagem. Neste momento, ri muito porque, de fato, compreendi que Fernando estava dormindo. Se tinha feito aquilo comigo foi porque, talvez, quando foi se virar, percebeu a vista, olhou, me acordou e voltou a dormir.&lt;br /&gt;A partir daí, nao voltei a dormir. Nao podia mais deixar de contemplar, de me deixar afetar reflexivamente, porque aquele lugar que me fazia compreender a minha humanidade compreendendo a humanidade das demais pessoas, ou seja, que me fazia ser humano nas relacoes interpessoais que se dao no espaco, nesse espaco incrivelmente lindo.&lt;br /&gt;Perto de 11h da manha chegamos, Taís e eu em Tilcara. Nos despedimos do companheiros portugueses, com o sentimento de perda a flor-da-pele, e fomos em busca de um hostel, Los Molles, de propriedade de um jovem argentino apaixonado pelo Brasil, indicado por uma amiga de Taís, com quem o rapaz conviveu enquanto foi ao Rio de Janeiro aprender por tugues.&lt;br /&gt;Logo demos de cara com uma ladeirinha. Para quem está com mochilas nas costas… nao é tao interessante, mas a vista com que nos deparávamos e a expectativa em (re)conhecer Juan, depois de tantas coisas a seu respeito de que falava Taís, nao nos fez sentir tanto a subida.&lt;br /&gt;De frente para o vale que se formava ao pé de lindas montanhas vermelhas, na casinha branca inteiramente decorada com coisas antigas, mescladas ao artesato indígena, Taís e eu, inebriados pela vista e pela expectativa de conhecer Juan, chamamos (nao veio ninguém) e entramos. No interior da casa, demos de cara com Juan. Um jovem com uma energia forte, pleno de sua vida, depois de deixar Buenos Aires para viver em Tilcara. Nos falamos um pouco e tudo era como se conhecesse Juan a anos. Me sentia bem, me sentia como se sua casa fosse o lugar ideal para o compartilhamento que acreditava poder existir em Tilcara.&lt;br /&gt;Infelizmente, Juan nao tinha espaco para nos hospedar, mas, um tempo mais de conversa, ele já nao queria que fóssemos embora… mas, Taís e eu, com receio de incomodar, pedimos a indicacao de um lugar em que pudéssemos ficar, pelo menos, por uma noite. Pois, Juan nos disse que teria espaco para a gente no outro dia.&lt;br /&gt;Depois de algum tempo de conversa, compartilhamento e indicacoes de lugares para conhecer em Tilcara, deixamos a casa de Juan. Descemos a ladeira em busca do hostel indicado, de modo que pudéssemos deixar as mochilas e dormir na noite que, decerto, viria depois de aproveitar bastante o dia.&lt;br /&gt;Organizado tudo, almocamos, eu estava há dias sem almocar bem, caminhamos pela praca, em que havia uma feira de artesanatos e voltamos ao hostel para descansar um pouco.&lt;br /&gt;Duas coisas neste meio termo precisam ser relatadas. A primeira delas é a conversa que tivemos com Hortensia, uma senhora indígena que vive da venda do artesanato. Segundo ela, o lugar onde vive é pobre, pleno de dificuldades, com cultura destrocada. Ela mesma é de uma etnia cujo nome sequer lembrava.&lt;br /&gt;O que mais impressinou na conversa que tive com esta mulher foi a sua delicadeza, a sua vontade de tratar bem, a sua curiosidade de saber sobre o Brasil. A parte isso, nos contou que tem duas filhas e que uma delas estuda portugues na escola (na Argentina, se pode optar pelo Ingles ou pelo Portugues nos estudos escolares) e que a ela seria muito bem falar comigo e com Taís, para praticar o que aprendia.&lt;br /&gt;Depois de um tempo, deixamos a baraquinha de Hortensia com a sensacao de mais um encontro de vida, naquele dia, além de Juan.&lt;br /&gt;O outro fato que é importante relatar nao é tao bom. Enquanto voltámos para o hostel, vi uma señora indígena carregando uma crianca amarrada as costas, enquanto tentava trocar as fraldas de uma maiorzinha. Pedi-lhe para tirar uma foto, mas a señora ficou muito emraivecida e nao deixou. Naquele momento, fiquei muito triste porque queria muito ter uma foto que pudesse epresentar a cultura indígena local. Todo o tempo, me preguntava porque teve raiva, porque nao me havia deixado tirar a foto. Mas, enquanto descansava um pouco no hostel, refleti sobre tudo aquilo. Percebi que eu nao tinha direito de tratar as pessoas e as culturas como algo raro, incompreensível, a ponto de torná-los “objeto” de minha curiosidade e de meu olhar dominador excusos. A parte, nao estava em um jardim zoológico para olhar as pessoas e nao absorver e absorver-me de suas vidas, só querer carregar, sem compromisso sua imagen, talvez, para mostrar aos outros que estive em um lugar em que as pessoas tinham tais ou quais costumes ou para sentir-me dono de uma imagem rara, nao sei…&lt;br /&gt;Depois disso, comecei a conversar com umas meninas de Córdoba que estavam hospedas aí também Como algunas delas fazem parte de movimentos sociais na Argentina, fiquei horas conversando. Inclusive, aproveitei o fato de serem de Córdoba para contar os episódios que haviam passado neste lugar. As meninas, que demostravam ser inteiramente contrárias as idéias professadas pelas pessoas do Córdoba Packpackers, comecaram a se irritar com o que ouviam e chamavam todos os que haviam falado asneiras sobre a relacao dos argentinos com os brasileiros de idiotas, falavam de seu equívoco em deixar o futebol se colocar sobre as relacoes humanas…&lt;br /&gt;Depois da boa coversa, Taís e eu pegamos umas bicicletas e fomos para uma estrada em direto a Maimara, um outro pueblo, muito próximo de Tilcara. O caminho nao era tao duro, mas para a gente que vem do nível do mar, era difícil respirar enquanto pedalávamos, era difícil subir as ladeiras…&lt;br /&gt;Enquanto subíamos, cheios da consciencia de que 6km é muito pouco para se percorrer em bicicleta, tínhamos muita ansiedade em chegar. A todas as pessoas que víamos ao longo da estrada, pedíamos informacoes. E, todos, muito carinhosamente, nos recebiam e nos indicavam o caminho. Algumas vezes, como aconteceu com uma senhora indígena que vimos caminando de Maimara para Tilcara, as pessoas queriam falar, as pessoas queriam dizer sua palavra, como diz Paulo Freire. A senhora, por vários minutos, me falou de sua família, de suas filhas, do lugar onde morava… eu, pacientemente, a ouvi e queria que ela falasse mais, queria que ela me tornasse um ser capaz de fazer parte daquele universo sem o olhar perverso do que se arvora de “civilizado” em face de culturas menos conhecidas. Esqueci do tempo.&lt;br /&gt;Terminada a conversa com a informacao de que estávamos a uma hora e meia mais ou menos de Maimara, saímos estrada a fora.&lt;br /&gt;Em duas horas, percorremos os seis quilometros de subidas e chegamos ao nosso destino. Era um lugar lindo, posto ás margens do “Cerro Paletas del Pintor”. Mas, o que mais me impressionou foi o fato de as pessoas serem muito alegres, de terem muitos filhos, de estarem todo o tempo tentando interagir, conversar… quando chegava em uma venda para comprar água ou qualquer coisa para comer, quase nao saíamos. As pessoas queriam saber de onde vinham, para onde iríamos, o que fazíamos alí…&lt;br /&gt;Até que fui chamado por um señor. Ele com muita certeza, me chamava de brasileiro e me pedia para falar portugues com sua filha pequena. A ela encantava escutar os sons do nosso portugues. Primeiro, esquecendo que estava com uma camisa do MST, perguntei como sabia que eu era brasileiro e, prontamente, fiquei “sabendo” que era pelos meus óculos. Até que chegasse de volta ao hostel, nao tinha me dado conta do verdadeiro motivo.&lt;br /&gt;Em seguida, falei algumas coisas com a menina e fui tomado para uma conversa com o homem que falava muitíssimo (mais do que eu até). Por quase uma hora, ficamos Taís, o senhor e sua esposa, um outro casal e eu, conversando sobre questoes políticas, sobre América Latina… o que gosto muito dos argentinos é que sao, de modo geral, muito críticos e gostam muito de falar sobre política, sobre seu país…&lt;br /&gt;Na conversa, descobri que o homem conhece Aracaju. Ele trabalha na Santista Textil, empresa que tem uma sede em Nossa Senhora do Socorro, município sergipano situado na regiao da grande Aracaju. Mas, como o tempo era nosso inimigo (tínhamos que voltar antes das 19h30min para devolver as bicicletas), interrompi a conversa e, quando vínhamos de volta a Tilcara, eles nos pediu que tirássemos uma foto juntos. Nao titubeamos em aceitar. Só é uma pena que tive tanto contato com tantas pessoas que nao posso me lembrar do nome de todas.&lt;br /&gt;Em Tilcara, resolvemos comprar algumas coisas e ir até a casa de Juan. Ele tinha nos convidado para voltar a tardinha para conversarmos e, se possível, darmos uma volta pelo pueblo. Também, queria aproveitar a vista, o entardecer desde sua casa. E, no caminho, passamos por duas mulheres que vendiam um pao andino, assado na brasa. Muito simpáticas, comecaram a conversar. Explicavam como se fazia o pao, sua origem, falava de seu pueblo… interagimos, de verdade, com estas pessoas e, quando saíamos, pedimos para tirar fotos todos juntos.&lt;br /&gt;Quando chegamos na casa de Juan, estava Pedro, que, ao me ver com a camisa do MST, veio em minha directo e perguntou se era uma camisa do MST, se eu era do movimento. Respondi que sim, que era adrogado do MST e, isso foi o mote para conversarmos por horas. Como estava muito cansado, meu español me custava. Era a primeira vez que saía do automático e nao conseguia expressar todas as idéias desde quando comecei a viagem.&lt;br /&gt;Perto das 22h voltamos para o hostel. O banho quente se encerra as 23h e, como fazia muito frio e nao podíamos ficar sem um bom banho…, corremos.&lt;br /&gt;Quando chegamos no hostel, estávamos mortos, mas haviam muitas pessoas e tinha vontade de falar com todas. Melhor, eram somente argentinos, o que poderia me colocar mais próximo da cultura do país e do modo de ser das pessoas daqui.&lt;br /&gt;Em algum momento, me dirigi para o cuarto e chegou um casal jovem que vive em Buenos Aires (infelizmente, nao nos apresentamos). Por horas, ficamos conversando sobre política, meio ambiente… e eu, muito feliz pelo fato de poder dialogar sobre temas tao interesantes.&lt;br /&gt;quase nao consigo tomar banho. Queria interagir com aquelas pessoas tao simpáticas, mas Taís me lembrava da necessidade de deixar por um tempo a conversa.&lt;br /&gt;Bom, mas acabei indo para o banho e, em seguida, para a cama, porque no outro dia precisava estar bem para caminhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3666791339060359729?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3666791339060359729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3666791339060359729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3666791339060359729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3666791339060359729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/os-ltimos-momentos-em-salta-e-o.html' title='Os últimos momentos em Salta e o primeiro dia em Tilcara'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3116107718351755004</id><published>2008-01-07T22:09:00.000-03:00</published><updated>2008-01-07T22:11:02.120-03:00</updated><title type='text'>O dia em Salta - segundo e último dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; o dia começou bem cedo, apesar de ter ido dormir muito tarde, quase às três da manha. Às 9h30min. já estava de pé para tentar escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando me levantei, duas argentinas, Juli e Luc, estavam conversando com Gozalo (italiano). Ainda parecendo meio bêbados, falavam muito alto sobre a noite anterior e nos fazia sorrir a todos com as histórias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Depois que escrevi, fui ao seu encontro, compartilhar um pouco destas histórias, sorrir, aproveitar a companhia das meninas, que, já no dia de hoje, iriam para Tilcara (um lugar lindo muito próximo daqui da Salta-capital).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Ficamos conversando, comendo, sorrindo... as pessoas foram chegando e se integrando ao papo. Só nao se levantavam as outras três argentinas que acompanhavam Luc e Juli. Era divertido porque elas, ainda bêbadas, acabam reclamando muito de tudo! Ríamos todos, brincávamos. André, um dos portugueses, rapidamente se integrou à brincadeira e a tornou ainda mais engraçada. Aliás, nao é difícil para André integrar-se e fazer as pessoas sorrirem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando as demais argentinas acordaram, foi ainda mais engraçado. Elas brincavam o tempo todo com o dono da casa (que faz cara de sério, mas está o tempo todo, brincando) e fazia a todo mundo rir com o modo como os argentinos se tratam entre si. Quem está de fora, pensa que eles se ofendem e nada mais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Foram tempos de riso fácil e enérgico. Mas, faltava Coc. Ela tinha chegado completamente bêbada e nao conseguia se levantar. Ninguém conseguia acordá-la. E, quando conseguiram, ela seguia falando um monte de besteiras, como se ainda estivessa dormindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Tudo estava muito bom, muito engraçao, mas era chagada a hora de as 5 argentinas e de outros argentinos com quem nao tivemos tanta intimidade, fossem embora. Era a pior hora, depois de tanto compartilhamento, de tanta alegria juntos. Tiramos muitas fotos, nos abraçamos, trocamos e-mail.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quanto às meninas, nao tive tanta saudade porque, espero, vamos nos encontrar em Rosário em mais alguns dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Passadas as despedidas, fomos Taís, Fernando, André e eu até a rodoviária comprar passagens para Tilcara amanha e depois sairmos para San Lorenzo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Em San Lorenzo, fomos a um parque numa montanha, sentamos, comemos alguma coisa e saímos para subir a montanha. Eu, depois do dia de ontem, em que caminhei por 14 horas, nao conseguia me levantar e fiquei sentado por um tempo até encontrar forças. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Enquanto isso, começou a chover muito. Trovoadas, raios... era impressionante! Como conheço um pouco sobre clima, imaginei que a chuva nao iria passar tao rápido. Taís, no entanto, teimava que tudo nao passava de uma chuva de verao.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; O certo é que a temperatura começou a baixar e a chuva a ficar mais forte e contínua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando deu uma trégua, conseguimos descer uma parte mais alta e pegar ônibus no pé da montanha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Voltamos para casa e, por algum tempo, planejamos o que iríamos comer. Os portugueses queriam fazer um prato para todos e Taís queria fazer ravioles para mim. Saímos ao supermercado, compramos umas coisas e voltamos. Estávamos todos muito cansados, mas queríamos compartilhar a comida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Agora, Taís e André estao na cozinha. Vamos, um pouco mais tarde nos encontrar todos diante da mesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3116107718351755004?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3116107718351755004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3116107718351755004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3116107718351755004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3116107718351755004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/o-dia-em-salta-segundo-e-ltimo-dia.html' title='O dia em Salta - segundo e último dia'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-967903522121106418</id><published>2008-01-07T08:45:00.000-03:00</published><updated>2008-01-07T09:43:07.866-03:00</updated><title type='text'>Um Salta para novos sentimentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;"&gt;&lt;br /&gt;Perto de 9h da manha chego a Salta, no norte da Argentina. Já tinha me avisado Érica de esta regiao expressava com mais efusividade seus sentimentos latinoamericanos e indígenas. Por isso, vinha com certas expectativas, ainda que um pouco soterradas pelo que senti em Córdoba.&lt;br /&gt;Quando cheguei na Rodoviária...&lt;br /&gt;Nao nao... preciso contar o que sonhei na noite anterior primeiro. Foi a primeira vez que lembro o que sonhei.&lt;br /&gt;Segundo minhas lembranças, um pouco distorcidas, é verdade, porque os sonhos sao, muitas vezes, loucos, estava em algum lugar, que, em alguns momentos, me parecia o nordeste brasileiro e, em outros momentos, o norte da Argentina. Neste espaço, encontro duas crianças, um menino e uma menina. Eram irmaos. Estavam em situaçao de rua.&lt;br /&gt;Começamos a conversar e a conviver de alguma forma. Passado um ano, percebi que eles me haviam escolhido com seu pai e, eu me sentia pronto para adotá-los como filhos.&lt;br /&gt;Dei entrada em todos os papéis, fiz todo os trâmites legais necessários... mas, no dia em que eles viriam morar definitivamente comigo, estive na sede do Juizado da Infância e eles estavam com outros pais. As crianças choravam, eu também, e, inconformado, perguntava a assistente social o porquê de estarem com outros pais se seu pai era eu. Com tentativas em vao de obter uma resposta, meu sonho foi interrompido pela chegada a Salta, perto de 9h da manha.&lt;br /&gt;Com este sentimento de perda (tanto pelos filhos que havia perdido, quanto pelos dois dias anteriores em Córdoba) e expectativa sobre a cultura do povo de Salta, mais parecido com o povo boliviano em termos físicos, "aportei". Na rodoviária, me dirigi ao posto de informaçoes em que nao havia ninguém e fiquei aí por vários minutos...&lt;br /&gt;Enquanto esperava que chegasse alguém que pudesse informar algo sobre como chegar em um albergue, mentalizava um encontro com Taís. Era como se imaginasse que iria encontrá-la no terminal de ônibus. Isso porque ela tinha enviado um comentário para o meu blog dizendo que estaria em Salta no domingo.&lt;br /&gt;De repente, vejo duas meninas entrando no terminal. Uma delas era Taís. Que felicidade!!!! De imediato, corri em sua direçao e a abracei. Ela também pareceu muito feliz.&lt;br /&gt;Estava com Emilie, uma menina canadense, que havia conhecido no Valle de la Luna, em San Juan.&lt;br /&gt;Caminhamos por quase uma hora até um albergue, onde Taís acreditava ter feito uma reserva. Mas, quando chegamos aí, quase mortos de carregar nossas mochilas, nao havia qualquer reserva. Partimos para um outro. Era melhor. Todo limpinho, muito organizado... o cara ainda nos ofereceu o café-da-manha.&lt;br /&gt;Deixamos as coisas num quarto e, enquanto comíamos, chega André, um português que conhecemos em Mendoza. Segundo ele, já tinha deixado recados em todos os hosteis para mim. Dizia que se eu chegasse, ele e o outro português, Fernando, estariam hospedados próximos à rodoviária, numa casa de família e que era para eu ira até este local, porque já tinham conversado com o pessoal para que eu e Taís ficássemos aí também.&lt;br /&gt;Terminamos de comer e, enquanto fui ao banheiro, Fernando e Taís conversaram com o administrador do albergue e conseguiu que saíssemos sem pagar nada. Assim que saio, recebo a notícia de que nao ficaríamos ali, de que iríamos para a casa de família, nesta época, cheia de hóspedes.&lt;br /&gt;Mais uma hora de caminhada e chegamos a uma casinha linda. Estava cheia de gente. Um monte de argentinos.&lt;br /&gt;Tive um pouco de receio do que pudesse passar aí e, assim que cheguei, usando uma forma muito brincalhona de conversar, perguntei se naquele lugar teriam problemas com brasileiros. A resposta imediata foi: NAO! Adoramos brasileiros.&lt;br /&gt;Daí em diante, começamos a conversar, contei o que havia acontecido em Córdoba e o que eles me disseram é que todos têm problemas com os cordobeses.&lt;br /&gt;Nao posso acreditar nessa questao de todos terem problemas com os cordobeses, mas sei que passei um dia lindo ao lado dessa gente.&lt;br /&gt;Foi só deixar as coisas no quarto e sairmos, Fernando, André, Taís, eu e cinco argentinas (Luc, Sole, Juli, Coc, Belén), todas de Rosário. Inclusive, já me ofereceram casa para ficar quando passar em Rosário.&lt;br /&gt;Caminhamos juntos durante 8h mais ou menos. Subimos uma serra ao lado da cidade e depois, quando descemos, ficamos rodando pelo centro.&lt;br /&gt;Apesar de passar um dia incrível, capaz de me fazer esquecer tudo o que tinha passado em Córdoba, juntos nao podia observar bem a cultura local e nao podia interagiar com as pessoas.&lt;br /&gt;Quando, perto de 8h da tarde eles disseram que iriam voltar para o hostel, saí caminhando em direçao à periferia da cidade. Me disseram que aí havia um mercado de artesanato local.&lt;br /&gt;Caminhei mais duas horas (para ir e voltar) pela Av. San Martín. Mas, valeu a pena. No caminho, vi crianças brincando nas ruas, vi pessoas sentadas na porta, vi pessoas namorando, vi a cidade ferver de sua própria vida, nao daquela vida que, normalmente, se mostra aos turistas.&lt;br /&gt;Em algum momento, encontrei uma mulher rodeada de cachorros. Quando lhe pedi informaçoes, os cachorros me atacaram. Foi muito engraçado, porque a mulher tentava me dar as informaçoes que eu precisava, mas eu queria ir rapidamente daquele local para nao ser mordido.&lt;br /&gt;Bom, continuei andando...&lt;br /&gt;Em seguida, conheci Romina, uma descendente de indígena que vende artesanato nas cercanias do Mercado. Ficamos conversando pelo tempo necessário para que Romina me explicasse tudo sobre o artesanato, sobre como diferenciar o bom do ruim, sobre como, agora, tudo é sintético e de pouco participaçao indígena... me contou isso, mas também que em Salta os censos perceberam que existem mais pessoas da Bolívia em Salta do que originários da Argentina. E, complementou isso com a informaçao de que a cultura local está plena da participaçao indígena, de seus traços físicos, de sua forma de ser, de suas palavras.&lt;br /&gt;Mais adiante... ah, nao falei isso, talvez, para fazer frente ao sentimento que, em Córdoba combateram em mim, o fato de ser brasileiro, usei durante o último dia em Córdoba e o primeiro dia em Salta, uma camisa com as cores da nossa bandeira e com o nome "Brasil" no peito.&lt;br /&gt;Bom, volto a relatar...&lt;br /&gt;Mais adiante, encontro Oscar. Uma figura muito simpática que começa a brincar comigo. Repetia sorrindo Oscar ao me ver: Brasil, Brasil... o mais grande do mundo.&lt;br /&gt;Isso com a tentativa de falar o sotaque que se vende do Brasil em outros países, com os djis, tchis.&lt;br /&gt;De repente, começa a falar de futebol e dizer que adorava a alegria dos brasileiros com a bola. Falava de Ronaldinho Gaúcho e de sua incrível capacidade de lidar com a bola, de fazer malabarismos, falava dos times brasileiros...&lt;br /&gt;Muito delicadamente, lhe pedi para nao falarmos de futebol. Primeiro porque nao gosto muito desse esporte que, ao virar negócio, nos faz rivais, segundo porque é um tema que nos separa e nao nos aproxima. Queria a aproximaçao.&lt;br /&gt;Oscar compreendeu e concordou comigo que futebol era um tema proibido entre brasileiros e argentinos se a intençao era construir uma relaçao respeituosa.&lt;br /&gt;Neste momento, também comentamos sobre as mortes, o modo como os fanáticos se devotam ao futebol, como se fossem suas próprias vidas, capazes de defenderem seus times com a violência e com a morte de outras pessoas.&lt;br /&gt;Quando Oscar e Romina pareciam ser meus únicos encontros com o povo local de Salta naquela tarde, encontro, já na volta, uma família na porta de sua casa. Eram Alicia e Carlos, com seus netos e sua nora Adriana. Carlos pentiava seu netinho e estava louco para retratar aquele momento, mas, com vergonha, passei por eles.&lt;br /&gt;Adiante, resolvi voltar, pedir permissao para fotografar a família e conversar um pouco. Qual foi a minha surpresa, eles aceitaram prontamente e começaram a conversar. Me apresentaram os cinco netos, posaram para a foto e ficamos por alguns minutos conversando. Me mostraram com felicidade sua casa, me falaram sobre suas vidas, as crianças brincavam comigo, eram felizes, apesar da situaçao de pobreza em que viviam.&lt;br /&gt;Aliás, esta situaçao de pobreza era um pouco contraditória com o cartaz do governo de Salta encontrei no caminho de volta. Dizia: "Salta la linda, ahora Salta la justa".&lt;br /&gt;Essa foi a frase com que vim observando as pessoas, a cidade, o modo de vida... tudo para estabelecer contato com essa "justiça" de que se falava. De fato, nao a encontrei.&lt;br /&gt;E, com meus pensamentos, caminhei mais um hora de volta a casa em que estou. Estava cansado, com fome, precisava tomar banho. Mas, os portugueses queriam sair, queriam ir comer fora. Insistiram e acabei indo até o "Paseo de los Poetas". Eles comeram e, como tínhamos marcado com as Argentinas para nos encontrarmos en "La Panaderia", um lugar de músicas típicas, acabie indo também. Mas, o show já estava terminando e voltamos para casa.&lt;br /&gt;Quando chegamos, as meninas estavam lindas e nos chamavam para sair. Mas, depois de mais de 14h de caminhar, nao podia mais nada. Precisava tomar um banho e dormir. Foi o que fiz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-967903522121106418?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/967903522121106418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=967903522121106418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/967903522121106418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/967903522121106418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/um-salta-para-novos-sentimentos.html' title='Um Salta para novos sentimentos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-531442026234475817</id><published>2008-01-06T11:45:00.000-03:00</published><updated>2008-01-06T12:18:11.849-03:00</updated><title type='text'>Nao sabia como aproveitar o úlitmo dia em Córdoba</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Acordei pela manha e tinha que organizar tudo para registrar rapidamente a saída, sob pena de ter que pagar mais pelo hostel. Fiz isso e fui tomar café e escrever um pouco. Acho que nos últimos tempos tenho ficado viciado em escrever e necessito disso para me sentir bem, para saber que pude refletir sobre tudo o que passei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto escrevia, chegou Ceci com minha toalha e me pergunta o que merece por have-la encontrado. Dei-lhe um beijo, mas nao sei se sentiu muito bem. Parece que as pessoas de Córdoba nao sao tao abertas como em outras partes da Argentina em que estive, inclusive, agora, quando falava com outros Argentinos que encontrei aqui em Salta, eles disseram que os corodobeses sao um problema para toda Argentina. Nao sei se isso é verdade, porque encontrei pessoas muito simpáticas, mas, de fato, nao encontrei pessoas tao interessantes no hostel. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Fiquei com uma impressao ainda pior depois da conversa que tive na noite de sexta-feira com as pessoas do hostel sobre a relaçao Brasil e Argentina, tinha ficado muito mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Por isso, tb nao sabia muito o que fazer durante todo o dia. Era como se quisesse voltar pra minha casa no Brasil, ao saber que os argentinos no "odeiam", como afirmaram Claudia, seu marido e Mauricio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Mas, resolvi conhecer "Villa Carlos Paz", que todos disseram se tratar de uma cidade bonita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Meu animo nao estava bem, nao podia andar, como faço todos os dias e nao queria mais nada. Mas, nao podia deixar de conhecer. Tinha me desolcado 45 min. para conhecer o lugar e nao podia deixar de conhecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Peguei um onibus local e comecei rodar pela cidade, durante uma hora e meia. Depois que passei pelos principais locais, fui para a rodoviária e peguei o onibus para Córdoba-capital.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto viajava ia refeltindo sobre como o meu encantamento pela Argentina estava se perdendo e como nao conseguia lidar com isso. Tinha medo de que se passasse o mesmo que me passou com os soteropolitanos, de modo geral. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Explico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Tinha uma paixao muito forte por Salvador e por sua gente. Pensava que aquela espontaneidade contagiante era maravilhosa, que as pessoas eram muito abertas e muito cativantes... mas, depois de inúmeras decepçoes, sobretudo por acreditar que o que se expressava era real, fui percebendo que toda aquela forma de ser era muito mais aparencia do que sentimento verdadeiro, que muitas pessoas carregavam uma máscara. Uma vez rompida essa máscara, era possível relativizar aquela forma de atuar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Espero que isso nao aconteça com a Argentina e com os Argentinos. Porque sinto muito prazer em estar aqui e na forma como eles nos recebem aos brasileiros, como falam sobre o Brasil e como nos mostra sua Argentina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, mas foi com estes pensamentos que passei todo o dia. Voltei a capital e continuei com a sensaçao de perda, de decepçao. Cheguei no hostel com vontade de ir, mas tentei interagir e superar o que sentia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; De alguma forma, percebia que Laura, a menina que trabalha aí, estava também muito fria. Falava de forma muito séria, como se estivesse louca para que eu me fosse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Comi e, quando pedi uma toalha para tomar banho, me cobrou 5 pesos pelo banho. Segundo ela, era uma política devido a alta temporada que se havia iniciado por aqueles dias. Retruquei. Disse-lhe que nunca tinha passado por isso. Que, normalmente, as pessoas deixavam aqueles que se hospedaram no local tomar banho quando, mesmo tendo feito o check in pela manha, tinham viagem marcada para a tarde ou noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ela nao titubeou. Exigiu os cinco pesos ou nada de banho, mesmo depois do transtorno de desaparecerem com a minha toalha, devolve-la suja, de me chatearem com esta coisa de brasileiro e argentino...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Bom, paguei os cinco pesos, tomei um banho e me fui. Na saída, ela veio falar comigo e desejar boa viagem. Recebi os cumprimentos, mas nao acreditei muito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Em seguida, caminhei quase uma hora, com um peso terrível nas costas, até a rodoviária. Tinha onibus para Salta as 20h45min.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Na rodoviária, fiquei lendo, cortei as unhas e troquei dinheiro em moedas para dar de gorjeta aos homens que colocam e tiram as malas dos onibus. Aqui há uma cultura da gorjeta. Se a gente nao dá, eles ficam muito irritados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; No momento em que iria colocar minhas malas, achei 10 pesos. Neste momento, me senti um sortudo e pensei: isso é para compensar o que paguei pelo banho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Rapidamente, me abaixei, com todo o peso, e apanhei a nota que estava no chao.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Durante a viagem, tentei uma conversa com uma menina que estava atrás, mas como era de Israel e só falava ingles, a conversa ficou obstada. Fui dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto dormia, abri um pouco os olhos para mudar de posiçao e, sem querer, olhei o céu. Estava tao bonito quanto o que via em Foz do Iguaçu. Se podia ver um monte de estrelas, um céu inteiro pra se falar a verdade... era lindo. Por isso, lutava contra o sono pra ficar olhando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Problema foi depois. Tentei dormir, mas nao tinha mais sono. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Pensei, pensei... e acabei dormindo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-531442026234475817?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/531442026234475817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=531442026234475817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/531442026234475817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/531442026234475817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/nao-sabia-como-aproveitar-o-litmo-dia.html' title='Nao sabia como aproveitar o úlitmo dia em Córdoba'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-4636767266715715053</id><published>2008-01-05T08:14:00.000-03:00</published><updated>2008-01-05T09:03:51.494-03:00</updated><title type='text'>Emerge a ideologia da separaçao sobre a "hemandad"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;"&gt;Tinha tomado um banho e, ainda um pouco chateado com o sumisso de minha toalha, desci para insistir um pouco mais com as pessoas que trabalham no hostel para procurá-la. Afinal, ninguém se movia para encontrá-la e me sentia ridículo pedindo para que alguém saísse do lugar e fosse ver onde as pessoas que limpam os quartos podiam haver colocado.&lt;br /&gt;Falei com várias pessoas, fui até o local onde poem as toalhas para lavar e as lavadas e nao estava aí. Supus que pudesse estar em outro quarto por engano, mas ninguém foi ver.&lt;br /&gt;Para nao me irratar por causa de um bem que, apesar da representaçao do carinho de Dona Maria por mim, nao deixa de ser um bem material, nao subi para o quarto. Fiquei conversando com as pessoas que trabalham no hostel e com Mauricio, que é muito amigo de Cláudia, encarregada da gerência.&lt;br /&gt;Em algum momento, começa a passar na TV um quadro de humor represetando um programa de culinária. Nele, havia uma mulher com uma saia super-curta e que, a todo momento, se abaixava para pegar algo na geladeira e deixava à mostra suas partes íntimas.&lt;br /&gt;Quando mostra o apresentador do programa, percebo que ele está com um avental com as cores e a esfera azul anil da nossa bandeira brasileira. Nao dava para ouvir o que diziam porque o som estava também ligado. A tv só mostrava as imagens. Perguntei aos que estavam presentes se podia ser uma piada em relaçao aos brasileiros. De pronto, Mauricio disse que certamente seria sim.&lt;br /&gt;Eu, sem entender muito bem, disse: mas, até agora nao fizemos qualquer piada contra os "hermanos" argentinos.&lt;br /&gt;Mauricio retrucou com veemência enquanto ria: é uma "hermandad" tremenda entre Argentina e Brasil.&lt;br /&gt;Diante disso, falei que em todos os lugares por onde havia passado na Argentina, todos me tratavam como "hermano" e diziam gostar muito do Brasil e de sua gente. Que nao entendia o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;Cláudia, de imediato, afirmou que tudo isso era falsidade. Os argentinos nao gostam dos brasileiros e os brasileiros nao gostam dos brasileiros.&lt;br /&gt;Insisti e voltei a afirmar que as pessoas parecem muito simpáticas quando vêem os brasileiros, que dizem querer conhecer o Brasil...&lt;br /&gt;Cláudia me interrompeu dizendo que o futebol nos afasta. Neste momento, seu marido começou a brincar comigo dizendo que estava enganado quanto aos argentinos e Mauricio começou a dizer que se temos Pelé como o melhor do mundo, aqui eles tem Maradona...&lt;br /&gt;Observando todos os discursos, parei e refleti sobre que espécie de gente era essa que, por causa de um esporte em que poucos ganham milhoes para se divertirem, nao podemos unir povos que sofrem de problemas sociais semelhantes, nao podemos disfrutar da companhia e da humanidade das pessoas que temos em ambos países.&lt;br /&gt;Esse era um equívoco. Precisamos superar isso, enquanto povo, enquanto cultura, e essa iniciativa deve partir de ambos os lados. Afinal, um povo, como o Argentino, especialmente, o cordobéz, que tem a referência de humanidade intercultural que era Che Guevara, tao venerado nas ruas, nao pode prender-se, para expor-se ao isolamento cultural e à negaçao ao diálogo, por causa do futebol.&lt;br /&gt;Aliás, o fanatismo no futebol tem sido um problema em muitas partes do mundo. O esporte, como cultura da aproximaçao e do coletivismo, tem assumido, dentro do espectro do individualismo, da falta de perspectivas pessoais de vida, da paixao exorbitante devotada ao prazer e ao efêmero, a condiçao e locus de todas as espectativas para alguns seres humanos. O que é uma grande contradiçao alimentada pelas TV's sedentas de audiência e ganhos materiais, prontas para, em nome de grupos empresariais fortes e com interesses comerciais evidentes, transformar o esporte em uma máquina de produzir dinheiro.&lt;br /&gt;Pensar sobre isso me deixou muito triste. Era como se tudo o que vim fazer com esta viagem, encontrar pessoas e compartilhar a humanidade latinoamericana, tivesse se perdido. Como se já nao fosse possível encontrar com esse diálogo.&lt;br /&gt;Sabia, no meu íntimo, que faz parte da humanidade a contradiçao, a fragilidade em diversos campos, inclusive dos modos de pensar nao libertadores, bem como a capacidade para grandes feitos em nome da justiça e da igualdade. Mas, nao podia deixar de ficar triste. Era involuntário!&lt;br /&gt;Com este sentimento de perda quanto a tudo o que havia conquistado até agora, fui dormir.&lt;br /&gt;Para entender melhor algumas coisas, fui procurar respostas em Fanon, no livro "Os condenados da terra", que trago comigo. Mas, nao conseguia. O calor, juntamente com os meu pensamentos, me impedia de qualquer concentraçao e, desisti da leitura em favor da tentativa de dormir.&lt;br /&gt;Por volta de duas horas da manha, chegam umas meninas ao quarto. Eram quatro norte-americanas. Acenderam a luz, conversaram na maior altura, deram risadas... pior de tudo, ainda chamam o rapaz da recepçao para me acordar e perguntar se sou daquele quarto mesmo.&lt;br /&gt;Depois, quando quase dormia novamente, o rapaz de Israel, que estava dormindo quando cheguei ao quarto, mas que saiu após ser chamado por seus compatriotas, volta e se incorpora ao barulho. Foi um terror! Eu já estava a ponto de dizer um monte de coisas em português com o intuito de que se tocassem... mas, resolvi engolir mais este sapo.&lt;br /&gt;Essa aliás, foi a segunda vez que passava por este tipo de falta de educaçao. A primeira, com brasileiros, a segunda com quatro norte-americanas e um israelense. E, passei a perceber como certas pessoas, de certas culturas, pautadas pelo individualismo exacerbado, sao mal-educadas e nao sabem compartilhar os espaços que sao eminemente coletivos, como os dormitórios em hosteis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-4636767266715715053?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/4636767266715715053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=4636767266715715053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4636767266715715053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/4636767266715715053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/emerge-ideologia-da-separaao-sobre.html' title='Emerge a ideologia da separaçao sobre a &quot;hemandad&quot;'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-3395184002877613073</id><published>2008-01-04T20:41:00.000-03:00</published><updated>2008-01-08T05:53:12.374-03:00</updated><title type='text'>Córdoba, a cidade do calor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Apesar de ontem ter feito muito calor durante o dia, hoje foi um dia menos quente. Pude caminhar pela cidade durante mais de 6h, conhecer os monumentos históricos, conversar com alguns hippies na rua...&lt;br /&gt;Mas, o dia começou com uma tentativa de conhecer novas pessoas. Afinal, tinha compartilhado um dormitório e nao conhecia as pessoas que estavam no quarto. Eram pessoas que falavam espanhol e isso também facilitava a aproximaçao.&lt;br /&gt;Quando comecei a falar com eles, logo descobri que um era francês e estudava espanhol no Chile e os outros dois mexicano e equatoriano. Depois de se conhecerem no Chile, estavam viajando juntos e, hoje, iriam para Salta.&lt;br /&gt;Depois que se foram, tomei um bom banho e fui caminhar.&lt;br /&gt;Córdoba é uma cidade que mescla bem o novo com o antigo. Ao mesmo tempo que tem igrejas, praças, monumentos... muito antigos, têm prédios com arquitetura bem contemporânea e, alguns casos, uma mistura, no mesmo lugar, de arquiteturas, como o "Paseo del Buen Pastor", colocado no que era uma antiga igreja.&lt;br /&gt;Me chamou atençao um movimento de cunho militar, inclusive com a participaçao de pessoas com farda da força aérea argentina, reivindicando mais açao do governo em relaçao às Ilhas Malvinas. Passavam filmes, vendiam pins e mostravam o seu manifesto contra a Inglaterra e contra o governo argentino.&lt;br /&gt;Segui caminhando e, mais tarde, me deparava com muitas pessoas sem condiçao financeira digna na frente de uma fundaçao católica de ajuda, que ficava em um prédio vizinho à Igreja da Companhia de Jesus (Jesuíta) em Córdoba.&lt;br /&gt;Enquanto via os escritos nas paredes da Igreja ("mi cuerpo es mío"; "asesinos") e depois de refletir um pouco sobre a construçao católica cheia de outro e prata, mas que seguia com caixas para doaçao em toda a Igreja, fui abordado na rua por um senhor. Ele queria dinheiro. Como nao lhe dei, ele começou a conversar. Queria saber o que eu fazia, de onde eu era. Quando lhe disse que era advogado e que era do Brasil, ele queria saber onde eu teria um escritório em Córdoba para que ele fosse aí conversar comigo...&lt;br /&gt;Foi difícil explicar a ele que nao posso trabalhar como advogado em outro país e que as leis nao sao iguais. Aliás, se o direito é universal, porque muda de um país para o outro? A resposta para essa pergunta segue mal elaborada pelos positivistas.&lt;br /&gt;Como acredito que o direito é uma construçao social, histórica e cultural, ademais de ver na Argentina um lugar em que o direito libertador está muito presente, nao sei porque nao podemos dialogar com base em uma filosofia única, a da justiça social.&lt;br /&gt;Bom, o fato é que, depois de explicar ao senhor as particularidades de minha profissao, segui... tinha necessidade de conhecer a cidade e de sentir suas pessoas.&lt;br /&gt;Com este propósito, meus olhos e minha mente ficam mais concentradas nos comportamentos alheios e esqueço um pouco dos meus. Já tinha percebido um senhor tocando lindamente saxofone sem que ninguém lhe desse importância, ou seja, vítima da indiferença humana, já tinha visto esse mesmo homem receber a atençao exclusiva de uma criança que o olhava e o ouvia enquanto tocava..., já tinha presenciado pessoas desenhando, pintando na rua, quando em um momento de distraçao, bati a cabeça em um toldo muito baixo e quase desmaiei. Na hora, vi que uma senhora apenas disse: OOOOOOOO.&lt;br /&gt;E, eu, rapidamente pus a mao na testa para ter a certeza de que nao havia sangue e de que nao me subisse um galo. Passei horas massageando até que vi que tinha uma marca  enorme na testa (hahahahahahaha).&lt;br /&gt;Bom, mas isso nao me abateu... segui caminhando. Mais adiante, encontrei um casal de hippies na rua. Eles vendiam pulseiras e colares e eu queria saber onde podia comprar malabares. Por algum tempo, conversamos e voltei ao hostel.&lt;br /&gt;Estava muito cansado, mas precisava lavar roupas. Neste momento, conheci Hanna. Uma menina da Austrália que vai ficar viajando sozinha por 11 meses. Ficamos conversando um pouco e depois fui lavar a roupa. Enquanto lavava a roupa, vi que dois israelenses me olhavam, conversavam entre eles e sorriam. Nao sei o que diziam e nem se falavam de mim. Mas, isso, no mínimo, é uma falta de educaçao. Pelo modo como me observavam e sorriam, eu fiquei muito desconfiado de que podiam estar falando de mim, talvez, de que lavava a roupa e que eles, em seu país, nao fazem isso... nao sei... nao posso especular.&lt;br /&gt;Depois disso, desci e fiquei conversando com Laura, ao menina que trabalha na recepçao do hostel no período da tarde e da noite. Como vi que Laura tinha trabalho, me aproximei de um carinha que estava só. Se chamava Mauricio e era do interior da província de Córdoba mesmo.&lt;br /&gt;Por um instante, fomos a praça caminhar um pouco e voltamos. No caminho, muito empolgado com sua cultura local, Mauricio comprou um CD de um grupo local e queria voltar rápido para escutá-lo.O mais engraçado desta história do CD é que o compramos em uma loja que vendia o original e a cópia. Inclusive, procurei saber  o preço de um de CD de Joaquín Sabina e a mulher me ofereceu a cópia pela metade do preço. se quisesse. Nunca pensei que isso fosse me acontecer um dia.&lt;br /&gt;Enquanto caminhávamos, Mauricio e eu, também foi lindo ver algumas crianças e adolescentes apresentavam um pouco da cultura gaucha (toma o sul do Brasil, o Uruguai e uma parte da Argentina). Era bonito, mas Mauricio queria voltar para ouvir o CD e acabamos indo embora.&lt;br /&gt;Ouvimos e CD e ficamos conversando. Depois, quando fui tomar banho percebi que minha toalha, uma que me presenteou Dona Maria, avó de Pablo, com meu nome bordado ao lado dos símbolos e das letras do MST, tinha sumido. Procurei muito, mas nao achei. Como todas as demais toalhas tinham sumido do cabide que ficam no quarto, suponho que a pessoa que limpa tenha tirado todas pensando se tratar de uma toalha do hostel.&lt;br /&gt;Diante do calor, nao podia esperar até que achassem. Peguei uma toalha da hospedaria e tomei um banho completo. Era a única forma de passar o calor que aumentou significativamente no período da tarde e da noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-3395184002877613073?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/3395184002877613073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=3395184002877613073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3395184002877613073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/3395184002877613073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/crdoba-cidade-do-calor.html' title='Córdoba, a cidade do calor'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-152931895121420934</id><published>2008-01-03T19:59:00.000-03:00</published><updated>2008-12-12T03:31:24.024-03:00</updated><title type='text'>Com a licença de Che</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R3114B_d8mI/AAAAAAAAAAs/iHyJz-WgiK0/s1600-h/che23.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R3114B_d8mI/AAAAAAAAAAs/iHyJz-WgiK0/s320/che23.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151403154249478754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Depois de mais de 8h de viagem, estou na regiao centro-norte da Argentina, agora na cidade de Córdoba. Cheguei aqui por volta das 7h40min. e caminhei em direçao ao hostel Córdoba Backpackers, na rua Dean Fuen, 285, na capital &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;da província.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; De cara, percebi que havia sido recebido por uma pessoa muito simpática, Ceci. Conversamos um pouco, ela indicou meu quarto, coloquei minhas coisas e desci pra escrever as experiências dos últimos dois dias em Mendoza, de modo que nao esquecesse nenhum detalhe dos dias que haviam sido impressionantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Por um acaso quase constante desta viagem, estava com a camisa do SAJU-RS (uso esta camisa porque ela carrega uma frase que me move todos os dias quando levanto para um novo dia de experiências - "Um homem é do tamanho de seu sonho", de Fernando Pesso&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;a) e veio falar comigo um menino que estuda arquitetura na USP, Pedro. Neste momento, ficamos conversando um pouco e ele foi tomar café-da-manha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Em seguida, voltou e começou a me falar de uma amiga que vive aqui em Córdoba, com quem iria até o museu Che Guevara, instalado na casa em que Che viveu por alguns anos enquanto era criança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; De imediato, me interessei porque era uma das coisas que gostaria de fazer aqui, "pedir permissao a Che para ocupar os caminhos que um dia foram seus", ao mesmo dedicar minhas andanças a sua luta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Sua amiga chegaria ao meio-dia, depois que tirasse os pontos de uma cirurgia que fez poucos dias antes do Natal. Mas, como demorava um pouco, resolvemos ir comer, depois voltamos ao hostel e ficamos esperando por sua amiga até as 14h30min. Diante do atraso, Pedro tentou falar com ela, mas nao a encontrou em casa. Assim, nao duvidamos em ir logo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Pedro tinha viagem marcada para Buenos Aires hoje à noite, às 22h.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Pegamos o ônibus m&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;uito barato que circunda a regiao metropolitana de Córdoba e em mais ou menos duas horas, desde que saímos do hostel, chegamos a casa em que Che Guevara viveu por 8 anos, enquanto era criança, logo depois que sua família foi aconselhada a sair de Rosário, onde Che havia nascido, para tratar da asma do menino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Foi emocionante aquele momento! Nao contive a lágrima silenciosa quando ive contato com o quarto do menino Ernestito, com suas fotos de criança, com os livros que lía (Che adorava ler), com sua cama forrada para esperar o menino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Em mais alguns passos, me deparei com a bicicleta com que Che, aos 22 anos, fez seu primeiro percurso, ainda pelo interior da Argentina, com a "Poderosa" , moto em que Che e Alberto Granado percorreram a América Latina da Argentina até a Venezuela, passando pelo Chile Peru, Colômbia e Venezuela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Cada sala em que entrava, nao conseguia conter as lágrimas. Me arrepiava e as lágrimas vinham silenciosamente. Mas, quando comecei a conversar com duas meninas que trabalhavam no museu (Verónica e Mirel), me emocionei mais ainda e deixei o choro vir, porque me lembrei dos traba&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R312mx_d8nI/AAAAAAAAAA0/FLO9AvN1xLM/s1600-h/posche08.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R312mx_d8nI/AAAAAAAAAA0/FLO9AvN1xLM/s320/posche08.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151403957408363122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;lhos que já fiz, principalmente do trabalho com crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploraçao sexual em Foz. Me lembrei principalmente das pessoas que deram suas vidas para que a humanidade pudesse ter dignidade, como Che, e das injustiças que seguem acontecendo. E, me lembrei esecificamente de Foz também porque foi aí que descobri o meu sentimento latinoamericano e foi aí que toda a idéia de estar aqui hoje começou a se formar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Voltei a percorrer as salas reolhar as fotos, os objetos da casa, e passei por uma sala em que havia fotos de Fidel e de Chaves, quando estiveram por aqui em 2006, pouco antes de Fidel ter os problemas de saúde que o afastaram do governo de Cuba. Nesta sala, passava um documentário sobre este momento e, entre as informaçoes uma me chamou atençao. Dizia o narrador que, segundo um jornal, Fidel teria apresentado seus problemas de saúde devido à emoçao da visita a casa de Che, em Alta Gracia, na província de Córdoba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Nao sei bem se isso tudo era verdade, mas que, de fato, era emocionante, isso era. Especialmente, quando entrávamos na sala em que passava um vídeo com entrevistas de pessoas que conviveram com Che, como a cozinheira da casa, naquele momento do vídeo, com 88 anos de idade, cujo nome lamento nao recordar. Segundo ela, o menino Ernestito era desde muito cedo a representaçao da solidariedade, da humanidade, do respeito pelas pessoas. Mas, o mais lindo de tudo isso foi ouvir: hoje, todos os chamam de Che, mas para mim, vai ser sempre Ernestito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;  Fiquei por vários momentos pensando em tudo o que via e ouvia... pensava que a luta nao podia parar, pensava na situaçao de dar a própria vida pela justiça social... me emocionava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Por quase uma hora conversei com as meninas do museu e, depois com Pedro, falávamos com Albina, uma senhora encarregada dos trabalhos nos finais de semana e feriados no museu. Albina foi uma linda surpresa!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Falava com carinho de seu trabalho, de sua dedicaçao ao museu como forma de respeitar a memória de Che. Ao mesmo tempo, queria ouvir sobre os motivos que nos levava àquele lugar, se estávamos fazendo outras viagens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quando comecei a falar dos sem terra, das crianças e adolescentes... dos motivos e dos lugares em que iria passar e já tinha passado, Albina já estava tocada pelo (re)encontro, pelo (re)conhecimento que teríamos naquele momento. Ela também aceditava que, na vida, as pessoas se (re)encontram, se (re)conhecem. E reforçou ainda mais isso quando lhe falei da Jerónimo e de Jaél.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Ao sairmos do local, ela nos desejava boa sorte, um lindo percurso, desejava força para lutar e, acima de tudo, que pudesse voltar um dia aquele lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Saí muito emocionado e comprometido com a cordenadora do museu de tentar conseguir uma cópia do vídeo sobre a morte de Che na Bolívia feito por um cineasta boliviano que vive em Salvador, conhecido de Sara, prima de Ize, para mandá-lo ao museu. Ao mesmo tempo, lhe falei de um casal que fez o percurso de Che para ver a possibilidade de terem esse vídeo no museu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Quanto a este último, ele disse que já sabia de sua existência, de que o casal havia estado lá para gravar algumas cenas, mas que nao tinha nenhuma cópia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Enquanto conversava com Adda, cordenadora do museu, olhei para o relógio, vi que eram 19h e lembrei da viagem de Pedro para Buenos Aires, às 22h.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Tínhamos que voltar imediatamente, embora ele estivesse ainda muito entretido com as histórias, com a leitura dos escritos e dos relatos que estao guardados em Alta Gracia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Pegamos o önibus para Córdoba às 19h15min. e chegamos às 20h30min no hostel. Pedro se organizou para viagem, mas nao achava a passagem. Ficou muito nervoso e resolveu tentar uma segunda via, principalmente, porque a passagem, aqui na Argentina, é emitida com o nosso nome, com o número do nosso passaporte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt; Espero agora que esse grande companheiro, outro bom encontro, nao tenha problemas para viajar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-152931895121420934?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/152931895121420934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=152931895121420934' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/152931895121420934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/152931895121420934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/com-licena-de-che.html' title='Com a licença de Che'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/R3114B_d8mI/AAAAAAAAAAs/iHyJz-WgiK0/s72-c/che23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1046765768314960639</id><published>2008-01-03T10:02:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T11:05:10.893-03:00</updated><title type='text'>Vencer o medo e atravessar a ponte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 255); font-family: courier new;"&gt; Nao tive a ponte do ano novo, nao sei se acredito nessa inteligente e subliminar forma de nos empenhar em nossas próprias vidas e em condiçoes sociais que nos façam acreditar que a vida é feita de etapas. Ainda mais agora, com o vivenciar sereno da mudança de datas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que pensava quando, às 5h, me levantei, rodei por todo o hostel em busca de Taís e voltei para a cama, até que ouvisse algum barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nao ouvia nada, às 6h me levantei de novo e a vi no computador. Em nossa conversa rápida, percebemos que já tínhamos perdido o ônibus das 6h e que precisaríamos tentar pegar o das 7h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volei ao quarto, organizei as poucas coisas que tinha deixado pra arrumar na manha, paguei a noite de dormida, registrei a saída do hostel e fomos para o rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, percebemos que nao havia, como indicava o panfleto, um outro ônibus, às 7h. Teríamos que ir, às 8h para Uspallata e, de lá, egar outro ônibus, ao meio-dia e meia para Puente del Inca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitamos o tempo para comer e conversar um pouco sobre nossos trabalhos de pesquisa, eu, do meu mestrado, e, ela, do seu doutorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos conversando em uma parte da viagem e dormimos até começarmos a ver as montanhas da Cordilheira dos Andes, algumas nevadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de 10h30min. chegamos a Uspallata. Tínhamos exatamente duas horas para tentar conhecer o "pueblo" e alguma coisa que a cidade tivesse para oferecer. Resolvemos pegar umas bicletas e fazermos um percurso de dois quilômetros e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho era lindo! O clima estava perfeito! A companhia era agradável! Inclusive a de um cachorro que me escolheu como dono desde o momento em que chegamos na rodoviária e me lambeu a perna. Desde esse momento, nao nos abandonou até a hora de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andávamos de um lado para outro e o cachorro estava ao lado, fomos de bicicleta até as Bóvedas (uma construçao de inspiraçao moura, usada pelos espanhóis para fundir metais preciosos), e o cachorro estava aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taís tinha os joelhos doendo e se sentia insegura com a bicicleta, por isso, demoramos um pouco na ida. Mas, na volta, já inebriados um da energia do outro, já bem felizes de termos perdido o ônibus das 6h, pela oportunidade de estarmos naquele lugar, juntos e sob os pés daquelas lindas montanhas, viemos mais rápido. Além disso, era preciso chegar a tempo de comprar passagens, comer alguma coisa e ir para Puente del Inca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo isso feito, pegamos o ônibus e fomos ao destino previsto anteriormente. Quando chegamos aí, mais uma vez sentimos a energia das montanhas e nos abraçamos diante daquele monumento esculpido na pedra (a ponte do Inca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taís queria conseguir logo um quarto para passar a noite. Mas, o tempo para mim era curto. Precisava voltar no ônibus das 16h50min. para Mendoza, onde pegaria o ônibus das 22h15min. para Córdoba. Por isso, optamos em começar a nossa caminhada de 4km ladeira acima em direçao ao Aconcágua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois do local em que está sediado Puente del Inca, havia que passar uma ponte bem alta. Todos que me conhecem sabem que eu morro de medo de altura e, para passar aquela ponte, sobre um penhasco com um rio abaixo, com tremores todas as vezes que os carros e caminhoes em direçao ao porto de Valdívia passavam, tinha que passar por sobre mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, certo de que queria chegar ao Aconcágua, diminuí o passo. Algumas vezes, perdi a concentraçao em relaçao às montanhas no horizonte e olhei para baixo, mas, nao me deixei abater. Segui adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até certo ponto, eu e Taís andamos juntos, pedimos carona, até que, de repente, ela começou a andar mais lentamente. Imaginei que fosse por causa do cansaço. Falei com ela sobre a possibilidade de irmos mais devagar, mas ela me pediu para continuar que ela me acompanharia em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava, olhava o tempo, sentia vontade de continuar e, ao mesmo tempo, me preocupava com Taís. Também, já estava morto, mas, devido aos dias anteriores de caminhada exaustiva, me sentia melhor preparado fisicamente para caminhar. E, mesmo que quisesse pedir carona, Taís viria logo atrás e nao a deixaria só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ínterim, encontrei um casal de argentinos que vinha caminhando para baixo. Pedi informaçoes sobre a distância e, diante do que eles disseram, continuei. Por um momento, quando estava bem perto da entrada do parque do Aconcágua e já podia ver a montanha pelo seu lado, dei conta de que Taís nao subia, de que ela nao vinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas que faziam o percurso em moto, pararam e perguntei sobre a possibilidade de a terem visto na estrada. Mas, o grupo de brasileiros motociclistas nao a havia visto. Isso me deu mais preocupaçao e resolvi descer. Tirei algumas fotos da visao que tinha do Aconcágua e voltei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei no "pueblo", Taís estava aí, bem próxima ao casal de argentinos que tinha visto na estrada. Me disse que a altitude estava afetando seu ouvido e perguntou se tinha conseguido e chegar ao Aconcágua. Quando disse que nao por causa das preocupaçoes com ela, ela pediu desculpas, lamentou..., mas o melhor era que a gente tinha passado um dia lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o casal de argentinos, estes, que já tinham andado mais de 4h pela estrada, pediam carona para outro pueblo mais abaixo, até começamos a conversar e lhes disse que o ônibus direto para Mendoza passaria em 50min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conversa descobri que se chamavam Jerónimo e Jael. Estudavam, respectivamente, arquitetura e psicologia, na Universidade de Córdoba. Jerónimo e Jael eram um novo encontro de vida. Descobri isso enquanto esperávamos o önibus e, em seguida, durante todo o percurso de volta a Mendoza. Eram pessoas maravilhosas, simpáticas, amigáveis e muito envolvidas com lutas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem, trocamos endereços de e-mail, conversamos um pouco mais e tentamos descansar. Afinal, o dia tinha sido puxado e eu, ainda iria correr até o hostel para pegar as coisas e voltar pra rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, deu pra perceber que Jerónimo e Jael sao loucos pra conhecer o Brasil, que têm uma preocupaçao com seu país e com o futuro da América Latina. Queriam saber do governo Lula, me falavam de seu governo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me despedir de Jerónimo e Jael, tive uma sensaçao de perda incrível. Nao sabia porquê, já que só tínhamos nos conhecido há pouco mais de 3 ou 4h. Mas, me sentia mal. Talvez, seja por isso que deva continuar acreditando na existência de (re)encontros e nao de encontros de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 20 min, enquanto pensava na grandeza do encontro com o casal de argentinos e no dia que havia passado com Taís, cheguei ao hostel. Todos os que trabalhavam aí precem ter resolvido se encontrar. Pelo menos, pude me despedir de todos os "hermanos" argentinos com quem tinha tido uma convivência fantàstica nos últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei um banho e saí. Enquanto isso, fui cumprimentado efusivamente por todos que, me desejavam sorte, boas viagens... diante disso, lamentava o fato de ter que seguir, mas, mais uma vezes, sabia que precisava que seguir. E lamentava também o fato de nao ter conseguido me despedir dos amigos franceses e de, sequer, ter pego seus endereços de e-mail para seguir com a comunicaçao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, foi bom ter as marcas deles, agora, em minhas marcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho para a rodoviária, outra marca. Agora a de Florência, que muito simpaticamente me acompanhou. Era a primeira vez que seguia para o terminal de ônibus por aquele lugar e estava meio sem saber se fazia certo. Ela prontamente me ajudou. Conversamos um pouco e nos despedimos, desenjando-nos sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florência era a certeza que será o caminho que me fará conhecer pessoas, que fará construir novas marcas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1046765768314960639?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1046765768314960639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1046765768314960639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1046765768314960639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1046765768314960639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/vencer-o-medo-e-atravessar-ponte.html' title='Vencer o medo e atravessar a ponte'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-1065215040993223685</id><published>2008-01-03T08:39:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T10:01:51.420-03:00</updated><title type='text'>O primeiro dia do ano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Acordei pensando que era hora de ir. Nao havia dormido muito, mas precisava decidir sobre a partida. Havia gostado muito de Mendoza, mas, como era época de festas e de férias, estava tudo fechado, poucas pessoas na rua para conversar, poucas coisas para ver..., pensei que fosse melhor tentar ir a Córdoba logo e encerrar os meus caminhos pela Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Estou ansioso para seguir para a Bolívia, ter contato com o povo e com a forte cultura boliviana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, a sensaçao era de que nao havia um recomeço, apenas uma continuaçao. A serenidade da entrada de ano novo me dava esta impressao. Nao tinha passado pelo momento de "quebrar" os laços com o ano anterior, como se tudo tudo fosse uma etapa, e via as coisas como continuidades transformantes e transformadoras, capazes de, por afetaçao, nos fazer absorver novas formas de pensar. Ou seja, é preciso vivenciar coisas e nao apenas mudar o número do ano para sentir-se renovado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Depois de alguns momentos deitado, pensando na possibilidade de ir ou de ficar, levantei e comecei a arrumar minha mochila. Se nao fosse embora, pelo menos, já estava com tudo organizado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Enquanto tentava arrumar as coisas, com o máximo de cuidado por se tratar de um quarto compartilhado, levantou-se um cara, que nao conseguia identificar muito bem de onde era, e começou a conversar com o outro. Nao entendia muito bem o que diziam, porque, em alguns momentos, falavam em inglês e em outros falavam de um modo bem chiado, mas achei que eles poderia estar comentando sobre o que fazia, que eles poderiam estar incomodados com a minha arrumaçao, e deixei de lado essa idéia. Afinal, era o primeiro dia do ano, todos os que foram para festas estavam querendo dormir e eu, que havia passado a entrada do ano novo muito serenamente, já estava, logo cedo, querendo arrumar coisas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Desci, como nao havia mais café-da-manha no hostel, comi algumas coisas e fiquei perambulando até encontrar Cèdric. Ficamos conversando até ue se acordasse Julian e pudéssemos ir até a rodoviária comprar passagens para outros lugares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Na volta, Cèdric propôs que viéssemos por uma rua paralela a avenida que passa em frente à rodoviária, segundo ele, porque poderia ser mais perto. O resultado disso é que caminhamos por lugares que nao conhecíamos e nos perdemos. Quando pedimos informaçoes a umas poucas pessoas que estavam na rua, percebemos que estávamos muito longe de onde iríamos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Se estava cansado, isso foi o motivo para chegar no hostel e dormir. Quando olhei o relógio e vi eram sete horas da tarde (aqui ainda tem sol até quase 22h neste período), me levantei no susto e comecei a arrumar minhas mochilas, de modo que, no outro dia. quando fosse sair, pela manha, já estivesse tudo pronto e nao precisasse incomodar ninguém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Além disso, estava com muita fome, porque, durante o almoço, nada estava aberto na cidade e nao consegui comer. Queria ver se os franceses estavam no hall de entrada do hostel para chamá-los para comer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando desci, nao os vi em nenhum lugar. Por isso, esperei um pouco, fundado na possibilidade de que pudessem estar no quarto. Neste momento, escutei alguém falando português. Era Taís, uma menina do Rio Grande do Sul (doutoranda em história), que conversava com os rapazes que nao entendia enquanto arrumava minhas mochilas na parte da manha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Me aproximei e comecamos a conversar. Rapidamente, descobri que os meninos se chamavam Fernando e André e eram portugueses. Nao os entendia porque falavam português de Portugal e porque, em alguns momentos, falavam inglês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Comentei com eles sobre o ocorrido na parte da manha e pedi desculpas, mas eles disseram que o que conversavam nao tinha a ver com isso. Ainda estavam bêbados, naquele momento, e lembravam das camisas que tinham tirado por causa do calor e esquecido no lugar da festa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Ficamos por aí conversando, até que Thaís nos convidou a todos para comer, ao mesmo tempo em que tentava organizar uma ida para Puente del Inca, lugar mais próximo à entrada do Parque Aconcágua, no outro dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Como teria que passar o dia todo, até às 22h15min (horário do ônibus para Córdoba) sem fazer nada, resolvi que seria interessante estar próximo dessa montanha de energia que é o Aconcágua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Mas, como podìamos combinar a saída enquanto comíamos, saímos em busca de um lugar barato e que tivesse uma boa comida. No meu caso principalmente, que tenho feito somente uma refeiçao por dia. As outras, acabo comendo besteiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Na esquina, encontramos os três franceses e foi muito engraçado esse momento. Eu, Taís, Fernando e André falavámos português, cada um com seu sotaque, os franceses falavam francês e, em alguns momentos, inglês. Outras vezes, eu falava espanhol e francês... fui uma verdadeira "globalizaçao", todos falavam um monte de línguas e todos se entendiam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois, acabamos percebendo que cada um estava com vontade de comer coisas diferentes e fomos para lados opostos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando sentamos, os portugueses e nós, começamos a conversar sobre diversos temas. O principal deles, fazer o que se gosta em detrimento do que aumenta a capacidade financeira ou o contrário, foi o que tornou conta do nosso jantar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Por um par de horas, falamos sobre a importância das lutas, falamos sobre os traços marcantes da colonizaçao portuguesa, sobre a universidade e as condiçoes atuais de emprego para as pessoas com graduaçao... de repente, falávamos sobre práticas de "diferenciaçao" entre pessoas que sofrem violência doméstica, mulheres sobretudo, bem de pessoas que sofrem violência policial em favelas, que, muitas vezes, incorporam a violência e a justificam como forma de livrar-se dela, quando entramos no tema dos trotes das universidades portuguesas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Durante o ano, os calouros sao humilhados e se deixam humilhar, esperando, no futuro, depois de vestir a beca dos veteranos, poderem fazer o mesmo com aqueles que chegam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois da comida, seguimos conversando para o hostel até sentarmos no terraço e ficarmos conversando sobre psicanálise, sobre relaçoes humanas, sobre drogas, sobre percepçao/compreensao do mundo... quanto a este tema, o que mais discutimos foi se era possível separar o percebido do real e como as drogas modificam a percepçao das coisas (sem juízo de valor quanto a ser bom ou ruim o uso de drogas).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Taís e Fernando, inclusive, lembraram que Freud usava cocaína e receitava cocaína a seus pacientes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Depois de um debate muito legal, em que Fernando pontuou algumas discordâncias em relaçao ao que eu dizia, fui dormir. Já eram 2h da manha e, no outro dia, iria ao Aconcágua às 6h da manha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Quando menos espero, Fernando me acorda para dizer que ele e André nao iriam no ônibus das 6h e que eu nao os acordassem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(51, 51, 255);"&gt; Como eu e Taís estávamos certos de que iríamos bem cedo, tratei de voltar a dormir, embora ainda estivesse refletindo sobre todas as conversas e todos os encontros do dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-1065215040993223685?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/1065215040993223685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=1065215040993223685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1065215040993223685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/1065215040993223685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2008/01/o-primeiro-dia-do-ano.html' title='O primeiro dia do ano'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-6748755290369603423</id><published>2007-12-31T23:43:00.000-03:00</published><updated>2008-01-01T01:26:55.480-03:00</updated><title type='text'>O último dia do ano - pronto pra recomecar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Depois de uma noite de muito calorenta em Mendoza, acordei bem cedo. Era preciso conhecer Mendoza. Caminhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava cansado depois de alguns dias sem dormir direito e de ter, pela primeira vez, saído à noite durante esta viagem, mas queria conhecer a cidade. Queria circular pelo lugar sentir seu povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às nove me levantei, mas deixei pra sair perto de meio dia. Caminhei por um tempo com Cèdric em busca de uma lavanderia para ele e, depois, quando ele voltou pro hostel, segui minha caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram quatro horas e mais de 12 km de andancas. Resolvi ir até uma colina um pouco distante da cidade com o intuito de ver a cidade de cima e de ter contato com a cordilheira dos Andes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no pé da colina, percebi que o espaco estava tomado por um condomínio fechado de casas de luxo. Fiquei pasmo ao saber que para visitar um patrimônio pertencente à cidade, era preciso falar com os segurancas do condomínio. Mas, nao desisiti. Depois de caminhar tanto, teria que ser recompensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da entrada do condomínio até o topo do "cerro", mais uns dois quilômetros. O sol era muito quente. Eu tinha uma sensacao de que a cabeca estava comprimida, de sufocamento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de 5h consegui chegar no hostel. Nao parecia estar bem... sabe aquele jeito quando a gente come algo que provoca certos revertérios? Pois é... parecia que a comida do dia anterior comecava a fazer efeitos indesejáveis.&lt;br /&gt;Evidente, busquei aquilo que mais precisava naquele momento e fiquei rodando pelo hostel,conversando com o pessoal que está aqui, que é muito divertido, até que encontrei com Javier, un ator, também administrador de empresas que agora trabalha no ministério da economia da Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo, ficamos falando da política em nossos países e das contradicoes de nossos governos. Mas um com quem pude conversar as contradicoes dos pseudogovernos de esquerda na América Latina neste momento da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ambos, de alguma forma temos esses governos é uma forma de relativizar os projetos neoliberais que faziam de nossos países espacos de subserviência mundial, lugares de mera exploracao estrangeira, sem políticas sociais ou alguma preocupacao que seja com as populacoes. Com esses governos, de alguma forma, os discursos de direitos humanos, de republicanizacao... comecou a ser feito de alguma forma diferente da maneira como se fazia antes, meramente privada, a partir de uma relacao doméstica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, comecei a falar um pouco com Germain e fui tomar um banho. Queria comer e sair em busca de um lugar onde pudesse comemorar o ano novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui comer e, na volta, convidei Cèdric, que iria ficar só, para caminhar pela cidade até encontrarmos alguma lugar para comemorar a entrada de ano novo. Mas, a rua estava morta. Nao havia quase ninguém. Paramos em um bar e ficamos conversamos. Eu estava muito cansado e me custava falar francês, embora a comunicacao estivesse boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, chegaram os três brasileiros com quem compartilhei o quarto em Santiago. Só um deles veio falar comigo, Moisés, os outros me cumprimentaram de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cèdric e eu ficamos aí e, quando faltavam 5 min. saímos do bar. Eu queria refletir um pouco sobre o ano que passou e pensar em como poderia ser o ano que comecaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguns poucos minutos consegui fazer, mas nao como queria, e comecaram tocar sirenes de polícia e de ambuläncia, as pessoas saíam de casa e comecavam a soltar fogos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas cumprimentei Cèdric e continuamos andando. Queria pensar... nao consegui. Apenas consegui perceber que a entrada de Ano Novo teve uma beleza diferente, serena, tranquila... era bom, mas era como eu nao esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao hostel e algumas pessoas estavam bebendo e escuntando música, dancando... esperando o melhor momento para irem a outro hostel onde tinham uma festa de ano novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim para o computador e comecei a escrever, ao tempo em que entrei no msn e encontrei Verónica, minha amiga argentina casada com Dieter, um amigo norte-americano. Conversamos um pouco e ela se foi. Precisava trocar as fraldas de sua filha Sofía e colocá-la para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, para mim, foi incrível, depois de anos sem conversar, poder&lt;br /&gt;falar com Verónica e verificar que nossa amizade ainda existe. E tudo ocorria exatemente, no dia em que serenamente estava só, mas nao solitário, numa entrada de Ano Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que todos saíram, ficamos Maury (o cara que trabalha no hostel) e eu conversando sobre música brasileira, pusemos Lenine pra tocar e ficamos vendo fotos de Aracaju e de outras cidades brasileiras. Mauri quer muito conhecer o Brasil e, segundo ele, as pessoas da Argentina amam e admiram o Brasil. Aliás, todo o tempo, eles tratam os brasileiros como "hermanos". Eu, particularmente, nao vejo falsidade nisso. Eles sao sempre muito alegres quando nos vêem, demonstram sua satisfacao em nos receber e conversam sobre o Brasil, querem saber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas com isso tudo o que dizer do Ano Novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu penso que alegre e tranquilo. Sereno e feliz, como deveria ser a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-6748755290369603423?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/6748755290369603423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=6748755290369603423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6748755290369603423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/6748755290369603423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/o-ltimo-dia-do-ano-pronto-pra-recomecar.html' title='O último dia do ano - pronto pra recomecar'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-7216389970067427566</id><published>2007-12-31T10:26:00.000-03:00</published><updated>2008-01-08T05:48:32.696-03:00</updated><title type='text'>Parle francais?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-family:courier new;" &gt;Quando o cansaço me fazia acreditar que o dia havia terminado, Germain, Julian e Cèdric (que é um Francês do Tahiti, na Polinésia Francesa - eu jamais havia conhecido alguém do Tahiti), um grupo de franceses que está aqui no Campo Base, em Mendoza, me chama para fazer uma caminhada pela noite da cidade. Eles queriam encontrar um bar para conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a conversa que havíamos iniciado sobre filosofia, sobre Michel Foucault, sobre a modernidade, sobre direitos humanos, estava tao interessante que resolvi abrir uma excecao quanto a nao sair durtante a noite para continuarmos a conversa. Essa também era uma boa forma de praticar francês e, claro, de conhecer mais pessoas. Ainda mais pessoas tao legais, ansiosas, como eu, por conhecer as culturas dos países latinoamericanos. E, melhor, nada semelhantes a Olivier, o francês que encontrei em Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de 30 min. caminhamos pelas vias mendozinas com movimento até encontrarmos um lugar legal para ficarmos. Os meninos queriam tomar cerveja e, eu, como nao bebo, queria interagir e construir novas amizades. Estava cansado dos dias em que praticamente estive só em Santiago, quase sem conversar, sem encontrar pessoas interessantes com quem pudesse compartilhar momentos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falávamos de filosofia, de compreensoes de mundo, de drogas, de comportamentos ocidentais em relacao ao mundo, de ética... falávamos da vida e do modo como as populacoes ao redor do mundo "dialogam" sobre o meio ambiente e como os governos se desresponsabilizam pelas questoes de interesse mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cèdric parecia querer falar especificamente sobre este tema porque o lugar onde vive é espaco de testes nucleares franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao observ´-lo, me parecia muito estranho saber que se é cidadao de um país, mas o lugar onde vive é mantido em condicoes suficientes para ter esta condicao de cidadao negada. Afinal. que espécie de igualdade perante a lei viogora na Franca que permite que certos cidadaos, de certas partes de seu "território" (cidadaos d'otre mer), merecem a contaminacao ou a possibilidade de contaminacao por testes nucleares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao sei se esta é a prova da existência, também em países cujo processo de modernizacao se aprofundou mais, como a Franca, de categorias e níveis de importância entre os cidadaos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esta nao é a ideologia que vigora em termos formais, absorvidos pela lei, pelo menos, sao os termos ideológicos sob os quais se apresenta a reparticao dos cidadaos franceses. Nao sei como se tratam as pessoas da Martinica, na ilhas Maurício, na Córsega... mas, pelo que Cèdric me contou a França, pelo menos para o Thaiti, pra compensar os testes nucleares, nao cobra impostos e manda muitos recursos. O Thaiti, por exemplo, recebe muito milhoes de euros para continuar sob à égide francesa. Mas, a populaçao de franceses, que representa 5% de sua populaçao (os chineses sao mais de 10% - foram trabalhar na cana-de-açúcar), vivem em melhores condiçoes que os demais cidadaos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, fosse interessante saber como, de fato, a Franca construiu essa relacao de "igualdade".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-7216389970067427566?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/7216389970067427566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=7216389970067427566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7216389970067427566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/7216389970067427566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/parle-francais.html' title='Parle francais?'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5455464219538808481</id><published>2007-12-30T22:39:00.000-03:00</published><updated>2007-12-30T22:40:29.425-03:00</updated><title type='text'>As pessoas têm muito a ensinar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;O dia de hoje novamente comecou cedo. Na verdade, o dia de ontem ano terminou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei da caminhada do dia para Isla Negra, Valparaíso e Viña del Mar, estava cansado, mas havia muitos brasileiros no quarto, como já disse antes. E, por azar, brasileiros que nao estao acostumados a ficar em hosteles mas, sobretudo, a respeitar as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todos os outros dias havia muitos brasileiros no HiChile, mas passavam despercebidos porque eram muito discretos. Ontem, no entanto, chegaram muitos brasileiros jovens que pareciam ter conquistado a liberdade pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queriam beber, sair, namorar... tudo em excesso. E, era um excesso de mineiros mais falantes do que anunciam as compreensoes clichês sobre a capacidade que teriam os mineiros de falar pouco. Por causa desse clichê, eu sempre me penitenciei por falar demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado, nao consegui dormir. Enquanto as pessoas de outros países respeitam a fato de compartilharmos um dormitório coletivo em nao acender a luz, em nao fazer barulho, os brasileiros que ficaram no quarto, nao sabiam o que era isso. A todo momento, vinham para o quarto, acendiam a luz, abriam portas de armários, batiam coisas, embolavam sacos plásticos, abriam e fecham suas mochilas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 5h45 min. me levantei com o sentido de organizar tudo o que precisasse organizar, embora já tivesse feito na noite anterior para nao ter que perturbar os companheiros do quarto muito cedo, e escrever as experiências de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desci, às 6h30min. tinha outra leva de mineiros que ainda bebiam e conversavam muito alto. Quando um australiano que estava entre eles me viu desperto e pronto para sair a esta hora, veio falar comigo, perguntar de onde era, para onde iria... ao saber que era brasileiro, me apresentou e me deixou com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir deste momento, nao consegui a concentracao necessária para escrever, para refletir sobre o aquele dia que ainda reverberava na minha cabeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Optei por ir para a estacao de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava fechada, porque, no domingo, abre somente às 8h. Nao sei se ficava alegre ou triste por isso. Por um lado, comemorei o fato de nao ter comprado passagem para o ônibus das 8h, por outro lado, minhas costas doíam à causa do peso das mochilas, estava com fome e cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas nada melhor do que uma linda viagem para sanar todos os problemas. Digo um lindo percurso desde Santiago até Mendoza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho, um sendero por entre as montanhas andinas, algumas com neve no topo, era incrível. Despenhadeiros, subidas e descidas íngrimes, lindas visoes panorâmicas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia esquecer do mundo naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 15h15min, ou depois de saber que a Argentina adotou, faz alguns dias, o horário de verao, 16h15min., cheguei a Mendoza. O calor era terrível, diferente de tudo o que havia visto até agora. À noite, nao resfria. Parece ser como Foz do Iguacu, um pouco melhorado. Por isso, já estou imaginando o que devo encontrar em Córdoba, em Salta e em Rosário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de caminhar por cerca de 30min. encontrei um hostel para ficar. Se chama Campo Base e fica na Av. Bartolomé Mitre, próximo à praca da Independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pronto, percebi que o clima era bom. Fui atendido por um rapaz de nome Quico. Muito simpático, comecou a conversar e aí fomos uns 15min. até que me instalei e me pus a esperar para usar o computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei aí por mais de uma hora. Até que, de repente, comecei a conversar com o carinha que estava enviando e-mails e fotos para seus familiares e amigos na Franca. Isso foi suficiente para que ele demorasse ainda mais. Porém, descobri que o cara é muito gente boa. Se chama Germain (da regiao da Bretagne), quase como o amigo que conquistei em Valdivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele, compartilhei as minhas inquietacoes sobre o francês que conheci no Chile. Ao mesmo tempo, queria saber se ele pensa da mesma forma que Olivier sobre o mundo, que tudo deve se parecer europeu para parecer bom. Mas, ele foi muito claro ao dizer que essa forma de pensar é idiota, louca, e que nao entendia porque certas pessoas viajam se estao procurando a Europa em todos os lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei da resposta. E, depois de quase uma hora de conversa, gostei de Germain também. Parece ser muito simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns minutos, quando me pus diante do computador, queria escrever tudo o que era importante sobre os dias anteriores. Estava sedento disso e minhas idéias nao poderiam povoar mais minha cabeca sem se materializarem. Era preciso dizê-las sob pena de perder sua riqueza e suas sensacoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei por quase duas horas escrevendo. Mas, nao me contive em voltar agora da rua e escrever mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso dizer o quanto foi bom sair em Mendoza e encontrar uma feira hippie. À parte a tentativa frustrada de tocar samba (eu gostaria de ouvir eles tocarem sua própria música - os tambores dos Andes, por exemplo), passava por un hippie que expunha seus trabalhos, quando ele comecou a conversar comigo. Ficamos aí um longo tempo conversando, mas o que me marcou foi o início de nossa conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me perguntou de onde era e disse que era do Brasil, me disse que era bom viajar para conhecer as pessoas. E, completou José Carlos (seu nome): as pessoas têm muito a ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De imediato, me emocionei. Era extamente isso. As pessoas têm muito a ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando lhe disse o propósito de minha viagem, me chamou para ir a sua casa, para passar a entrada de ano novo com seus amigos e com ele. Ir a sua casa, por este momento, nao vai ser possível, mas quem sabe, amanha, no Ano Novo nao nos encontremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses eram os caminhos de Che. Encontrando pessoas e se deixando levar por elas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5455464219538808481?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5455464219538808481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5455464219538808481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5455464219538808481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5455464219538808481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/as-pessoas-tm-muito-ensinar.html' title='As pessoas têm muito a ensinar'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-8008991785819827982</id><published>2007-12-30T19:43:00.001-03:00</published><updated>2007-12-30T20:02:22.446-03:00</updated><title type='text'>Depois de Isla Negra, Valparaíso e Viña del Mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Saía de Isla Negra para Valparaíso e Vña del Mar ainda pleno da poesia de Neruda. No ônibus, a cabeca pedia pedacos de papel, a mao tremia de vontade de escrever todas as sensacoes que estava tendo com a descoberta de Neruda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Ao mesmo tempo, tinha vontade de apenas entorpecer-me daquela sensacao, sofrer por nao escrever até que pudesse dupurar tudo o que havia visto. Como nao tinha mesmo como expressar os pensamentos, olhei a vista e fui deixando a paisagem do pacífico fazer parte daquele momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Perto de 14h cheguei a Valparaíso. Como vinha intencionado a pensar que, por ser uma cidade portuária, Valparaíso era uma cidade perigosa, nao descansei. Nao aproveitei o que a cidade tinha para apresentar. Para falar a verdade, foi essa a primeira vez que tive medo durante todo opercurso solitário que venho fazendo e nao consegui relaxar para ver o que a cidade poderia oferecer. Tinha medo de falar com as pessoas na rua, tinha medo de pedir informacoes, tinha medo de tirar fotos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Mesmo assim, caminhei do tumultuado centro da cidade, tomado de gente devido ao carnaval e as festas de fim de ano que acontecem estes dias em Valparíso, em direcao às colinas de casas coloridas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Por duas horas rodei por aí até descobrir que havia uma outra casa de Neruda (a Sebastiana). Fiquei com muita vontade ir. Mas, como tinha vontade de ir para Mendoza o mais rápido possível sem deixar de conhecer Viña del Mar, caminhei mais umas ruas e desci para a regiao onde podia tomar um micro-ônibus para Viña.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Evidente que nao era toda essa violência. No máximo, acontecem furtos por aí. Nada de assaltos ou seqüestros relâmpagos, como podem acontecer no Brasil. Mas, o fato de viajar só me deixou temeroso e, nao consegui relativisar a forma como as pessoas retratam Valparaíso. Eu mesmo fui preconceituoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Em Vña, me senti mais tranquilo. Percorri uma grande parte da orla, tirei fotos dos castelos alemaes, mas, todo o tempo, me sentia numa cidade norte-americana. Talvez, Miami. Tudo era um luxo só, os carros, os edifícios, as roupas das pessoas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Caminhei até 18h aí e voltei para Santiago. Queria comprar passagem para Mendoza neste domingo. Nao poderia ficar mais em Santiago, o que, de fato, me faz pensar que preciso voltar para esta cidade e para o Chile de modo que possa conhecê-lo melhor. Agora, através de suas pessoas, nao de seus lugares. Assim, como consigo fazer na Argentina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-8008991785819827982?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/8008991785819827982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=8008991785819827982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8008991785819827982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8008991785819827982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/depois-de-isla-negra-valparaso-e-via.html' title='Depois de Isla Negra, Valparaíso e Viña del Mar'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5362943336545084256</id><published>2007-12-30T19:09:00.000-03:00</published><updated>2007-12-30T19:42:53.877-03:00</updated><title type='text'>De capitán para capitán</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Neste sábado, acordei bem cedo para repirar os ares poéticos de que fez uso Neruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda com o sol meio escondido, tomei rumo em direcao a Isla Negra, onde Pablo Neruda construiu sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens que caco pareciam querer encontrar-se com o mar para o qual Neruda tinha seus olhos voltados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o percurso, a neblina e as brancas nuvens foram companheiras de pensamentos cujo intento era deixar-se inebriar da poesia de Neruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando aquilo, me perguntava se era uma forma de presente que o universo me preparava naquele dia. Afinal, era um cacador de nuvens e elas estavam todas aí. Quem sabe, transportando a mao dadivosa e inteligente do velho Neruda ou, como disse, promovendo o encontro das nuvens que tenho encontrado por esta vida com o mar azul e imensa da poesia desse grande Chileno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tempos, quando cheguei a Isla Negra, fiquei olhando aquele mar, a casa de Neruda, as pedras... tentava imaginar como aquelas águas traziam a poesia áquele senhor que, ainda seguia vivo nao só pela escultura de seu rosto numa pedra, mas porque segue lembrado por muitos (como dizem os adeptos do candomblé, alguém está vivo enquanto povoam as lembrancas das pessoas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia convidado a entrar em sua casa e resolvi aceitar o chamado ao sonho poético de homem que recebia presentes do mar com que adornava a sua casa. Por todos os lados, havia esculturas de proa e de popa de grandes navios, garrafas com réplicas, conchas, dentes de peixes... ainda que nao soubera nadar, sua grande paixao era o mar, eram os barcos. Até garrafas doadas por Jorge Amado, com areia da Bahia com a qual se desenhavam barcos, ele tinha, juntamente com presentes toados por muitos outros poetas, como Gabriela Mistral e poetas franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos de Baudelaire, Victor Hugo, objetos de todas partes do mundo habitavam a casa em formato de barco que, o poeta, com sua própria ingeniosidade arquitetou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas eram estreitas, como as dos barcos, a sala tinha uma mesa redonda para que o capitao jantasse com seus tripulantes e com seus convidados, do lado de fora, um pequeno barco que nunca foi para água e um conjunto de sinos para que o capitao pudesse se comunicar com os barcos que passavam pela costa chilena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o barco, local que usava para beber com os amigos, Neruda dizia que nao necessitava ir para o mar para deixá-lo mareado. E, os sinos, ao lado do barco, eram a língua através da qual falava de capitao para capitao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neruda era um capitao, segundo ele mesmo, que comandava o seu barco de terra. Da sua cama, posta diante de vidros da direcao nascente/poente, de onde sentia o sol nascer e se pôr, queria ver o mar. Aliás, de todos os lugares onde gostava de ficar, tinha a visao daquilo que o inspirava, o mar, desenhado pelo verde da tinta que, para o poeta, era a cor da esperanca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso me deixava pronto para descobrir o Neruda que nao conhecia além do fato de ter sido comunista, de ter lutado para que o povo do Chile se libertasse, de ter sido Prêmio Nobel de Literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, Neruda me libertava da dificuldade que tenho para a literatura, embora me encante escrever. Neruda me fazia, ao mesmo tempo, ignorante de sua poesia. Neruda me fazia ter consciência de que é preciso mais que a filosofia, do que a sociologia, do que as ciências, de modo em geral, para conhecer a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, saí daí com as nuvens rondando sobre minha cabeca, mareado do barco que foi a vida e a obra de Neruda. Certo do encontro das nuvens com o mar. Certo do diálogo de capitán para capitán.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5362943336545084256?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5362943336545084256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5362943336545084256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5362943336545084256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5362943336545084256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/de-capitn-para-capitn.html' title='De capitán para capitán'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-8917543006536001126</id><published>2007-12-30T19:08:00.000-03:00</published><updated>2007-12-30T19:09:20.576-03:00</updated><title type='text'>Um encontro às avessas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Depois que cheguei da rua na sexta-feira, dia 28 de dezembro, estava muito cansado, mas queria ficar um pouco nos corredores do hostel. Esta era uma maneira de tentar falar com as pessoas, encontrar alguém que pudesse compartilhar algum momento daquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento, fiquei assistindo à TV, mas ninguém queria conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci e fiquei perambulando... de repente, vi umas meninas que parecia com duas que encontrewi no cerro Santa Lucía. Fiquei olhando..., até que tive a certeza de que eram brasileiras e me aproximei. Nenhuma simpatia brotou das compatriotas. Pareciam aquelas meninas bossais da elite brasileira, mas gostosas e mais bonitas de que todas, inalcansáveis, pela forma como agiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro momento, vi passar um cara com uma camisa que ostentava a moda Brasil. De imediato, perguntei se era brasileiro e, quando me disse que sim, comecamos uma conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da conversa, notei que seu sotaque nao era brasileiro e insisti em saber de onde era. Acabou me dizendo que era francês, mas que morava no Brasil. Seu nome era Olivier e trabalhava numa empresa de telecomunicacoes francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um par de horas de conversa e fui descobrindo o cara. Tomei um susto quando, de repente, me disse que o Brasil era um país maravilhoso para viver, mas tinha muitas criancas trabalhando. Quando falamos mais sobre o assunto, ele disse que gostava que as criancas trabalhassem porque, assim, elas nao estariam fazendo outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, comecei a promover um debate sobre esta visao preconceituosa e sanitarista da crianca pobre. Falei um pouco da história de exclusao social do Brasil, da utilizacao da lei para assegurar os processo de exclusao, da falta de um debate, com alteracao das condicoes de vida, sobre o tema da igualdade e da justica social... falava do trabalho como forma de regular a cidadania em certo momento da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo isso, Olivier me sai com uma frase com a qual nenhum ser humano que conhece o mínimo da história de um país como o Brasil ou da maior parte dos países pobres do mundo, pode considerar uma frase aceitável. Ele disse que nunca se poderia sacrificar a estabilidade econômica para que as coisas mudassem. Segundo ele, Lula jamais faria leis que pudessem alterar a imagem do Brasil para o investidor estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, ponderei algumas coisas, mas percebi que ele já acreditava conhecer suficientemente o Brasil para ter suas próprias idéias. Tudo isso porque já tinha viajado por quase todos os estados a trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntei sobre as pessoas, sobre comportamentos, sobre a vida, evidente, ele nao sabia dizer. Mas, continuava acreditando que conhecia o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, mais ainda, quando, depois que cheguei da longa caminhada do dia, pudemos conversar mais. No quarto em que estava, tinha colocado mais três brasileiros e ele. Toda vez que falávamos sobre as cidades que cada um estava conhecendo, sobre as cidades no Brasil de onde éramos provenientes, ele sempre saía com um preconceito maior que o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto relatava sobre a minha morada no Nordeste brasileiro e as cidades que aí se encontram, especialmente as cidades que conheco mais de perto como Joao Pessoa, Aracaju, Salvador, ele foi taxativo em dizer que estas Joao Pessoa e Aracaju eram cidades feias, que nao tinham nada pra fazer, que estao entre as piores cidades que conheceu no Brasil, que tem pessoas feias... super-preconceituso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior! Em seguida, comecou a falar que a cidade que ele mais gostava no Brasil era Sao Paulo, que, juntamente com Porto Alegre, estava entre as poucas "civilizadas". E, nao se contentou com os preconceitos. Disse que, na América Latina a melhor cidade era Buenos Aires porque era a que estava mais próxima de uma cidade européia. Para ele Santiago era péssima, a Bolívia era um lugar péssimo, o Peru, o Paraguai nem podia falar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o Paraguai, ele me perguntava todo o tempo porque queria conhecer Assuncao. Segundo ele, a cidade é um lixo, as pessoas sao feias, a cidade é feia, tudo é pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, notei que para ele o padrao de civilidade e beleza era o padrao europeu e, nao entendi porque percorria a América Latina, com feicoes e cultura tao diversa da cultura européia em alguns lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Micheal (EUA), que conheci em Valdívia, era um ser tao especialmente compreensível com as diferencas culturais e étnicas, Oliver só conseguia ver beleza no sul do Brasil e em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, nao tenho nada contra o sul do Brasil e contra as pessoas e a arquitetura de Buenos Aires. Gosto desses lugares, gosto das pessoas, acho as pessoas bonitas, mas isso nao significa que nao ache as pessoas de origem indigena, com sua cultura forte e marcante na Bolívia, no Chile, no norte da Argentina, no Peru e outras partes bonita. Cada povo com sua incomparável beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao se pode acreditar que alguém seja mais bonito ou viva em uma cidade melhor pelo grau de civilizade e pelo um grau de organizacao em relacao à Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo isso e de insitir diplomaticamente que era preciso conheceras pessoas pelo que elas sao, ela se dizia um grande conhecedor do Brasil, auxiliado por um outro brasileiro, jovem médico e doutor em medicina, que nao parece ter experimentado tantas experiências de viajar pelo Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o rapaz nao concordou diretamente, mas dizia que Olivier deveria conhece melhor o Brasil do que ele que nao tinha viajado tanto por certos lugares no Brasil. E, evidente, Olivier dizia: "é claro. Eu conheco mais o Brasil do que você".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, tentava relativizar algumas coisas porque nem mesmo nós que nascemos e vivemos o Brasil, podemos conhecê-lo tanto. Afinal, temos uma complexidade tao grande, uma diversidade cultural e de modos de vida tao grandes que ninguém pode se dizer um perfeito conhecedor de brasilidade. Mas, se alguém conhece mais, esse alguém somos nós brasileiros que sentimos, ao nosso modo, equivocado ou nao, o nosso país. Digo que equivocado ou nao porque ninguém pode ter maior imersao cultural e em nosso modo de viver e em nossas desigualdades, ainda que as perceba de modo diverso, do que nós que nascemos, fomos criados e sentimos a nossa vida passar por este país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que estuda o Brasil pode conhecer muito bem o Brasil, também. Mas, nunca poderá vivenciá-lo como nós. E, isso nos faz conhecer, inclusive, como as idéias se colocam na prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso queria dizer aos companheiros brasileiros que estavam no quarto e ao próprio Olivier. Mas, nao quis ser chato. Apenas, fui mais efusivo em negar as impressoes que ele tinha quando ele comecou a falar mal de Joao Pessoa. Muito claramente lhe disse que já tinha andado o Brasil quase todo e que nunca tinha encontrado gente tao bonita, tao calorosa, tao amiga, como as pessoas que encontrei em Joao Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, completei: Joao Pessoa pode ser uma cidade conservadora, mas tem uma gente maravilhosa. Se isso ele nao teve a oportunidade de conhecer, lamentava muito. Porque um país pode ser melhor conhecido tanto mais se pode conhecer a sua gente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-8917543006536001126?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/8917543006536001126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=8917543006536001126' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8917543006536001126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/8917543006536001126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/um-encontro-s-avessas.html' title='Um encontro às avessas'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-5886753791918903140</id><published>2007-12-28T17:04:00.000-03:00</published><updated>2007-12-28T17:49:39.597-03:00</updated><title type='text'>Santiago com outros olhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Estava decidido a sair do HiChile hoje pela manha. Levantei cedo, organizei as coisas, tomei um banho e desci para o café da manha. Por um tempo, fiquei conversando com alguns brasileiros que estavam aí sobre as viagens que cada um tinha programado na cabeca, ao mesmo tempo em que falávamos um pouco sobre o comportamento das pessoas em Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebemos que as pessoas têm um carinho pelos brasileiros, mas, normalmente, esqueceram a simpatia em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício, quando falei da possibilidade de ir para a Bolívia, foi extremamente preconceituoso. Falava coisas sobre o povo, colocava seu olhar "civilizado" sobre as culturas indígenas bolivianas e, todo o tempo, falava de uma terra sem lei, movida pela corrupcao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engracado é que outras pessoas que estiveram lá nao me falaram coisas ruins do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, como percebi que ele reclamava de tudo em hósteis, percebi que é um cara bem elitizado que nao está acostumado com as viagens sem tantos luxos, apesar de achar que ele nao tem tanto dinheiro assim. É manifestacao pequeno-burguesa mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, normalmente, reclamo, é da forma como as pessoas nos tratam. Nao gosto de tanta formalidade e nao gosto da distância mal-educada. Quem me tratem bem é só o que espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nao senti esse trato que busco por aqui, iria buscar em outro lugar. Andei ao La Casa Roja, onde tinha feito reservas para estes dias, embora nao tenha ido diretamente para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado, nao havia vagas. Tinha que esperar até às 13h pra saber se encontraria lugares. Por algum momento, pensei em tentar. Ía deixar minha mochila por lá, iria rodar pela cidade e voltaria. Mas, como tinha vontade de ir para Viña del Mar, achei melhor garantir a dormida. Voltei para o HiChile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, conversei um pouco mais com Matias da recepcao e percebi que, neste instante, era um pouco mais simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, nao demorei. Deixei as coisas no quarto e saí. Iria ao "cerro San Cristóbal" de onde poderia ver Santiago inteira sob o olhar atento da Cordilheira dos Andes e depois, queria conhecer o mercado central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei uns 20 min. pela Av. Libertador O'Higgins até a rua Pio Nono, onde está a Escola de Direito da Universidade do Chile. Quando ainda caminhava pela avenida, precisei comprar filme para a minha câmera fotográfica. Parei em uma pequena livraria. Aí trabalhava um casal muito simpático. Fui fazer o pagamento e o senhor comecou uma rápida conversa comigo. Me perguntou de onde era e, quando disse que era brasileiro, muito amavelmente, me desejou uma boa estada no Chile com estas palavras: "que tengas un muy lindo viaje".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me fez feliz. Parecia que só precisava disso para comecar a deixar Santiago entrar em minha natureza. Porque eu, particularmente, gosto muito de cidades grandes e com a arquitetura de Santiago. Mas, nao gosto do jeito que as cidades grandes deixa as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Adelante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava, percebi placas que indicavam a casa que Neruda fez para sua amante em Santiago. Fui até lá, mas era muito caro pra fazer uma visita guiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi que o melhor era caminhar até o alto do "cerro San Cristóbal", mas alto do que o "cerro Santa Lucía", em que havia estado ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria subir a pé. Olhei o caminho por fora e nao achei tao grande. Mas, era íngrime. Durante a subida, sofri um pouco. O calor, a poeria, o sol, o cansaco... tudo era um obstáculo incrível. Mas, eu consegui. No alto, quase já nao tinha forcas para subir até o Santuário da Virgem, embora tenha conseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, descansei um pouco e aproveitei a vista. Ao fundo, para leste, a Cordilheira dos Andes parecia imensa e Santigo minúscula, apesar da poluicao que quase nao permitia que se vissem completamente as montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Circulei o cerro e vi que ele tinha um teleférico. Me dirigi até lá e pedi informacoes para a senhora que estava na bilheteria. Outra simpatia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nao havia ninguém na fila, comecou a conversar e me explicar o percurso, o que veria... me tranquilisava pelo meu medo de altura. Em certo momento, quando lhe disse que havia subido a pé o cerro. Ela me disse: mas como vc conseguiu? Essa estradinha tem 6km... se você quiser, pode descer pelo teleférico que vai te deixar bem próximo de uma estacao de metrô (a Pedro de Valdívia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como estava morto, aceitei o conselho. Mas, quando desci, nao queria ir de metrô. Queria ver Santiago por cima. Conhecer os parques, as ruas, chegar até o mercado central andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais duas horas de caminhada até o mercado central. Passei por pracas lindas (que eles chamam de parques), à beira do rio Mapocho. Quando encontrei água no parque, tratei de me molhar, para passar o calor e segui minha caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mercado central, queria encontrar uma bebida (um suco de pêssego, com trigo e uma banda de pêssego dentro) que eles chamam de de Mote Huesillo. Mas, dentro do mercado, além dos peixes e mariscos, só vi muitos restaurantes caros. Nao me animei em ficar aí. Saí e me pus a buscar onde vendia Mote Huesillo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tomei o suco, realmente percebi que valia a pena. Delicioso! Geladinho, naquele calor... foi perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estava na barraquinha, oOlhei o relógio pra ver se dava tempo de ir para Viña del Mar ou Isla Negra (onde Neruda viveu). Perguntei as pessoas se valia a pena, mas todas me diziam que era melhor ir amanha bem cedo e passar o dia todo. Embora quisesse ir para Mendoza amanha, acho que essa era a melhor idéia. Nao poderia vir até aqui e nao conhecer Viña e Isla Negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei no Supermercado pra comprar comida para levar amanha e voltei por hostel. Aí, percebi umas pessoas conversando sem parar. Pareciam ser Israelenses. Sei que falavam de viagens porque entendia quando eles diziam os nomes dos lugares, mas de resto nao entendia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, de repente foi me dando uma agonia... silenciosamente, pedia que se fossem, que deixassem o local dos computadores... eu já estava farto daqueles sons de "r" (com "r" feito no meio da garganta" e de "la, la, la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos se foram e pude escrever mais tranquilo. Pude refletir sobre Santigo com outros olhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-5886753791918903140?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/5886753791918903140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=5886753791918903140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5886753791918903140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/5886753791918903140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/santiago-com-outros-olhos.html' title='Santiago com outros olhos'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-2644234929551349079</id><published>2007-12-28T09:37:00.000-03:00</published><updated>2007-12-28T10:16:22.026-03:00</updated><title type='text'>A caridade comeca quando acaba a justica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Dizem que todos os caminhos levam a Roma, mas o certo mesmo é que quem tem boca vai a Roma. Em Santiago, é muito importante saber disso, porque, dependendo do terminal de ônibus em se pare, nao há qualquer informacao sobre a cidade, mapas, panfletos... nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há rodoviárias pertencentes a empresas de ônibus, ou seja, privadas, em que nao há quiosques para informacoes turísticas. Se vc pergunta algo, ninguém sabe, pode ou quer informar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro que te dizem é: voce precisa ir para a rua. Lá existem informacoes. Mas, como ir para rua se nao sei como me mover na cidade? Ainda mais em uma cidade grande como é Santiago?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que me senti quando, ao perguntar na rodoviária sobre como me mover na cidade, policiais, pessoas da empresa em que vim até Santiago, nao sabiam ou nao queriam dar informacoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos, estava havendo uma espécie de blitz da prefeitura na rua em frente e perguntei a um rapaz que fazia a abordagem dos carros como fazer para encontrar informacoes e ele me ensinou como ir de metrô até a Secretaria Nacional de Turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco irritado e um pouco arrependido de ter vindo para cá, enquanto atravessava a cidade em busca da Secretaria de Turismo, lembrei das palavras de Germán sobre Santiago. Ele dizia que aqui nao era uma cidade interessante para conhecer pessoas. Todos sao estranhos, corridos, ninguém se olha, ninguém se toca, cada um cuida de si. Talvez, um pouco como Sao Paulo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, era bom para que eu mesmo pudesse verificar isso. Afinal, podia ser um pouco de preconceito da parte dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas, acho que podia estar movido pelas palavras dele. Até me surpreender com a primeira coisa que vi quando entrei no metrô: "la caridad empieza cuando se acaba la justicia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me deixou pensando sobre que espécie de cidade é essa, o que se tenta fazer agora no Chile com o novo governo. Porque, até onde eu sei, o Chile é um país extremamente católico, que nao permitia o divórcio (nao sei se já permite)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando nisso enquanto o metrô abria e fechava, pessoas desciam e subiam... e até mesmo na rua, enquanto procurava a Secretaria de Turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Secretaria, fui atendido por uma mulher muito simpática. Me deu mapas, livros com informacoes detalhadas sobre Santiago, cultura, lugares para conhecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma muito diplomática lhe transmiti todas as reclamacoes sobre a falta de informacoes em locais mais próximos ou dentro das rodoviárias. Ela, atenta, ouviu, mas mudou de assunto em seguida como se isso nao fosse um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora em condicoes de me mover pela cidade, tomei novamente o metrô e fui para o HIChile, da rede Hostels International. Fui recebido por uma pessoa nao tao simpática que, de cara, me pediu que pagasse adiantada a permanência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que paguei e preenchi a ficha de entrada, me deu uma chave sem sequer me indicar o caminho até o alojamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntei, apenas me disse: é para lá (apontando com o dedo para o lado direito de seu corpo). Cara, como me arrependi de nao ter ido ao La Casa Roja... pelos precos que tinha visto pela internet achei que o HiChile fosse mais barato, principalmente pra mim, que tenho carteira de alberguista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei deixando as coisas aí e saí para um supermercado. Depois que deixei as coisas no hostel, tratei de ir conhecer a cidade. Andei o dia todo. Fui ao Banco do Brasil ver como estavam o cartao de crédito e conta corrente, depois fui ao Palácio la Moneda, à Catedral, Museo de Bellas Artes, Cerro Santa Lucía, Igreja Sao Francisco, Igreja da Merced, Palácio de Justica, Escola de Bellas Artes, um monte de lugares só caminhando. Em alguns deles, se podia entrar gratuitamente, outros nao. Aqueles que deixavam a gente ter acesso sem pagar, entrava, os outros, apenas passava pela frente, conhecia os arredores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de andar a tarde toda, voltei para o hostel. Precisava tomar um banho, comer e dormir. Mas, enquanto estava escrevendo no computador, encontrei Camila e Humberto (de Juiz de Fora). Ficamos conversando, eles me mostraram fotos, indicaram lugares para conhecer e, pior, me falaram muito mal do hostel. Achei que isso era coisa de brasileiro que nao está acostumado a viajar para ficar em hostel. Nao levei tanto em consideracao, apesar de já ter me deparado com situacoes que nao gostei tanto, como a falta de simpatia das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, encontrei Maurício (de Sao Paulo) e mais um monte de brasileiros. Nunca vi tanto brasileiro junto. Por, pelo menos, uma hora ou uma hora e meia, fiquei conversando com Rita (de Porto Alegre) e, em seguida, chegaram Soraia e uma outra (de Riberao Preto-SP). Enquanto conversávamos, uma senhora estava na cozinha organizando as coisas. Era uma pessoa muito mal-educada. Nao conversava, apenas reclamava. Nao dava um sorriso, nao tentava fazer seu trabalho mais prazeroso conhecendo as pessoas (muitas pessoas) que passam todos os dias por este lugar. Apenas, evitava todo mundo com um olhar sempre voltado para baixo, com o corpo retraído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, disse pra mim mesmo. Amanha mesmo saio daqui. Vou procurar o La Casa Roja, onde já tinha reservas (quicá ainda haja vaga), deixar minhas coisas, ir para a rua, conhecer outras coisas e depois ir para Viña del Mar e Isla Negra (onde Neruda tinha uma casa) e voltar pra Argentina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Ah, mas isso nao significa que Santiago nao é uma cidade bonita... neste ponto gostei da cidade. Nao é tao diferente de Buenos Aires. A arquitetura européia com fortes tracos franceses, está presente aí.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5815360097516735490-2644234929551349079?l=caminhosdequixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/feeds/2644234929551349079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5815360097516735490&amp;postID=2644234929551349079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2644234929551349079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5815360097516735490/posts/default/2644234929551349079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdequixote.blogspot.com/2007/12/caridade-comeca-quando-acaba-justica.html' title='A caridade comeca quando acaba a justica'/><author><name>o que eu não vi hoje? (Betinho Góes)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17056109059904804201</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5SPSCojkmY/S1KI2MH2JXI/AAAAAAAAADI/jKWIirv8Jp8/S220/IMG_9619+compactada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5815360097516735490.post-653745056579114229</id><published>2007-12-27T19:49:00.000-03:00</published><updated>2007-12-27T20:56:37.989-03:00</updated><title type='text'>A "saudade" em Valdívia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#3333ff;"&gt;Meu último dia em Valdívia... quando penso na Noite de Natal, nas pessoas lindas que conheci no Aires Buenos, como Yesi, Germán, que trabalham aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto como estava no meu último dia em Buenos Aires... tinha vontade de dar continuidade a minha caminhada, mas me sentia bem no lugar em que estava e só me dava vontade de passar todo o dia desfrutando da companhia das pessoas, sentir a casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, tinha uma necessidade... meus pés estavam cheio de bolhas por tentar caminhar de havaianas, de tênis e de sandálias, todos calcados inapropriados para se passar o dia na rua caminhando. Entao, resolvi comprar um sapato específico para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando voltei para o hostel, Tim, Tim me chamou para visitar o museu de história de Valdívia. Nao tava muito afim, mas para nao passar o dia enchendo o saco de Germán e Yesi, resolvi ir. O pior foi que nao consegui me despedir de Yesi. Fiquei muito triste por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter ido, minha cabeca nao estava para museus. A ansiedade por voltar era maior do que a minha capacidade de apreciar as coisas que o museo tinha pra oferecer. Mas, Tim queria comprar uma mochila térmica pra colocar comida, queria consertar seus óculos de sol, o que fez com que o retorno para o hostel se alongasse mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa, Germán lava a louca quando me perguntou qual o signifcado da palavra "saudade". Parece que todo mundo quer conhecer a beleza de nossa palavra saudade. Passei alguns minutos tentando retratar a complexidade dessa palavra, que representa sentimentos tao profundos e diversos. Da saudade que pode vir acompanhada da tristeza ou da alegria, que pode ser nostalgia, melancolia, mas que pode nao ser nada disso. Pode ser simplesmente a consciência alegre da existência de alguém. Pode ser a saudade de um tempo, de alguma coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, em espanhol, normalmente, as pessoas quando querem falar
